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Correio da Manhã

Cultura
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PRÉMIO SOFIA PARA SOPHIA DE M. BREYNER

"A minha mãe recebeu com imensa alegria e entusiasmo a notícia deste prémio", disse ao Correio da Manhã Maria Andresen de Sousa, filha de Sophia de Mello Breyner Andresen, ontem distinguida com o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana.
4 de Junho de 2003 às 00:00
Sophia Andresen recebeu a notícia do prémio com entusiasmo
Sophia Andresen recebeu a notícia do prémio com entusiasmo FOTO: Arquivo CM
"Sobretudo por se tratar de um prémio que distingue obras que constituem um contributo válido para a Humanidade. A poesia da minha mãe sempre foi uma poesia de deslumbramento, de bravura na sua relação com o Mundo, e que passa muito pelo político", acrescentou. "Ainda agora, que está doente, se indignou contra esta guerra, contra esta mentira, e teve a força de escrevinhar num papel: 'esta guerra é um crime'".
Aos 83 anos, Sophia de Mello Breyner Andresen é o segundo autor de língua portuguesa a ser distinguida com este prémio, dotado com 42 mil e 70 euros, e anteriormente entregue o brasileiro João Cabral Neto.
De resto, este é apenas um de muitos prémios que Andresen tem acumulado na sua já longa carreira literária, e dos quais destacamos o Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Autores (1964), o Grande Prémio Calouste Gulbenkian para Crianças (92), o Prémio 50 anos de Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (94), o Prémio Petrarca da Associação de Editores Italianos (95) e o Prémio Camões (99).
O Prémio Rainha Sofia é da responsabilidade do Património Nacional de Espanha e da Universidade de Salamanca, e do júri deste ano constava o escritor português José Saramago.
REACÇÕES
José Jorge Letria - "É um prémio inteiramente merecido e constitui mais um passo para a definitiva consagração internacional de um grande nome da poesia lusa. Este é um prémio de grande prestígio da cultura espanhola, espaço onde a obra de Sophia de Mello Breyner é cada vez mais divulgada e reconhecida. Num momento em que o País atravessa uma crise de auto-estima e quase tudo nos leva a descrer do nosso património cultural e humano, é bom que haja momentos luminosos como este... e que há um Portugal que cria, transcende-se e devolve-nos a nossa verdadeira dimensão. No fundo, aquilo que é a poesia da Sophia: o resgate da nossa alma colectiva".
Manuel Alegre - "Fui um dos primeiros a saber e fiquei muito contente. É um prémio cheio de significado. Sophia de Melo Breyner não é apenas um grande nome da poesia ibero-americana, mas também europeia e mundial. A sua obra poética é importantíssima".
Rosa Lobato Faria - "É merecido. Sophia de Mello Breyner é uma poetisa extraordinária, uma compatriota, e do nosso tempo. É um grande orgulho para todos nós, especialmente para aqueles que gostam de poesia".
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