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Correio da Manhã

Desporto
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Benfica sofre mas passa em Barcelos

Águias vencem no Minho com uma exibição pálida. Resultado construído no segundo tempo quando os encarnados jogavam em superioridade numérica.
Filipe António Ferreira 21 de Dezembro de 2020 às 01:30
Benfica - Gil Vicente
Lucas Veríssimo , central no Santos
Benfica - Gil Vicente
Lucas Veríssimo , central no Santos
Benfica - Gil Vicente
Lucas Veríssimo , central no Santos
As únicas boas notícias para Jorge Jesus em Barcelos foram os três pontos conquistados pelo Benfica, numa vitória muito complicada, em que só não sofreu golos por manifesta sorte.

Jesus já tinha alertado para as dificuldades que a equipa ia encontrar em Barcelos. Por isso mexeu um pouco no xadrez (Pedrinho entrou e saiu ao intervalo), porém, o resultado acabou por ser quase sempre o mesmo: pouca velocidade e poucas situações claras de golo.

As águias dominaram, mas o Gil Vicente fechou sempre bem os caminhos da sua baliza. Darwin foi um dos mais perigosos, mas o pouco discernimento ajudou os galos a irem para o intervalo com a ficha limpa. O uruguaio teve um duelo particular com o guarda-redes Denis. A meio do primeiro tempo, as águias empurraram ainda mais o Gil para o seu meio-campo. De bolas aéreas ou remates de meia distância, o Benfica ia tentando chegar ao golo mas com pouco acerto. Perto do intervalo, o momento que acabaria por marcar o encontro. Gilberto dá uma cotovelada a Leauty e fica em campo e logo a seguir o gilista Ygor viu o segundo amarelo e foi expulso .

Taarabt entrou ao intervalo para dar mais objetividade ofensiva diante de uma equipa agora com dez. Nada disso aconteceu nos primeiros 15 minutos, muito pelo contrário.

O Gil Vicente nesse período foi melhor, muito melhor, mesmo em desvantagem numérica. Odysseas, com três grandes defesas, e a barra evitaram que a organizada equipa de Ricardo Soares chegasse à vantagem, que seria justa diante de um incompreensível Benfica.

A ajuda às águias acabou por surgir de um jogador contrário. Rodrigo desviou para a própria baliza um cabeceamento de o brasileiro Everton. O mesmo jogador acabaria por sentenciar a partida depois de uma boa jogada coletiva e de novo num cruzamento da direita junto à linha final (algo pouco visto esta época nos encarnados).

O Benfica venceu, mas sofreu muito e deu indicações contraditórias antes do jogo com o FC Porto (quarta-feira) para a Supertaça. Diante do campeão nacional terá de ter outra cara, mais querer e qualidade para tentar levar o primeiro troféu da temporada para Lisboa.

análise
+Atitude gilista
Lourency e Lucas Mineiro foram o expoente máximo do conjunto gilista no arranque do segundo tempo. Foi muito por culpa da sua ação que o Benfica passou autênticos calafrios, mesmo com um a mais.

-Jogar o triplo?
O objetivo do jogo é marcar mais que o adversário. Isso foi conseguido, mas a qualidade mostrada (mais uma vez) foi fraca, muito fraca. Jesus prometeu um Benfica a jogar o triplo. Quatro meses depois ... nada.

Braços da discórdia
Nuno Almeida (ou neste caso o VAR António Nobre) falhou em mais um lance com os braços. Não viu a cotovelada de Gilberto a Leauty, apesar do brasileiro ter sofrido falta antes. Ou melhor, viu mas só mostrou amarelo. No lance a seguir esteve bem no segundo amarelo a Ygor e consequente vermelho.

lucas ‘preso’ por 4,9 milhões
O Santos já terá tudo acertado com o Benfica para a transferência de Lucas Veríssimo, mas está a tentar atrasar a chegada do central à Luz, apurou o Correio da Manhã.

O clube brasileiro quer contar com o defesa nas meias-finais da Taça Libertadores, a 6 e 13 de janeiro. Chegar à final vale um prémio de 6 milhões de dólares (4,9 milhões de euros), verba que seria decisiva para atenuar a crise financeira do Santos. O Benfica joga a 17 de janeiro com o FC Porto na Liga e tem urgência em contar com Lucas Veríssimo.

Odysseas e Everton evitam problemas
Odysseas – Depois de uma primeira parte tranquila, uma exibição de luxo com três grandes defesas que seguraram o nulo antes do Benfica marcar. Decisivo.
Gilberto – Alternou o bom com o mau. Abnegação total na descida pelo flanco (esteve perto do golo num remate perigoso), mas mal no passe.
Jardel – Perdeu vários lances em velocidade no início da segunda parte.
Vertonghen – Sem problemas defensivos no primeiro tempo, teve duas boas chances. Caiu a pique no 2º tempo.
Grimaldo – Regresso ao onze com nota positiva. Competente a defender.
Weigl – Esteve consistente. Ação meritória nos equilíbrios defensivos.
Pizzi – Na posição oito esteve mais apagado do que o normal. Esteve no lance do 2-0.
Pedrinho – Estreia na Liga como titular muito apagada. A tendência de fletir sempre para zonas interiores retirou-lhe a possibilidade de mostrar a sua técnica e imprevisibilidade. Fraco.
Darwin – Muito desacerto. Várias vezes tentou assistir quando devia rematar. Pouco.
Seferovic – Mal se viu até à assistência para o 2-0 final.
Taarabt – Tentou mudar o rumo dos acontecimentos.
Diogo Gonçalves – Refrescou a direita da defesa.
Waldschmidt – Nada acrescentou no ataque.
Samaris – Para segurar.
Cervi – Pouco tempo.
Everton - Não fez uma grande exibição, longe disso, mas esteve no sítio certo para tirar o Benfica do sufoco. Ainda não enche as medidas mas já resolve alguns problemas a Jorge Jesus.
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