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Correio da Manhã

Cultura
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Ondulantes e luzidias

Um espectáculo invulgar e único realizou-se segunda-feira no Centro Cultural de Belém (CCB): um ‘show’ de dança do ventre pelas Bellydance Superstars. Exterior à programação interna do CCB, o evento marcou a estreia deste estilo de dança num grande teatro português.
19 de Outubro de 2005 às 00:00
Com o empurrão da novela ‘O Clone’, multiplicaram-se as escolas que oferecem dança oriental (designadamente a egípcia e a turca) e a população feminina tomou-a por moda.
Desde logo se percebeu que o espectáculo do CCB se tratava de uma ‘experiência’ singular na forma e no conteúdo, confirmado ao CM por uma das 13 bailarinas do grupo, que afirmou tratar-se de dança do ventre americana e não de dança tradicional do Oriente.
À frente de um ‘lençol’ branco com imagens projectadas de um ‘harém’ e labaredas sobre ele, um grupo de belas mulheres de cabelos soltos, seios generosos, costas ondulantes, ancas trepidantes e pés descalços, debita solos e danças de conjunto vistosos, que mais parecem desenhados para um casino de Las Vegas.
Na verdade, o grupo, formado por americanas na casa dos 20/30 anos, foi reunido por um produtor que as trouxe três meses para o ‘Cabaré’, do Casino de Monte Carlo, de onde saem para espectáculos avulsos fora das apresentações regulares. Basicamente, tem por núcleo a Sahlala Dancers, da Califórnia, com direcção de Jillina, que também conduz o espectáculo, juntamente com um excelente percussionista sírio.
Quanto às danças em si, deslizantes e muitíssimo bem interpretadas tecnicamente e com a vivacidade e o típico espírito festivo americano, são muito virtuosas mas, por vezes, mais parecem provas de dança num concurso de misses, com pouco ou nada em comum entre as concorrentes.
Apesar de todas serem muito atractivas, bem produzidas e luzidias – e tecnicamente muito seguras e exuberantes – o espectáculo, marcadamente comercial, fica-se apenas pelo entretenimento.
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