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Correio da Manhã

Desporto
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Guerras de pavões e feiticeiros

Alguém acredita que o nosso futebol vai mudar?
Fernando Sobral 28 de Setembro de 2013 às 15:00
Fernando Sobral
Fernando Sobral

O futebol português está transformado, desde há muito, numa sucursal da escola de feitiçaria onde teve aulas Harry Potter. O problema é que os grandes feiticeiros se contam pelos dedos de uma única das mãos e a maioria que evolui, deslocando-se montados em vassouras, são simples aprendizes. A última semana mostrou que, por detrás do ar aristocrático das SAD o futebol nacional é impossível de ser levado a sério. Ao fim de cinco jornadas o ridículo regressou para animar os adeptos.

Como sempre, mais importante do que os jogadores e as grandes jogadas o que importa no futebol português é a arruaça, o disparate e a bagunça. Quando foi distribuída a inteligência, os nossos feiticeiros nem na última fila estavam. A atitude de Jorge Jesus no estádio do Guimarães pode fazer com que seja o novo herói dos adeptos, mas mostra que ele não está vocacionado para ser um treinador de prestígio internacional, onde o discurso inteligente se sobrepõe à fúria da força.

Paulo Fonseca, que se prestava para seguir as pisadas de Mourinho e de Villas-Boas, como um treinador que aliava um discurso fresco a ideias novas, escorregou na primeira casca de banana que lhe colocaram à frente. O empate com o Estoril foi o suficiente para só ter visto o momento em que o árbitro prejudicou o FC Porto, tendo-se esquecido de ver a falta que colocaria Otamendi fora de jogo logo aos 10 minutos.

A culpa é sempre do árbitro! Nada de novo portanto no mundo daqueles que desejavam ser os "novos Mourinhos". Na bancada assistiu-se a mais um momento empolgante entre um dirigente do FC Porto e o presidente da Associação de Futebol de Lisboa, Nuno Lobo, que por acaso também é colaborador próximo de Fernando Seara (futebol e política andam sempre de mãos dadas). Este queria ser mártir, mas os dragões têm os seus ficheiros secretos em dia: acabou como aprendiz de feiticeiro, enxovalhado pelo que escreve no Facebook.

Com exemplos como este, como é que pode alguém acreditar que o futebol nacional vai mudar? É apenas um aviário com pavões e comissionistas. O problema é que os adeptos aplaudem todo este miserável folclore. No meio de tudo isto sobraram as palavras sensatas de Leonardo Jardim, sobre quem é beneficiado pelos árbitros. É pouco. Muito pouco.

A ENERGIA DE MARCO SILVA: UM NOVO MESTRE DA TÁTICA E DA LIDERANÇA

 

Após o jogo com o FC Porto, Marco Silva, o jovem treinador de quem se pode esperar muito, disse sobre a exibição do seu Estoril: "O FC Porto era uma equipa só com vitórias e nós jogámos com eles olhos nos olhos, condicionando a primeira fase de construção". Com uma equipa reconstruída depois de uma época excepcional (saíram jogadores fulcrais como Licá, Steven Vitória ou Jefferson), com uma estratégia empresarial muito clara (rodar jogadores para os vender com lucro), o Estoril não quebra.

 

Este início de época tem sido muito exigente (o plantel é curto e a presença na Liga Europa está a exigir muito em termos físicos), mas a equipa tem resistido. Pode perder, mas luta até ao último minuto, como se viu contra o Sevilha. Regressa sempre ao jogo depois de estar em desvantagem, como mostrou contra o FC Porto, pressiona, e sobretudo acredita que pode vencer. Há liderança no Estoril e uma equipa que se sente como tal. Por isso é mais fácil de dirigir.

 

Não há estrelas, mas há muita paixão. Contra equipas com outros trunfos, o Estoril não se transforma num castelo. Há claramente um objectivo comum e isso é visível na forma como a equipa é muito equilibrada tacticamente. Para Marco Silva é evidente que o futebol é um espectáculo para os adeptos. Para lhes dar alegrias. Quando se conjuga isso com resultados, está-se no caminho certo.

 

DEFESAS & ATAQUES

 

POSITIVO

 

FEJSA FIRME

 

O trinco sérvio trouxe consistência ao futebol do Benfica. E tornou o sistema defensivo muito mais sólido.

 

NUNO EFICAZ

 

O treinador do Rio Ave estudou bem o Sporting e, em Alvalade, aplicou um sistema táctico que rendeu um ponto saboroso. A equipa trocou bem a bola e convenceu.

 

NEGATIVO

COSTINHA TREME

 

Um ponto não é suficiente para grandes alegrias. Depois de tantas derrotas é oxigénio mas o futuro continua tremido.

 

APANHA-BOLAS

 

"Acho que é uma hipocrisia os três grandes falarem de arbitragem quando são eles os mais beneficiados" (Leonardo Jardim)

 

Quando se perde a culpa é do árbitro. Nos três grandes esse é um disco riscado. Leonardo Jardim pôs o dedo na ferida.

 

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