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Correio da Manhã

Cultura
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Segredos da magia: os truques das bruxas que a Igreja ocultou

Rei D. João V mandou os frades guardarem livros de magia, bruxaria e vidência para estudo da Igreja.
João Bénard Garcia 8 de Dezembro de 2019 às 01:30
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Exposição de Magia no Convento de Mafra
Dezenas de livros proibidos sobre magia, bruxaria e oculto estão à vista de todos, expostos na biblioteca do Convento de Mafra, até final de maio do próximo ano.

A exposição chama-se ‘Magia - Um olhar sobre um tesouro oculto’, tem uma rosa em permanente levitação, uma ideia do ilusionista Nuno André, o comissário da mostra, e revela o acervo de livros não aprovados pela Igreja Católica, mas que estavam guardados à chave por um frade do século XVIII, com a letra ‘P’, em 3 das 136 estantes da colossal biblioteca. E tudo a mando, em segredo, do rei D. João V.

Saberes ocultos utilizados por bruxos e bruxas, feiticeiros e magos estão desvendados nesta exposição, lado a lado com histórias de monstros, prodígios e fantasias, interpretação de sinais, química, filosofia natural e jogos de luz.

Para os amantes da saga do pequeno mágico Harry Potter, há uma secção exclusivamente dedicada à Pedra Filosofal e um livro original com a descrição de como o alquimista Nicolas Flamel, uma das fontes inspiradoras da popular autora J. K. Rowlling, a terá conseguido alcançar.

Nuno André leu durante dois anos em latim, francês e português arcaico as obras que estavam trancadas nas estantes proibidas da biblioteca e descobriu, essencialmente, como a Igreja Católica geriu o desconhecido e quais as técnicas que a Inquisição utilizou para obrigar magos, bruxas e feiticeiros a confessar o recurso à magia negra e a outras formas de ocultismo.

"O que se pretende mostrar é que as técnicas que hoje existem estavam ocultas, vinham do Egito antigo, algumas do tempo de Moisés, e eram perigosas porque, na visão da Igreja, não vinham do Deus dos cristãos. Como desconheciam como se fazia, eram truques e coisas do Diabo", descreve o curador da misteriosa exposição, destacando algo que fará sucesso entre os mais novos. "Estes livros terão impacto junto dos mais jovens por causa do Harry Potter."

"As rosas simbolizam tudo o que a vida tem"
A rosa, tal como a luz, são dois dos principais símbolos da magia e das artes ocultas. Foi por isso que o ilusionista Nuno André, o comissário da exposição, escolheu deixar, até finais de maio, uma rosa sangue em levitação dentro de uma redoma.

Os visitantes apontam lanternas de telemóvel, circundam os expositores para verem de lado a cápsula de vidro que protege a flor, na esperança de adivinharem como se mantém no ar. O autor da ideia recomenda que os visitantes leiam o que está escrito na legenda do expositor e afiança que lá está a chave para desvendar o mistério.

"As rosas, para os mágicos, simbolizam tudo o que a vida tem: o odor, a beleza, mas também os espinhos", revela, destacando outro fator: "A luz, e os raios de luz, aparecem descritos em livros de magia do século XVI, pressupondo que a maçonaria se terá aqui inspirado."

Os manuais para obrigar bruxos a confessar tudo
No meio teológico e eclesial, em que era necessário combater a bruxaria e os magos, foram criados tratados contra os feiticeiros com poderes perigosos, onde eram descritos os métodos para os obrigar a confessar, com pressão psicológica e técnicas de tortura.

DISCURSO DIRETO
Nuno André, ilusionista e comissário da exposição
"Nem tudo eram simples truques"
- Estes livros explicam como eram feitos os truques de magia?
- Não, mas associam os mistérios ao demónio. Nestes séculos, ou era milagre ou bruxaria. Este tratado dos demónios mostra o que é a bruxaria e a magia atribuída aos demónios.

- O que é mais curioso de ler nestes livros?
- É a forma como se identificavam os magos, com os amuletos, sinais, algumas palavras e códigos usados.

- Mas apontam características específicas?
- Sim, a forma como o mago se apresentava. Eram pessoas com bastante prestígio, com uma luz que na visão da Igreja não vinha de Deus, mas de Lúcifer.

- A maior parte destes magos faziam simples truques.
- Faziam, mas esses truques não faziam sentido para a Igreja. Não me atrevo a dizer que tudo o que faziam simples truques de ilusionismo...

APONTAMENTOS
História
Mito ou realidade
Profeta e conselheiro do rei Artur nas lendas e histórias do Ciclo Arturiano, é considerado o maior e mais famoso mago de todos os tempos. Feiticeiro para uns, santo para outros, Merlin é um exemplo da linha ténue que, em muitos casos, separa o mito da realidade.

Literatura
O mundo de Hogwarts
A magia e a bruxaria inspiraram dezenas de autores, mas tudo mudou no dia em que J. K. Rowling descobriu Harry Potter. A saga do jovem bruxo em Hogwarts vendeu milhões de exemplares em todo o Mundo, sendo ainda um tremendo sucesso de bilheteira no cinema.

Cinema
Para ver e rever
Dois filmes imperdíveis: ‘O Terceiro Passo’, de Christopher Nolan, com Christian Bale, Hugh Jackman e Scarlett Johansson; e ‘Os Mestres da Ilusão", de Louis Leterrier, com Jesse Eisenberg, Mark Ruffalo, Morgan Freeman e Woody Harrelson, entre outros.

Eterno
O senhor da ilusão
Conhecido como Houdini, tirava algemas dos pulsos num piscar de olhos e escapava de masmorras com pesadas portas e enormes fechaduras em menos tempo do demorava a trancá-lo. É o maior ilusionista da História.
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