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Correio da Manhã

Cultura

Partiu Carlos do Carmo, a voz que deu charme ao fado

Fadista morreu no Hospital de Santa Maria, Lisboa, nas primeiras horas de 2021, vítima de um aneurisma da aorta abdominal. Cantor despediu-se dos palcos em novembro de 2019 no Coliseu de Lisboa. Na altura disse ao CM que gostava da vida mas que estava pronto para morrer.
Miguel Azevedo 2 de Janeiro de 2021 às 01:30
Carlos do Carmo despediu-se dos palcos em 2019
Carlos do Carmo despediu-se dos palcos em 2019
Carlos do Carmo despediu-se dos palcos em 2019
Carlos do Carmo despede-se dos palcos
Aos 79 anos Carlos do Carmo é um dos nomes maiores do fado
Carlos do Carmo despediu-se dos palcos em 2019
Carlos do Carmo despediu-se dos palcos em 2019
Carlos do Carmo despediu-se dos palcos em 2019
Carlos do Carmo despede-se dos palcos
Aos 79 anos Carlos do Carmo é um dos nomes maiores do fado
Carlos do Carmo despediu-se dos palcos em 2019
Carlos do Carmo despediu-se dos palcos em 2019
Carlos do Carmo despediu-se dos palcos em 2019
Carlos do Carmo despede-se dos palcos
Aos 79 anos Carlos do Carmo é um dos nomes maiores do fado
Veio para o fado e ficou. Ficou e ficará para sempre como a maior figura da história da canção de Lisboa depois de Amália Rodrigues. Carlos do Carmo, “o charmoso”, como carinhosamente era tratado por muitos dos seus amigos, “a voz”, como tantas vezes foi elogiado, o fadista-renovador, agregador e unificador, que não ligava aos puristas e abraçava o fado como bem lhe dava na ‘gana’, o homem que cantava como quem falava, o ‘diseur’ da palavra em português, um dos vultos de cultura que melhor soube tratar a língua de Camões, morreu às quatro da madrugada desta sexta-feira.

A noticia foi confirmada logo de manhã ao CM por um dos seus filhos, Alfredo, que era também seu agente, e deixou de luto o País. Carlos do Carmo partiu nas primeiras horas de 2021, no Hospital de Santa Maria, Lisboa, vítima de um aneurisma da aorta abdominal. Tinha dado entrada naquela unidade hospitalar no último dia do ano, foi operado durante nove horas, mas acabou por sucumbir no pós-operatório. Tinha 81 anos feitos à menos de um mês e apesar de se ter despedido dos palcos no final de 2019, tinha um novo disco a caminho, que deveria sair ainda no decorrer deste novo ano. Em entrevista ao CM, em 2019, a propósito do derradeiro concerto da carreira no Coliseu de Lisboa, dizia que gostava demais da vida mas que estava pronto para morrer.

Nascido em Lisboa a 21 de dezembro de 1939, filho da fadista Lucília do Carmo e do livreiro Alfredo Almeida, começou a cantar na casa de fados O Faia, da qual os pais eram proprietários (assumiria a gerência depois da morte do pai em 1962). Começou por gravar, em 1963, o fado ‘Loucura’, por ser o único que sabia e lançaria o primeiro álbum, ‘O Fado de Carlos do Carmo’ em 1969. Admirador e fã nº1 de Frank Sinatra (“deu-me muito jeito para namorar”, chegaria a dizer com o bom humor que lhe era característico), realizou mais de 60 gravações ao longo da carreira, entre singles, EP, álbuns e discos ao vivo, dos quais se destaca a verdadeira obra prima, ‘Um Homem Na Cidade’, de 1977. Era casado há mais de 50 anos com Maria Judite, o grande amor da sua vida com quem teve três filhos.

Uma vida cheia de prémios e condecorações
Num reconhecimento de carreira, Carlos do Carmo recebeu, em 2014, um Grammy Latino na categoria Lifetime Achievement, tornando-se no segundo artista nacional a consegui-lo depois da soprano Elisabete Matos. Foi, por duas vezes, agraciado pela Presidência da República: primeiro, em 1997, por Jorge Sampaio, com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, e, em 2016, já por Marcelo Rebelo de Sousa, com o Grande-Oficial da Ordem do Mérito. Em 2003 recebeu o prémio José Afonso e em 2008 o prémio Goya, em Espanha. Em 2019 recebeu a medalha de mérito cultural.
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