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Correio da Manhã

Desporto
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Queda brutal mata Paulo Gonçalves no Dakar 2020

Motard português encontrado em paragem cardiorrespiratória ao km 276 da 7ª etapa do Dakar.
João Moniz 13 de Janeiro de 2020 às 01:30
Paulo Gonçalves a ser socorrido no areal
Paulo Gonçalves a ser socorrido no areal
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Paulo Gonçalves a ser socorrido no areal
Paulo Gonçalves a ser socorrido no areal
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Paulo Gonçalves a ser socorrido no areal
Paulo Gonçalves a ser socorrido no areal
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Último dia de Paulo Gonçalves no Dakar
Afastado da principal prova de todo-o-terreno em 2018 por lesão e obrigado a abandonar em 2019 após uma queda violenta, Paulo Gonçalves queria triunfar no Dakar deste ano. Nem os problemas no motor da sua mota à 3ª etapa, que até levaram a organização a dá-lo como eliminado, abalaram a sua determinação.

O foco mudou da classificação geral para a vitória em etapas. "Cada dia será encarado como uma nova corrida", deu conta o piloto português, de 40 anos, no seu Instagram, na última mensagem que lhe é conhecida antes da queda brutal que este domingo lhe custou a vida ao quilómetro 276 da 7ª etapa.

A ligação entre Riade e Wadi al-Dawasir, na Arábia Saudita, toda feita em areia num total de 546 quilómetros repletos de dunas, era extremamente rápida (a velocidade média foi de 119 km/hora). À medida do motard nascido em Esposende que tinha a alcunha de ‘Speedy’ Gonçalves.

Às 10h08 locais (menos três horas em Lisboa), a organização recebeu o alerta para a queda do piloto e enviou um helicóptero. A equipa médica chegou ao local do acidente às 10h16. Paulo Gonçalves estava inconsciente e em paragem cardiorrespiratória. O óbito foi, mais tarde, declarado no hospital. 

No local da queda, a primeira assistência foi dada pelo piloto Toby Price. O segundo a parar foi Kevin Benavides, o argentino que viria a vencer a etapa depois de a organização lhe ter descontado o tempo que perdeu junto a Paulo, seu antigo colega de equipa. Também o cunhado, Joaquim Rodrigues, ficou desesperado no deserto saudita.

Em choque pela perda de um dos seus membros mais queridos, a caravana do Dakar anulou a 8ª etapa, que se disputaria esta segunda-feira, para as motas e moto 4.

Perfil
Paulo Gonçalves nasceu a 05 de fevereiro de 1979, em Esposende. Ganhou o gosto pelas motas na oficina do pai. Após títulos nacionais no motocrosse e no supercrosse, triunfou também no enduro.

A oportunidade para dedicar-se às grandes maratonas surgiu em 2006, quando Lisboa recebeu a partida do Dakar.

Além da velocidade que lhe valeu a alcunha de ‘Speedy’ Gonçalves, mostrou tenacidade e enorme capacidade de resistência aos contratempos, que o levaram a vencer uma etapa do Dakar pela primeira vez em 2011 e a ser 2º na geral final em 2015. Em 2013 tinha sido campeão mundial de ralis de cross-country.

Esposende chora ‘herói’
"Recusava o titulo de ‘herói’ e era até um anti-heróis. Era um homem simples e humilde e que tratava toda a gente pelo nome." É de lágrimas nos olhos que Eduardo Maia recorda Paulo Gonçalves, poucas horas após saber da notícia da sua morte. O autarca de Gemeses, em Esposende, onde o piloto vivia com a família, sublinha que é uma "perda irreparável" de um "verdadeiro herói".

O pesar e a consternação tomaram conta da pequena localidade nas margens do Cávado. "Habituei-me a vê-lo correr ainda pelos montes, teria pouco mais de dez anos. Era um amigo, um amigo dos bons", recorda, também emocionado, Manuel Cruz, dono do café que o piloto frequentava. O autarca de Esposende recordou o último encontro com Paulo Gonçalves: "Estava com a mulher e os dois filhos, feliz e confiante na prova. É difícil acreditar".

Já os concorrentes que participam no Dakar prestaram este domingo uma sentida homenagem ao motard, na Arábia Saudita.

Competidor sem esquecer a camaradagem
Paulo Gonçalves era a encarnação do desportivismo. No Dakar 2016 parou para ajudar o austríaco Matthias Walkner, que tinha caído.

A organização acabou por descontar os 11 minutos que perdeu. Já em 2012, tinha-se atrasado 15 minutos para ajudar o francês Cyril Despres, que estava atolado na lama.
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