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Correio da Manhã

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Desamparado Frederico Gil diz adeus a Paris

Eliminado em singulares na última segunda-feira, Frederico Gil regressou esta quarta-feira aos courts de Roland Garros, para assinar a sua estreia em absoluta variante de pares do Grand Slam francês, mas voltou a não ser feliz. Ao lado de Rogier Wassen, o número um português cedeu na primeira ronda, perdendo para Andrey Golubev (Kazaquistão) e Denis Istomin (Uzebequistão) por 6-3 e 6-4, ao cabo de uma hora e 10 minutos.
25 de Maio de 2011 às 17:42
roland garros, frederico gil, roger federer
roland garros, frederico gil, roger federer FOTO: Gonzalo Fuentes / Reuters

Atendendo à cada vez maior experiência que vem acumulando na variante de pares ao serviço da selecção nacional da Taça Davis (10 vitórias em 16 encontros), Frederico Gil foi o jogador mais expedito nos momentos iniciais do encontro discutido no court 9 da Porte d'Auteuil - saindo da sua raqueta a primeira quebra de serviço do confronto. Porém, esse arranque promissor do português acabou por não ter correspondência em Rogier Wassen.

Apesar da carreira maioritariamente construída nas duplas, o tenista holandês de 34 anos nunca justificou o estatuto de antigo 24º classificado, actual 62º. E Gil sofreu naturalmente as consequências do "apagão" do parceiro. "Penso que entrámos bem no encontro, mas não conseguimos o entrosamento que seria ideal nestas situações. Treinámos juntos duas vezes apenas e senti que faltava alguma coisa. Normalmente estou habituado a jogar com alguém que marque mais a diferença, permitindo-me soltar mais o meu jogo, mas hoje isso não foi possível", explicou Frederico Gil no final, adiantando que a aposta nos pares será para reforçar daqui em diante. 

Feitas as contas finais à passagem de Frederico Gil por Paris, o tenista lisboeta arrecadou um total de 18.750 euros (15.000 só na vertente individual) e regressa ainda esta quarta-feira a casa. Aí aproveitará para desfrutar de alguns dias em família, antes de partir para uma espécie de "pré-temporada" com vista à preparação dos torneios em relva de Eastbourne e Wimbledon - um trabalho que irá ser efectuado bem de perto com o técnico João Carvalho, que o acompanhou em Paris, substituindo a habitual presença de João Cunha e Silva, já com vista a esse trabalho específico que agora espera o atleta. 

FEDERER QUER LEVAR DOIS TROFÉUS ESTE ANO

Muito se tem falado esta semana em Paris da série de 46 torneios do Grand Slam jogados consecutivamente por Roger Federer. Mais um recorde que o suíço pode vir a bater no que ainda falta da sua carreira, estando nesta altura a 10 competições do melhor máximo - registado pelo sul-africano Wayne Ferreira. Federer, todavia, mesmo sem desprezar o significado histórico de semelhante, tem outros planos em mente. Voltar aos títulos grandes, se possível já na capital francesa, de onde saiu campeão em 2009. Esta quarta-feira, para já, rubricou novo triunfo, desta feita sobre Maxime Teixeira, pelos parciais de 6-3, 6-0 e 6-2 - numa exibição imaculada diante do luso-descendente.

Tendo feito grande parte da sua formação tenística em Buenos Aires, Maxime Teixeira é daqueles jogadores que trata a terra batida por "tu". Mas ter do outro lado da rede Roger Federer e logo na segunda ronda de um torneio do Grand Slam, é algo completamente diferente, especialmente para um tenista ainda acostumado a viver o seu dia-a-dia no escalão de torneios Challenger. "Estou habituado a vê-lo só na televisão e vai ser estranho defrontá-lo, mas espero aproveitar o momento", antevia o filho e neto de portugueses, naturais de Cabeceiras de Basto, distrito de Braga.

E na realidade, o máximo que conseguiu Teixeira foi mesmo desfrutar da experiência de actuar perante o actual número três mundial e recordista de títulos do Grand Slam. Roger Federer esteve simplesmente intratável ao longo dos 84 minutos de encontro, quebrando por sete vezes o saque ao opositor, não lhe dando qualquer hipótese de se manter em prova depois da vitória em cinco partidas sobre o compatriota Vincent Millot.

