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Correio da Manhã

Cultura
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OBRAS NA CITÂNIA DE BRITEIROS

A Sociedade Martins Sarmento vai ter que hipotecar o Solar da Ponte, a antiga moradia do patrono da instituição situada em Briteiros, concelho de Guimarães, para garantir a verba de que necessita para avançar com a instalação do Museu da Cultura Castreja e com as obras de construção da nova casa de acolhimento e abrigo da Citânia de Briteiros.
18 de Março de 2003 às 00:07
A Sociedade Martins Sarmento quer construir uma nova casa de acolhimento
A Sociedade Martins Sarmento quer construir uma nova casa de acolhimento FOTO: Mário Fernandes
O facto de uma instituição de utilidade pública hipotecar património nacional para, por sua vez, poder fazer obras nesse mesmo património é inédito no País, mas foi a única solução encontrada pela direcção da instituição, já que o Ministério da Cultura não garante apoios financeiros para um conjunto de obras que ultrapassa o milhão e meio de euros.

De facto, o Programa Operacional da Cultura apenas financia as remodelações em 75 por cento (cerca de 1,2 milhões de euros), cabendo à Sociedade Martins Sarmento o financiamento dos restantes 25 por cento do investimento.

Antes de recorrer ao crédito bancário, a direcção da Sociedade Martins Sarmento, a cargo de Joaquim Santos Simões, solicitou apoio financeiro à Câmara de Guimarães e ao Ministério da Cultura mas, passado cerca de mês e meio, ainda nenhuma das entidades respondeu.

O Ministério defende que as regras dos projectos aprovados pelo Programa Operacional da Cultura são regulamentadas ao nível da União Europeia e definem que 25 por cento do investimento cabe à entidade que apresentou a candidatura.

Por outro lado, a vereadora do pelouro da Cultura da Câmara de Guimarães, Francisca Abreu, responsabiliza o Governo e em particular o Ministério da Cultura, denunciando que o Governo tem faltado constantemente aos compromissos e protocolos celebrados com a autarquia e que há pagamentos em atraso referentes ao segundo semestre de 2002.

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

Porém, como a Sociedade Martins Sarmento necessita de uma solução urgente para não perder os fundos comunitários, não encontrou outra alternativa senão hipotecar parte do seu património para recorrer ao crédito bancário. O anúncio do recurso à hipoteca foi feito durante a cerimónia de comemoração do aniversário natalício de Martins Sarmento, altura que o actual presidente da instituição, Joaquim Santos Simões, aproveitou para expressar publicamente a sua revolta, referindo-se ao apoio milionário concedido pelo Estado e autarquia vimaranense às obras de remodelação do Estádio D. Afonso Henriques para receber o Euro’2004.
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