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Correio da Manhã

Desporto
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França "desforra-se" e elimina Portugal em casa

Ausência de Pepe desestabilizou a equipa, que nunca conseguiu travar o ataque francês.
Carlos Rodrigues(carlosrodrigues@cmjornal.pt) e Carlos Manuel Rodrigues 15 de Novembro de 2020 às 10:50
Portugal vs. França
Portugal vs. França FOTO: Reuters
Fernando Santos tem uma gama ilimitada de expressões de desespero, e as câmaras de televisão são implacáveis. Começa cedo a esfregar o rosto, sobe um nível ao esbracejar para o campo. A França domina o jogo e entra como quer na defesa, órfã de Pepe. Cinco oportunidades de golo, três defesas muito boas de Rui Patrício, uma bola na trave e um remate para fora. Eis o resumo de como Portugal evitou ir para intervalo a ser goleado.

A segunda parte começa com o golpe de misericórdia. O golo é de Kanté depois de uma defesa de Rui Patrício para a frente. Porém, culpar o guarda-redes português é injusto. Ele manteve viva a seleção nacional. Além disso, o lance é uma espécie de sumário executivo do jogo. Rabiot faz o que quer no massacrado lado direito da defesa, ultrapassa Cancelo, Danilo, Bruno Fernandes e Bernardo Silva. Depois, o marcador do golo ainda se antecipa a Guerreiro e a Rúben Dias. Façamos contas: no total, sete jogadores portugueses falham no lance que decide o jogo.

A perder, Fernando Santos passa finalmente do pensamento à ação. Jota vai a jogo, mais tarde João Moutinho. Portugal desconfina, mas a trave defende cabeceamento de Fonte, e Lloris trava bomba de Moutinho. O ímpeto tardio dos campeões europeus não chegou.

O último falhanço é de Ronaldo. Chega atrasado a cruzamento de Cancelo. A França desforra-se da final perdida em casa, e vem a Lisboa empurrar para fora da Liga das Nações a equipa que há 4 anos e 4 meses lhe estragou a festa do Europeu.

"Estivemos muito tímidos"
"A responsabilidade é minha. A França empurrou-nos para trás e nós estivemos muito tímidos. O jogo foi quase sempre deles", disse Fernando Santos. Questionado se concordava com Danilo Pereira sobre a falta de agressividade, o selecionador não respondeu diretamente: "Lá não deixámos a França jogar e aqui deixámos."

"Estivémos longe uns dos outros"
"Estivemos longe uns dos outros, distantes, muito largos no campo. Permitimos que a França tivesse espaço", admitiu Danilo Pereira no fim do jogo. "Não fomos a equipa mais eficaz", complementou Rúben Dias.
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