Com novo triunfo, Roger Federer garantiu encontro frente a Janko Tipsarevic - vencedor esta quarta-feira sobre o espanhol Pere Riba - a contar para a terceira ronda de Roland Garros, torneio que o suíço venceu em 2009, mas do qual tem apenas uma recordação em tamanho miniatura. "Quando ganhamos, recebemos uma cópia do troféu em ponto pequeno, mas eu quero ter uma réplica da Taça dos Mosqueteiros em tamanho real. Era algo que devia ter tratado na altura mas pelos vistos não me organizei bem. Mas vou tratar disso de certeza, pois não faz sentido ter lutado tantos anos para conquistar este torneio e só ter como lembrança em casa um troféu minúsculo", brincou o helvético.

PARA JÁ, SÓ FRANCÊS...

O nome naturalmente suscitou curiosidade, mas também não se pode dizer que "portugueses em Paris" seja das coisas mais difíceis de encontrar. Todavia, a curiosidade teve naturalmente de ser saciada e na hora da despedida de Roland Garros, Maxime Teixeira, deu-se a conhecer um pouco mais, especialmente o seu lado mais lusitano, embora não fale a língua de Camões. Com pai e avós naturais de Cabeceiras de Basto, no distrito de Braga, o actual 181º classificado do ranking individual ATP World Tour confessa não visitar Portugal há vários anos, e tão pouco havia vislumbrado, até hoje, a hipótese de um dia vir a representar a selecção lusa na Taça Davis. "Bem, na verdade nunca pensei nisso, mas era algo em que poderia pensar... mudar a minha nacionalidade. Mas é difícil dar uma resposta em concreto, quando nunca se pensou seriamente nessa possibilidade...", afirmou de forma um tanto ou quanto evasiva.

Pedro Cordeiro, capitão português das selecções da Taça Davis e Fed Cup, também presente em Paris, conhece o jogador francês, reconhece-lhe o potencial, mas não tem prevista qualquer sugestão à Federação Portuguesa de Ténis para que o tenista seja eventualmente abordado nesse sentido, uma vez que confia plenamente nos jogadores actualmente ao serviço da equipa lusa que, recorde-se, entre os dias 8 e 10 de Julho estarão em Berna a discutir a segunda ronda do Grupo I da Zona Euro-Africana da Taça Davis frente à Suíça de Roger Federer.

FINAL ANTECIPADA CONFIRMADA

Sem qualquer surpresa realmente digna desse nome, o quarto dia da 110ª edição de Roland Garros ofereceu dois jogadores vitoriosos que prometem ser o grande destaque da terceira ronda da competição individual masculina. Naquilo que geralmente se caracteriza como uma final antecipada, Novak Djokovic e Juan Martin del Potro irão discutir o acesso aos oitavos-de-final do torneio parisiense, ao que tudo indica, na próxima sexta-feira. O argentino, actual campeão do Estoril Open, foi o primeiro a garantir o triunfo ao bater o esloveno Blaz Kavcic por 6-3, 6-2 e 6-4, recuperando da desvantagem de um break na terceira partida. Já Novak Djokovic, aumentou para 39 o número de encontros sem perder na presente temporada, desta feita beneficiando da desistência por motivos físicos de Victor Hanescu, quando o marcador registava confortável vantagem de 6-4, 6-1 e 2-3 para o actual número dois mundial, futuro líder da hierarquia individual ATP World Tour - caso chegue à final do próximo dia 5 de Junho.

Será capaz Del Potro de quebrar a invencibilidade do sérvio? Roger Federer acredita que sim: "Supondo que ambos estarão a cem por cento fisicamente, definitivamente que o Juan Martin terá a sua oportunidade. Creio mesmo que se no ano passado não estivesse lesionado, poderia muito bem ter ganho este torneio, especialmente depois das dificuldades que me criou nas meias-finais de 2009. Sem dúvida alguma será um encontro a seguir com muita atenção".

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