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Correio da Manhã

Desporto
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Niki Lauda, uma vida a acelerar

Ex-piloto austríaco morreu na segunda-feira, com a idade de 70 anos, após crise renal.
Miguel Dias 22 de Maio de 2019 às 08:47
Niki Lauda foi uma lenda da Fórmula 1. Ganhou dois títulos mundiais com a Ferrari e um com a McLaren
Prost  (esq.) ganhou em Portugal, mas Lauda foi campeão do Mundo
Imagem do terrível acidente que quase lhe tirou a vida, em 1976, no circuito de Nurbur- gring. Seis semanas depois voltava às corridas.
Na Ferrari conquistou dois títulos mundiais. No seu tempo, Niki Lauda era um ídolo e um dos desportis-tas mais famosos do mundo.
Lauda tinha paixão pela aviação
Niki Lauda foi uma lenda da Fórmula 1. Ganhou dois títulos mundiais com a Ferrari e um com a McLaren
Prost  (esq.) ganhou em Portugal, mas Lauda foi campeão do Mundo
Imagem do terrível acidente que quase lhe tirou a vida, em 1976, no circuito de Nurbur- gring. Seis semanas depois voltava às corridas.
Na Ferrari conquistou dois títulos mundiais. No seu tempo, Niki Lauda era um ídolo e um dos desportis-tas mais famosos do mundo.
Lauda tinha paixão pela aviação
Niki Lauda foi uma lenda da Fórmula 1. Ganhou dois títulos mundiais com a Ferrari e um com a McLaren
Prost  (esq.) ganhou em Portugal, mas Lauda foi campeão do Mundo
Imagem do terrível acidente que quase lhe tirou a vida, em 1976, no circuito de Nurbur- gring. Seis semanas depois voltava às corridas.
Na Ferrari conquistou dois títulos mundiais. No seu tempo, Niki Lauda era um ídolo e um dos desportis-tas mais famosos do mundo.
Lauda tinha paixão pela aviação
Niki Lauda, uma das maiores lendas da Fórmula 1, morreu esta segunda-feira, com 70 anos. O anúncio foi feito esta terça-feira pela família. Lauda foi campeão mundial de Fórmula 1 por três ocasiões, duas com a Scuderia Ferrari, em 1975 e 1977, e uma com a McLaren, em 1984.

O antigo piloto austríaco, que em agosto de 2018 foi submetido a um transplante de pulmão, tinha sido novamente hospitalizado no início deste ano, com uma forte gripe. Passou os últimos dias numa clínica em Zurique (Suíça) a fazer diálise. Foi aí que acabou por morrer, devido a uma crise renal.

Por vezes polémico, Lauda era uma das vozes mais respeitadas no paddock da F1, culpa do que conseguiu nas pistas, mas também pela lição de vida que deu a todos.

A jornada de Lauda na F1 começou em 1971, no Grande Prémio da Áustria, mas a primeira vitória só apareceu em 1974, já ao volante de um Ferrari. Um ano depois, em 1975, venceu o primeiro título mundial. O ano seguinte acabou por ser o mais marcante da vida do austríaco.

No GP da Alemanha (Nurburgring), despistou-se e chocou de forma violenta nos rails de proteção, com o Ferrari em que seguia a incendiar-se. Sofreu queimaduras graves na cabeça e nos braços e acabou por perder a orelha esquerda e grande parte do cabelo.

Ninguém esperava que sobrevivesse, mas regressou às corridas seis semanas depois e só perdeu o campeonato por um ponto para James Hunt, da McLaren, numa temporada que ficou imortalizada no filme ‘Rush’.

Em 1977 conquistou o seu segundo título mundial com a Ferrari, antes de em 1979 deixar a F1 para perseguir a sua segunda paixão, a aviação civil. Regressou em 1982, pela mão da McLaren, e sagrou-se campeão do Mundo pela terceira vez no GP de Portugal de 1984.

Terminada a carreira de piloto, regressou às corridas nos anos 90, depois de a Scuderia Ferrari o convidar para consultor técnico extraordinário. Em 2001 rumou à Jaguar para assumir as funções de diretor técnico, mas só ficou dois anos.

Lauda só voltaria ao mundo das corridas em 2012, quando se tornou presidente não executivo da Mercedes-AMG Petronas, cargo que ainda exercia atualmente. Convenceu Lewis Hamilton a trocar a McLaren pela Mercedes e criou, ao lado de Toto Wolff, uma equipa demolidora que nos últimos anos conquistou cinco títulos mundiais de construtores.

3.º título mundial em Portugal
Niki Lauda ganhou o terceiro título mundial de F1 em 1984, em Portugal, na última corrida da época. Ao volante de um McLaren, ficou em segundo lugar, atrás do colega de equipa Alain Prost, e protagonizou no Estoril uma das melhores corridas de sempre da Fórmula 1. O título mundial acabaria por ser seu, por meio ponto.

Rival fala em perda de "um lorde"
Alain Prost manifestou-se "chocado e triste" com a morte de Niki Lauda. O antigo piloto francês, colega e rival de Lauda na década de 80, falou de um ídolo de infância. "Perdemos um lorde, que nunca se queixou de nada na sua vida, da sua condição ou do seu acidente", afirmou.

Os aviões eram outra paixão
A segunda paixão de Lauda eram os aviões. Foi piloto comercial e afastou-se da Fórmula 1 entre 1979 e 1982 para criar a Lauda Air, que vendeu em 2002 à Austrian Airlines. Em 2004 criou – com sucesso - a Niki, companhia ‘low cost’ que vendeu em 2011 à alemã Air Berlin.

Domingos Piedade, ex-comentador de Fórmula 1
Correio da Manhã
– Que recordações tem de Niki Lauda?
Domingos Piedade – Tenho imensas recordações dele e com ele. Mas o mais importante foi o que ele deixou no desporto. Tal como o Ayrton Senna. Foi um homem extraordinário. Quase morto em 1976 e de novo campeão do Mundo em 1977 e 1984. Tinha mil atributos. Era melhor em provas de corrida do que em rondas de qualificação. Mas era um piloto muito tecnicista, irreverente e imprevisível. Um dos momentos que tem muito significado para Portugal foi quando se sagrou tricampeão com apenas meio ponto de vantagem para Prost, no Circuito do Estoril.

– Como descreve o Niki Lauda como pessoa?
– Uma pessoa incrível a todos os níveis. A nível social, empresarial e desportivo. Em todos esteve sempre no mais alto patamar e foi muito reconhecido por isso. Foi um amigo que morreu.

- O que Niki Lauda deixou na Fórmula 1?
– Deixa a certeza de que se uma pessoa lutar desde início consegue sempre alcançar os seus objetivos. Ele lutou desde início e nunca desistiu. Tornou-se um homem de negócios e um dirigente desportivo. Contribuiu, infelizmente com dois acidentes graves, para haver uma maior segurança nos circuitos.
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