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Correio da Manhã

Desporto
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A época negra

Um treinador despedido, duas competições perdidas, dois directores para o futebol demitidos, um vice-presidente que quis sair e uma equipa desvalorizada. Um balanço terrível.
6 de Fevereiro de 2010 às 00:00
Carlos Carvalhal
Carlos Carvalhal FOTO: D.R.

Verde era a cor da esperança numa boa época do Sporting, mas o negro é que tem sido o tom da temporada futebolística em Alvalade.

Tem corrido tudo mal aos leões, desde a pré-época, e em Fevereiro o Sporting já está afastado de duas competições: eliminado de forma humilhante da Taça de Portugal pelo FC Porto (derrota nos quartos-de-final por 5-2) e a 15 pontos do Sp. Braga e 18 do Benfica (mais um jogo) na liderança da Liga. Na próxima terça-feira, os leões jogam muito da época na pouco prestigiante Taça da Liga, frente ao velho rival. O clube de Alvalade arrisca-se assim ao segundo ano consecutivo de jejum, numa época marcada por grande agitação interna.

 

 

O Sporting 2009/10 já vai no segundo treinador. Paulo Bento viu chegar ao fim um reinado de quatro anos à frente dos leões. Um desfecho de certa forma inesperado se lembrarmos que, no início da época, Bettencourt disse que com ele era “Paulo Bento ‘forever’ – para sempre”. Mas os maus resultados e o mau futebol, aliado à contestação – os adeptos pediram mesmo a demissão de Bento após o empate com o Marítimo a um golo –, acabaram por deixar o treinador por um fio por mais um jogo: novo empate com o modestíssimo Ventspills e consequente demissão. 

 

 

Com Bento saíram Pedro Barbosa, sempre muito contestado e cúmplice na dispensa de Varela, ou no facto de o Sporting não ter contratado Hugo Viana. Ribeiro Telles, o vice-presidente, que era o homem para o futebol e elemento da confiança de Bettencourt, também bateu com a porta. 

 

 

A meio da época, o Sporting teve de começar quase tudo de novo. Elegeu Sá Pinto para director do futebol, Nobre Guedes para administrador da SAD (depois saiu a administradora Rita Figueira), e Carvalhal foi contratado para treinador. Isto depois de Villas-Boas ter sido anunciado como alvo dos leões, que comunicaram negociações à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

 

 

Se em Julho não houve dinheiro e Bento bem se queixou, em Dezembro Bettencourt abriu os cordões à bolsa. Gastou 11 milhões de euros – foi dos clubes que mais investiram na Europa em Janeiro – mas até ver sem resultados. O Sporting está afastado da luta pela Liga e pela Taça de Portugal, prova que custou também a saída de Sá Pinto, depois  de uma cena de pugilato com Liedson. Até Bettencourt já andou de cabeça perdida e quis agredir um adepto. Que mais irá acontecer ao leão?

 

CAPÍTULOS DE UMA NOVELA COM EPISÓDIOS TRISTES

 

Má escolha dos reforços

 

Caicedo foi o principal rosto de uma má escolha dos reforços. Veio para colmatar a saída de Derlei. Angulo veio para uma espécie de pré-reforma.

 

Pré-temporada muito fraca

 

Muito fraca e mal planeada. Apenas uma vitória sobre o frágil Atlético do Cacém, duas derrotas (Nottingham Forest e Feyenoord) e um empate (V. Guimarães).

 

Afastamento da Champions

 

O primeiro dissabor dos leões. A Fiorentina estava ao alcance mas o Sporting deitou muito a perder com empate a dois em Alvalade. Em Florença, igualdade a um.

 

Presidente vs. Adeptos

 

“Sei quem é o Herri Batasuna [antigo braço político da ETA] de cá do sítio [Sporting]”, disse Bettencourt, que chamou “anormal” a um sócio e quis agredi-lo.

 

Despedimento de Paulo Bento

 

Era “o treinador para sempre”, saiu como o treinador do tão pouco tempo com Bettencourt. Bento deixou a equipa à 9ª jornada, no sétimo lugar, com 13 pontos.

 

Sá Pinto em pugilato

 

Sá Pinto agrediu Liedson no final do Sporting-Mafra por o ‘Levezinho’ lhe ter faltado ao respeito, segundo o efémero director para o futebol – durou dois meses.

 

A Liga por um canudo

 

Com a derrota em Braga, o Sporting despediu-se definitivamente do título: está a 15 pontos dos líderes e a nove do FC Porto. Os leões já perderam 24 pontos.

 

A humilhação da Taça

O Sporting saiu da Taça sem honra nem glória. Os leões sofreram a maior derrota no Porto desde 1936: derrota por 10-1. Um pesadelo a verde e branco.

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