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Correio da Manhã

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Federer vence e dá aula de gestão

Num duelo entre os dois últimos campeões do Estoril Open, Roger Federer (titular do Jamor em 2008) apresentou-se simplesmente demolidor perante Albert Montanes (detentor do troféu). Sem enfrentar sequer um ponto de break, o suíço de 28 anos assegurou um lugar na quarta ronda do Open da Austrália com os parciais de 6-3, 6-4 e 6-4, atingindo este sábado o 50º encontro vitorioso em Melbourne Park numa carreira que inclui, até ao momento, 11 passagens pelo primeiro torneio do Grand Slam da temporada.
23 de Janeiro de 2010 às 22:41
O tenista Roger Federer
O tenista Roger Federer FOTO: d.r.

"Foi importante ter ultrapassado a primeira semana", adiantou o número um mundial. "Sinto-me bem, com confiança e tanto física como mentalmente estou fresco e essa é a melhor forma de entrar na próxima fase da competição". Depois de perder um set na ronda inaugural para Igor Andreev, algo que não sucedia há seis anos em qualquer dos torneios grandes, Federer confirma-se então nesta fase do torneio como um dos mais sérios candidatos à reconquista de um troféu que foi seu nas temporadas de 2004, 2006 e 2007.

Obrigado a esperar pela sessão nocturna deste sábado para conhecer o nome do seu próximo adversário - que sairá do escaldante confronto entre Marcos Baghdatis e Lleyton Hewitt - Roger Federer aproveitou a habitual conferência de imprensa após o encontro para colocar a par os jornalistas dos temas mais quentes que devem preocupar o ténis na actualidade. Na qualidade de presidente do conselho de jogadores do ATP World Tour (junto com Rafael Nadal e Novak Djokovic), o recordista de títulos do Grand Slam (15) destacou a falta de patrocínios no circuito masculino: "Em primeiro lugar, penso que falta um patrocinador principal ao ATP World Tour e conseguirmos um deverá ser a principal prioridade. Penso também que seria bom termos o máximo possível de ténis na televisão, embora na Europa nem sempre seja fácil, pois são vários mercados num só, com países a falarem diferentes línguas e nem sempre se consegue conciliar os interesses de todos. Por último, talvez a questão da redução do calendário. Não sei se será uma grande prioridade, uma vez que estou em crer que daqui a cem anos continuaremos a falar do mesmo, mas vamos ver se é possível mudar ou não".

Ainda sobre a ideia peregrina de um Campeonato do Mundo que tem feito correr rios de tinta na imprensa da especialidade, Roger Federer optou por não expressar a sua opinião de forma concreta, preferindo a defesa. "Limitei-me a ler sobre o assunto, pelo que não estou a par do conceito na sua totalidade. Vamos ver se resulta nalguma coisa. Para já a minha atenção está no Open da Austrália e não num possível Campeonato do Mundo ou na Taça Davis. Depois da prova talvez possamos pensar nisso", concluiu.

Terminada a "aula de gestão", e depois de Jim Courier ter abordado o assunto na sua entrevista ainda na Rod Laver Arena, Roger Federer voltou a ser confrontado com o passado da sua família. Robert Federer, o pai do tenista que está em Melbourne, revelou a Courier que em tempos chegou a ponderar mudar toda a família para a Austrália. "Do pouco que me lembro, devia ter entre 12 a 14 anos, recordo uma conversa entre os meus pais sobre os prós e contras de mudarmos da Suíça para aqui. E apesar de ser na altura uma hipótese até lucrativa, acabámos por ficar na Suíça. Lembro-me de nos terem consultado, mas enquanto crianças o que é que iríamos decidir? Eles é que são os pais, por isso....", recordou. O que é certo é que toda a família se manteve em terriório europeu, embora Federer tenha feito questão de frisar que a mudar, a África do Sul seria sempre a primeira opção pois tem já passaporte dessa nação em virtude da naturalidade da sua mãe Lynnette. Mais pormenores, deixou para o pai: "podem perguntar-lhe a ele, afinal de vez em quando anda por aí nos corredores".

Na competição feminina, Serena Williams foi uma das vencedoras nesta manhã de sábado em Melbourne Park. A norte-americana deu um passo mais rumo à defesa do título conquistado em 2009 diante de Dinara Safina, cedendo desta feita apenas três jogos de serviço face a Carla Suarez Navarro (6-0 e 6-3). Para além de garantido o apuramento para os oitavos-de-final, Serena vingou de certa forma o desaire imposto pela espanhola o ano passado sobre a irmã mais velha Venus, tendo enfrentado somente algum trabalho extra aquando da conclusão do primeiro set, o qual só ficou concluído à oitava oportunidade.

A próxima adversária da número um mundial será uma jogadora da casa, depois de Samantha Stosur ter hoje levado a melhor sobre a italiana Alberta Brianti com os parciais de 6-4 e 6-1, sendo que Serena tem ainda a correr do seu lado um dado estatístico interessante que regista a conquista do título feminino em Melbourne nos últimos anos pares, desde que em 2003 bateu na final a irmã em três partidas (7-6, 3-6, 6-4).

Igualmente na metada superior do quadro principal de singulares femininos marcaram encontro na quarta ronda Vera Zvonareva e Victoria Azarenka, para um duelo que se prevê escaldante entre a actual pupila de António Van Grichen e a antiga atleta do treinador português. Zvonareva pôs um ponto final no excelente torneio que vinha protagonizando a argentina Gisela Dulko (6-1 e 7-5), ao passo que a bielorussa triunfou calmamente sobre a Tathiana Garbin, derrotando a italiana com os parciais de 6-0 e 6-2.

OUTROS RESULTADOS

MASCULINOS

Novak Djokovic (Sérvia) vs. Denis Istomin (Uzebequistão), 6-1, 6-1, 6-2

Fernando Verdasco (Espanha) vs. Stefan Koubek (Áustria), 6-1, ret.

Nikolay Davydenko (Rússia) vs. Juan Mónaco (Argentina), 6-0, 6-3, 6-4

Lukasz Kubot (Polónia) vs. Mikhail Youzhny (Rússia), vitória por desistência do adversário

FEMININOS

Venus Williams (EUA) vs. Casey Dellacqua (Austrália), 6-1, 7-6(4)

Francesca Schiavone (Itália) vs. Agnieska Radwanska (Polónia), 6-2, 6-2

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