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Correio da Manhã

Cultura
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Pipocas banidas dos cinemas para travar contágios da Covid-19

Responsáveis acreditam que medida vai acelerar morte dos cinemas.
Bianca Pereira 29 de Novembro de 2020 às 09:23
Pipocas no cinema
Pipocas no cinema FOTO: Direitos Reservados
Ver um filme nas salas de cinema será, a partir de agora, diferente do habitual. Pipocas e refrigerantes, que para muitos faziam parte do culto de ir ao cinema, estão agra banidos das salas, anunciou a Direção-Geral da Saúde (DGS) como mais uma medida para minimizar o risco de contágio da Covid-19 em espaços fechados.

Segundo o decreto-lei que regulamenta o novo estado de emergência, em vigor desde terça-feira, é proibido comer e beber dentro das salas de espetáculo: “Nas áreas de consumo de cafetaria, restauração e bebidas destes equipamentos culturais devem respeitar-se as orientações definidas pela DGS para o setor da restauração, não sendo permitido o consumo de alimentos ou bebidas no interior das salas de espetáculo ou de exibição de filmes cinematográficos.”

A Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais considera a medida inaceitável: “O desnorte é grande”, acusam. Paulo Santos, diretor-geral da associação, afirma que esta “é a cereja no topo do bolo para acabar com a atividade”, após a proibição das sessões à noite (que representavam 40% de receitas de bilheteira), e ao fim de semana, a partir das 13 horas.

“Isto significa que, ainda assim, era a venda de pipocas e refrigerantes que ia ajudando a manter as salas abertas e em atividade, mas agora com esta proibição, muitos cinemas vão fechar, mesmo os grandes, que se veem incapazes de pagar as rendas”, lamentou.

O responsável protesta a desigualdade da aplicação da medida em diferentes setores: “Nos aviões pode comer-se sem distanciamento social, nos restaurantes pode comer-se, e bem, com distanciamento inferior ao que existe nas salas de cinema.” Para Paulo Santos, a decisão “não ponderada” viola “dispositivos constitucionais.
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