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Correio da Manhã

Desporto
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Doping afasta Rússia da alta roda do desporto

Russos vão falhar os Jogos Olímpicos 2020 e o Mundial 2022.
João Moniz 10 de Dezembro de 2019 às 01:30
Jogos Olímpicos
Jogos Olímpicos FOTO: Getty Images
A Rússia foi esta segunda-feira banida dos grandes eventos desportivos mundiais durante os próximos quatro anos. A decisão da Agência Mundial Antidopagem (AMA) pune a adulteração de dados para esconder o doping generalizado de atletas russos, num escândalo que rebentou em 2015.

O castigo decretado vai afetar, acima de tudo, os Jogos Olímpicos 2020, em Tóquio. Nos últimos Jogos, disputados em 2016 na cidade brasileira do Rio de Janeiro, vários desportistas russos já estavam suspensos e outros preferiram competir na Equipa Unificada, destinada aos atletas sem bandeira ou que não podem representar os seus países.

Essa solução, que também foi aplicada no ano passado durante os Jogos Olímpicos de Inverno na Coreia do Sul, pode ser replicada no próximo ano (desde que os atletas comprovem não ter violado as regras), mas não deixa de ter um impacto significativo na prova. A Rússia é uma das potências desportivas mundiais, com tradição em várias modalidades desde o tempo da extinta União Soviética.

O impacto no futebol ainda não é claro. O Mundial 2022, que se disputa no Qatar, está inserido na proibição decretada pela AMA, mas a própria agência sugeriu esta segunda-feira uma solução à FIFA: uma seleção de jogadores russos, mas sem a camisola oficial e sem o hino antes dos jogos.

Essa equipa poderia disputar a fase de qualificação, que arranca em setembro do próximo ano, e posteriormente a fase final do Mundial, caso conseguisse o apuramento. O Euro 2020 não é afetado, nem a final da Liga dos Campeões em 2020/21, marcada para São Petersburgo.

O castigo da AMA é passível de recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto, mas até os responsáveis russos duvidam que a decisão seja revertida. Apesar disso, o primeiro-ministro Dmitri Medvedev falou em "histeria antirrussa". Ele que viu o seu governo diretamente envolvido na polémica.

Em 2015, a AMA divulgou a manipulação de análises laboratoriais (pelo menos 643 casos em 30 desportos desde 2011), num esquema que envolveu os serviços secretos: em 2014, nos Jogos de Inverno na cidade russa de Sochi, um agente disfarçado de canalizador substituía as amostras de urina dos atletas dopados, através de um buraco na parede da sala onde estavam guardadas.

Depois de esta atuação ter sido exposta, os responsáveis russos comprometeram-se a corrigir as más práticas. Só que, no início deste ano, Grigory Rodchenkov, um antigo responsável da agência russa antidoping, entregou à AMA informação privilegiada que provou que os relatórios oficiais continuaram a ser deturpados.

O objetivo era esconder o sistemático ‘fechar de olhos’ ao abuso de substâncias proibidas e evitar que medalhas ganhas nos últimos oito anos, em várias competições, fossem retiradas.

Euro 2020 fica fora do castigo aplicado
A seleção russa vai disputar o Euro 2020. Qualificada para o Grupo B, a Rússia é um dos 12 países anfitriões (São Petersburgo recebe três jogos).

Como a UEFA não é considerada uma "organização de grandes eventos", o castigo da entidade mundial antidopagem não se aplica às provas da principal entidade do futebol europeu, apesar de envolver multidões e muitos milhões de euros.
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