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Correio da Manhã

Cultura
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"Ser romancista era inevitável" para Kalaf Epalanga

'Também os Brancos Sabem Dançar' decorre entre Portugal e Angola e conta a origem do kuduro.
Ana Maria Ribeiro 18 de Dezembro de 2017 às 08:32
Kalaf Epalanga
'Também os Brancos Sabem Dançar'
Kalaf Epalanga
'Também os Brancos Sabem Dançar'
Kalaf Epalanga
'Também os Brancos Sabem Dançar'
Foi um encontro com o escritor angolano José Eduardo Agualusa que inspirou a Kalaf, dos Buraka Som Sistema, o seu romance de estreia. 'Também os Brancos Sabem Dançar' [da Caminho] é um livro de autoficção (mistura a autobiografia com ficção) e começou a ser pensado no Brasil. "Em 2015 participei num encontro literário no Rio de Janeiro e expliquei, a uma plateia interessada mas ignorante no tema, a origem do kuduro", conta o músico tornado romancista. "O Agualusa disse que eu devia era escrever a biografia do género musical, e quando voltei a Lisboa comecei a escrever."

A obra, que levou cerca de dois anos a terminar, conta não só a história do kuduro mas também a da kizomba, ao mesmo tempo que recorda décadas marcantes das histórias e das culturas portuguesa e angolana.

"Escrevi este livro para os angolanos, para saberem até onde foi algo que eles criaram, e a minha dedicatória silenciosa é para essas pessoas", conta Kalaf Epalanga, que já tem projetos para mais dois livros na cabeça. Mas nenhum deles será para já.

"Não sou um escritor rápido. Levo tempo a desenvolver uma história e acho que dois anos não é tempo demais para a maturação de uma obra literária."
Depois de dois livros de crónicas ['O Angolano que Comprou Lisboa (por Metade do Preço)' e 'Estórias de Amor para Meninos de Cor'], Kalaf diz que este era o passo que faltava no seu percurso. "Contar histórias sempre esteve presente na minha vida. Chegar aqui era inevitável."
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