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Correio da Manhã

Cultura
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Rimas e Batidas edita compilação musical contra o racismo

Álbum 'Labanta Braço' criada por artistas portugueses e lusófonos negro é um protesto contra o racismo e o desrespeito pelos direitos humanos.
Lusa 21 de Agosto de 2020 às 13:37
Canções de 'Labanta Braço' podem ser ouvidas na plataforma Bandcamp
Canções de 'Labanta Braço' podem ser ouvidas na plataforma Bandcamp FOTO: Rimsa e Batidas
Labanta Braço é a compilação musical inédita criada por artistas portugueses e lusófonos, editada esta sexta-feira pela plataforma Rimas e Batidas e o programa de rádio Raptilário, para protestar contra o racismo e o desrespeito pelos direitos humanos.

"Num ano marcado por ações racistas e desrespeito pelos direitos humanos (com mediatismo e sob a luz das câmaras) deste e do outro lado do oceano, somos obrigados a refletir mais sobre o tratamento que a comunidade negra recebe de instituições e pessoas que deviam estar mais preocupadas em protegê-la do que em marginalizá-la", afirma Ricardo Farinha, fundador do programa radiofónico.

A Raptilário uniu-se à Rimas e Batidas para lançar uma "compilação instrumental solidária" criada por 37 artistas, que desafiaram a aderir a esta "causa que é de todos", por "todas as vítimas do racismo e da opressão social", pela "mudança, paz e justiça", e por vítimas como George Floyd ou Bruno Candé Marques.

Esse apelo é espelhado no título da compilação - Labanta Braço - como um repto lançado contra o racismo, e aludindo ao símbolo da luta antirracista, do punho fechado num braço erguido.

"Esta é a banda sonora de uma revolução social, um grito a favor da igualdade e a uma só voz, mesmo que encontremos por aqui artistas de géneros, idades, passados e contextos tão diferentes", explicam os organizadores da iniciativa em comunicado.

Na sua plataforma, a Rimas e Batidas conta que a ideia de avançar com este projeto surgiu logo após o assassinato de George Floyd (por asfixia, às mãos de um polícia), a 25 de maio, nos Estados Unidos, mas "a necessidade de tomar uma posição com força foi tornando cada vez mais urgente" a sua materialização.

"Os protestos ecoaram um pouco por todo o mundo e por cá, meses depois, assistimos à morte trágica de Bruno Candé Marques, num novo crime movido pelo ódio racial. Esta não é, porém, uma questão de intolerância de 'hoje', mas sim algo que tem estado enraizado na nossa sociedade", acrescenta.

Para já apenas disponível na plataforma Bandcamp, na compilação participam os artistas Alexandre Francisco Diaphra, Ângela Polícia, Arekkusu, Bambino, Blaeckfull, Cachupa Psicadélica, Danykas DJ, Deejay Télio, DJ ADAMM, DJ Lycox, DJ Marfox, DJ Núcleo, DJ Satelite, Dotorado Pro, El Conductor, FRXH, herlander, Jackpot BCV, Juzicy, Kilú, Macaia, Mizzy Miles, Nástio Mosquito, Nel'Assassin, Nelsoniq, Nídia, Nigga Fox, Nzhinga, oseias., PHOEBE, prétu, rkeat, Wake Up Sleep, Slow J, Studio Bros, Tóy Tóy T-Rex and Young Max.

A capa é um trabalho da dupla Diogo Carvalho, que ilustrou, e João Bettencourt, responsável pelo design.

Os promotores da iniciativa apelam à "contribuição solidária de todos" para adquirir, pelo custo de um euro, o formato digital.

No entanto, ressalvam que "é possível ouvir gratuitamente as 37 faixas que compõem a "compilação inédita" e "histórica" em Portugal.

"Todas as receitas angariadas irão ser doadas à associação SOS Racismo. Vamos depois desafiar várias marcas a igualar o valor que angariarmos até ao final do Bandcamp Friday de setembro, que se assinala a 4 de setembro, e o valor desta 'matching campaign' será dividido em partes iguais pelos criadores que fizeram beats para a compilação e pela instituição escolhida", acrescentam.

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