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FC Porto em 'estado de Calamidade' deixa três pontos na Mata Real

Campeão vulgarizado por um fantástico Paços de Ferreira, que até teve de lidar com o erro claro de arbitragem num golo muito mal anulado aos homens da casa.
Sérgio Pereira Cardoso 31 de Outubro de 2020 às 01:30
Campeão vulgarizado por um fantástico Paços de Ferreira, que até teve de lidar com o erro claro de arbitragem num golo muito mal anulado aos homens da casa.
Campeão vulgarizado por um fantástico Paços de Ferreira, que até teve de lidar com o erro claro de arbitragem num golo muito mal anulado aos homens da casa.
A gravou-se, e muito, a situação do FC Porto, dominado e derrotado por um belíssimo Paços de Ferreira, que ganhou com justiça um encontro em que até acaba com queixas da arbitragem. Os dragões arriscam-se a ficar a oito pontos do Benfica e a seis do Sporting. Isto, à 6ª jornada.

Interessa explicar que Conceição operou três mudanças, voltando ao 4x3x3, sem Zaidu (castigado), Pepe (teste inconclusivo à Covid) e Fábio Vieira. Manafá ficou com a esquerda da defesa, Corona na direita, Leite ao centro e Grujic logo à frente. À falta do capitão, o barco teve buracos por todo o lado. O Paços vulgarizou os azuis-e-brancos na primeira parte. Aos 11’, Leite e Corona fazem asneira e deixam o israelita Dor Jan isolado. À segunda, fez o 1-0.

Se reagiu o FC Porto? Sim. Foi a melhor fase dos dragões, com três oportunidades em dez minutos. Evanilson acertou em Jordi, Grujic cabeceou ao lado e Sérgio Oliveira, de livre, esbarrou no ferro. Manta esticada na frente, tudo destapado atrás.

Aos 37’, Singh finaliza, à vontade, mais uma belíssima jogada a toda a largura do terreno. André Narciso (VAR) mandou Nuno Almeida ao vídeo e ambos concordaram numa suposta falta sobre Mbemba - Dor Jan remata em esforço e, na sequência, tem um contacto normal com Mbemba, com a bola já longe. Golo muito mal anulado.

Mesmo com o treinador expulso por protestos, o Paços repetiu o 2-0, fazendo da defesa portista um parque de diversões. Golo de Eustáquio. O FC Porto logo reduziu num penálti - também polémico - nos descontos, mas a cara de Sérgio Conceição dizia tudo. Vinha aí um sermão dos grandes.

E não só. Nakajima e Díaz em vez de Grujic e Uribe. Houve espaço para... piorar. Penálti por mão de Marega e Bruno Costa a marcar à equipa de formação. Três golos, que só não passaram a quatro devido à barra e a Marchesín. À entrada da reta final, Otávio trouxe uma bomba de oxigénio, mas a melhor oportunidade até final seria novamente para os da casa. Valeu outra vez Marché. Apito final. Dragão por terra e a ficar sem chão.

Sérgio foi única boia em dia de naufrágio
o Marchesín – Evitou a goleada aos 66 e aos 90 minutos.
o Corona – Mal a defender, desperdiçou um golo aos 61’.
o Mbemba – Acusou em demasia a falta de Pepe. Não foi o líder que a defesa precisava.
o Diogo Leite – Primeiro jogo da época. Afogou-se na enxurrada de erros defensivos.
o Manafá – Surpreendido várias vezes nas costas. Exibição para esquecer.
o Grujic – Estreia a titular. Sacrificado ao intervalo.
o Uribe – Falhou na cobertura a Eustáquio no 2º golo do Paços. Exibição para esquecer.
o Sérgio Oliveira - Foi o único que jogou perto do seu nível, mas não chegou para disfarçar as fragilidades a meio-campo. Seguro a marcar o penálti, ainda acertou no poste na marcação de um livre.
o Marega – Trapalhão a atacar e fez um penálti inacreditável.
o Otávio – Descaído para a esquerda foi inconsequente. Na 2ª parte melhorou a jogar no meio e fez um grande golo.
o Evanilson – Segurou uma ou outra bola a jogar de costas e fez pouco mais do que isso.
o Nakajima – Melhorou a circulação de bola da equipa, mas sem efeitos práticos.
o Luis Díaz – Notou-se que não está a 100% fisicamente. Mas foi dos poucos que, a espaços, criou desequilíbrios.
o Taremi – Foi, ainda assim, o avançado que deu mais trabalho aos defesas contrários.
o Felipe Anderson – Com esta falta de intensidade não vai convencer Sérgio Conceição.
o Fábio Vieira – Entrou (tarde) para o forcing final.

ANÁLISE
+ Paços de gigante
Fantástico encontro do Paços, cuja classificação já não refletia a qualidade exibida nas cinco primeiras jornadas. Dominou o FC Porto no jogo corrido e nas bolas paradas.

- Errado do início ao fim
Conceição falhou em toda a linha e, como se não bastasse, ainda foi expulso após o apito final, por palavras ao árbitro. Defesa foi um desastre na ausência forçada de Pepe.

Isto só vídeo...
Difícil de compreender como árbitro e VAR anulam o golo de Singh. Penálti por mão de Eustáquio também parece mal assinalado - o jogador está de costas e em desequilíbrio. Já o de Marega é inequívoco.
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