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Correio da Manhã

Cultura
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“O que era uma bênção tornou-se uma cruz”: Raquel Tavares abandona mundo da música

Desencantada com a vida artística e pública, a fadista revelou que se sente “infeliz”, diz que caiu no “vazio” e na “solidão” e anunciou o fim da carreira.
Miguel Azevedo 10 de Janeiro de 2020 às 08:03
Raquel Tavares
Raquel Tavares é uma das mais acarinhadas fadistas da nova geração
Raquel Tavares
Raquel Tavares é uma das mais acarinhadas fadistas da nova geração
Raquel Tavares
Raquel Tavares é uma das mais acarinhadas fadistas da nova geração
"Fui para lá do que era o limite […]. Cantar, neste momento, é uma coisa que me faz mal […]. Estou infeliz […]. Não tenho verdade nenhuma para cantar." Foi de forma inesperada, de voz embargada e lágrimas nos olhos, que Raquel Tavares anunciou esta quinta-feira o ponto final na carreira.

A cantora fez questão de escolher ‘O Programa da Cristina’ (SIC) para revelar que já abandonou os palcos e que pretende agora dar um novo rumo à vida. "Aquilo que era uma bênção começou a tornar-se uma cruz", desabafou a fadista que confidenciou que a vida artística e pública a fez cair no vazio e na solidão.

"Esta vida tirou-me e afastou-me de muitas pessoas. Algumas desistiram de mim. Eu chego a casa e estou sozinha. Não construí nada. Aos 35 anos, o que é que eu tenho?"
A cantora contou ainda que atuou doente e frágil ao longo do último ano e meio.

"Emagreci dez quilos num mês. Houve uma altura em que dei vinte concertos seguidos com febre", garantiu Raquel, que também chegou a um ponto em que já fugia das fotografias e dos autógrafos.

"No final dos concertos já só me queria esconder. Tantas vezes tive de me enfiar dentro da carrinha, tapar-me com uma manta e chorar. Eu não quero mais cantar." O futuro da fadista poderá passar pela comunicação e pelo jornalismo, "o que sempre quis fazer", diz. "Quero ser anónima."

"Chorava em palco por desespero"
O último concerto de Raquel Tavares aconteceu em outubro do ano passado, nos Armazéns do Chiado, em Lisboa. "Nessa altura já disse que ia partir para uma fase nova da vida. Eu já não estava a aguentar", diz. Um mês antes, num outro concerto no Coliseu Micaelense, a cantora sucumbiu em palco. "Estive cinco minutos a chorar copiosamente. As pessoas julgavam que eu estivesse emocionada, mas não. Já estava a despedir-me. Muitas vezes eu chorava em palco, não de emoção mas de desespero."
Raquel Tavares artes cultura e entretenimento música
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