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Correio da Manhã

Cultura
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Sindicato dos artistas teme descalabro com estado de emergência

Dirigentes sindicais dizem que as salas estão vazias e é preciso “ganhar a confiança” para que o público regresse.
João Bénard Garcia 23 de Março de 2020 às 08:08
CCB, em Lisboa
CCB, em Lisboa FOTO: Filipa Couto

O CENA-STE, o principal sindicato representativo dos artistas e dos trabalhadores da produção de eventos artísticos, está apreensivo quanto ao futuro do setor. Hugo Barros, produtor e dirigente desta organização de trabalhadores, comprova os receios dos profissionais e questiona: "Está tudo parado e a incerteza, agora, é quando é que arranca?"

Hugo Barros assegura que "as casas estão vazias e vai demorar algum tempo até que o público ganhe confiança para regressar aos teatros e aos concertos em segurança". O sindicalista deixa ainda dois exemplos dessa incerteza, referindo-se a dois eventos que estão agendados para setembro: "Será que haverá condições para a realização do Nos Alive ou da Festa do Avante, que têm imenso público ? Haverá condições?"

O CENA-STE congratula-se com o facto de, nesta fase de emergência, "o Governo, através do discurso da senhora ministra da Cultura (Graça Fonseca), ter garantido ordenados e postos de trabalho dos funcionários dos teatros nacionais", mas salienta a incerteza em relação a todo o setor: "Apesar de haver a garantia de que serão pagas este mês todas as faturas do que estava contratualizado, sabemos que o cálculo dos rendimentos dos independentes para efeitos de quarentena ou apoio à família só poderão ir até um máximo de 483 euros. É insuficiente e discriminatório."

CCB adia festival Dias da Música
A fundação que gere o Centro Cultural de Belém (CCB) reagendou para 2, 3, 4 e 5 de setembro o conhecido festival Dias da Música e promete, em comunicado, celebrar o verão com músicas de Ludwig van Beethoven em vez de celebrar a chegada da primavera, como acontece desde 2006.

"Associações e cooperativas desprotegidas"
O CENA-STE solicitou audiência urgente à ministra da Cultura e sobre a mesa estarão várias questões. "Estamos a inquirir os profissionais do setor artístico, temos já mais de 1400 respostas e a maioria são trabalhadores independentes para quem a Segurança Social ainda nem largou o formulário para pedirem apoio. Além destes, as associações e as cooperativas de artes não constam desta lei. Será um descalabro social", teme Hugo Barros.

SAIBA MAIS
Apelos:

Espetáculos a um euro
Os artistas estão a repensar o negócio e já existem plataformas que vendem bilhetes para espetáculos via streaming a 1, 3 ou mais euros, como a Patreon, através do Instagram.

Profissionais aflitos
"Há centenas de artistas que viram cancelados os seus espetáculos, muitos deles pagos à bilheteira. Há um naipe imenso de profissionais aflitos para pagar as suas contas",alerta o ator Ruy de Carvalho, de 93 anos.

CENA-STE Hugo Barros CCB Dias artes cultura e entretenimento economia negócios e finanças
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