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"Éramos quatro no funeral, com máscaras, sem nos podermos abraçar": selecionador espanhol relata drama da morte do pai

Selecionador sub-19 de Espanha relatou os últimos momentos vividos com o progenitor, que faleceu por coronavírus.
Record 2 de Abril de 2020 às 09:52
O novo coronavírus impediu Santi Denia, selecionador sub-19 de Espanha, de despedir-se de forma apropriada do seu pai, que faleceu no passado dia 21 de março, vítima da Covid-19.

"Este vírus levou-me o meu pai e já tem levado muitas outras pessoas. Todos os cidadãos estão a sofrer com este tema. Tenho muita pena e muita impotência por todas as circunstâncias que proporcionaram a morte do meu pai. Ele estava bem. Foi muito rápido. À minha irmã deu tem tempo ainda para despedir-se porque o médico disse-lhe à hora de almoço que ele estava a piorar. Eu cheguei duas horas depois, a gritar ‘Chapi’, como o chamavam, e ele já não me respondeu…", afirmou, em declarações ao ‘El Larguero de la SER’.

O ex-jogador do Albacete e do Atlético Madrid revelou que o atual panorama vivido em Espanha dificultou, ainda mais, a oportunidade do pai viver, até porque não foi capaz de comprar um respirador para o seu progenitor. "Tentei procurar um em Albacete. Era a única possibilidade de lhe dar uma oportunidade de viver. Pedi a um médico, a amigos meus de Albacete, a uns amigos de Madrid, mas em Espanha vive-se uma situação muito complicada. Procurei ainda levá-lo para Madrid, mas o médico não me aconselhou a fazer a viagem. Não havia mais opções porque não existiam respiradores em nenhum lugar", atirou.

Santi Denia não esquece o sentimento de impotência que experienciou em torno da morte do pai. "Não consegui arranjar maneira de conseguir o respirador porque o sistema está em colapso. Não sou mais nem menos que ninguém. Apenas um cidadão que queria dar uma chance de viver ao seu pai. Na manhã seguinte [ao falecimento], ligaram-me a mim e à minha irmã a dizer que o funeral teria de ser feito às 17 horas. Éramos quatro pessoas na cerimónia fúnebre, sem poderem abraçar-se, com máscaras. Foi muito difícil. Não consegui nem sequer abraçar a minha irmã", revelou.
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