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Correio da Manhã

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'Teremos sempre Lisboa': Portugal empata em França mas Ronaldo teve a vitória nos pés

Nulo no final dos 90’. Desta vez sem prolongamento nem Éder, mas ainda falta a segunda volta na Luz.
Sérgio Pereira Cardoso 12 de Outubro de 2020 às 01:30
Nulo no final dos 90’. Desta vez sem prolongamento nem Éder, mas ainda falta	a segunda volta na Luz.
Nulo no final dos 90’. Desta vez sem prolongamento nem Éder, mas ainda falta a segunda volta na Luz.
Mais de quatro anos depois, Portugal voltou ao palco onde foi feliz como nunca. E saiu com razões para sorrir. Tal como em 2016, registou-se o nulo ao fim dos 90 minutos. Sem direito a prolongamento ou à presença de Éder, ia sendo Ronaldo a garantir, nos descontos, a vitória em Paris. Teremos sempre Lisboa, para resolver na segunda volta.

Fernando Santos pediu para a equipa não temer o adversário, campeão mundial, e a resposta foi categórica. Os homens das quinas pegaram na bola e fizeram peito aos galos, com Danilo e William a controlar a casa das máquinas para o carrossel dos quatro da frente funcionar. Só faltaram as oportunidades, mas Ronaldo ia marcando, não fosse o corte de mestre de Hernández (24’) ou o desvio infeliz de João Félix (26’) num livre cruzado.

A França acordou após o intervalo, recuou Griezmann e confundiu as contas lusas. E, mais uma vez como em 2016, ergueram-se Patrício, a dizer que não a Mbappé (47’), e o seguro vitalício chamado Pepe, coadjuvado por Rúben Dias, a segurarem o período de maior investida ofensiva dos ‘bleus’.

Santos viu que o cenário piorava e atirou a energia de Diogo Jota para o encontro, o que, curiosamente, provocou a subida de rendimento de Félix e permitiu a Portugal reequilibrar o domínio de jogo. Aliás, Pepe foi o único a colocar a bola dentro da baliza, mas o lance seria anulado por fora de jogo. Perto do final, Renato Sanches ameaçou e foi Ronaldo a estar mesmo perto do golo. Valeu Lloris a segurar o empate entre os campeões da Europa e do Mundo.

análise
+ Fecho central e uns extras  
Entrada de equipa grande com posse de bola e a secar o adversário. Quando a coisa tremeu, valeu o fecho central de Rúben Dias (apesar do amarelo aos 2’) e Pepe. E por falar em trintões, Ronaldo a cortar pelo ar as bolas paradas francesas foi delicioso.

- O descanso não ajudou
É verdade que não é possível estar a 100 por cento durante todo o jogo, mas Portugal sofreu no regresso dos balneários, demorando a adaptar-se às alterações táticas francesas. Guerreiro e Bernardo estiveram uns furos abaixo do habitual.

Uma falta aqui, uma falta ali
Teve de puxar do amarelo logo aos 2’, numa entrada dura, e arriscada, de Rúben Dias a abrir a cabeça a Giroud. Curiosamente, não mais foi ao bolso, apesar de algumas faltas o justificarem. Fez vista grossa a duas entradas sobre Cristiano Ronaldo.

Sequeira, domingos duarte e rafa de fora
Sequeira, Domingos Duarte e Rafa foram os três jogadores que ficaram excluídos da lista de opções para o jogo deste domingo. Os dois primeiros foram chamados ao grupo para render Mário Rui e José Fonte.

“equipas cautelosas demais”
“Foi um jogo muito equilibrado, entre duas equipas que foram cautelosas demais, sobretudo em termos ofensivos. Não me parece excesso de respeito, tínhamos jogadores de qualidade, mas não foi um jogo muito rápido”, lamentou Fernando Santos. O selecionador voltou a lembrar que a Croácia está na luta no grupo: “Estamos a esquecer-nos da Croácia, ganharam e continuam a contar. Ainda vão receber Portugal e França.”

Xerife Pepe deixou gauleses em sentido

o Rui Patrício – Se na primeira parte teve pouco que fazer, após o descanso aplicou-se numa defesa decisiva a remate de Mbappé. Sempre seguro.
o Nélson Semedo – Uma das surpresas no onze. Justificou a aposta. Limpou praticamente todas as ações da estrela Mbappé e teve várias descidas com perigo pelo seu flanco.
o Pepe - Os anos passam, a qualidade do xerife continua. Tranquilidade e competência a toda a prova. Em grande, principalmente no 2.º tempo.
o Rúben Dias – A falta (sem noção) e o cartão amarelo logo a abrir o jogo podiam ter condicionado, mas não foi o que aconteceu. Autoritário e seguro.
o Guerreiro – Muitos passes falhados a terminar o primeiro tempo. Sentiu ainda mais dificuldades após o descanso.
o Danilo – Gigante nos duelos a meio-campo. Seguro a defender e sempre bem na saída de bola. Caiu após o intervalo e a equipa ressentiu-se.
o William Carvalho – Bom regresso com músculo e inteligência. Foi o condutor que a equipa de Fernando Santos precisou para empurrar a França até ter pulmão. Caiu a pique no segundo tempo.
o Bruno Fernandes – Uma abertura com perigo e um remate desviado foi o melhor que fez. Pedia-se mais.
o Bernardo Silva – Não teve noite fácil. Poucas ações de desequilíbrio pelo seu flanco.
o João Félix – Teve pouca bola mas ainda assim teve o mérito de ajudar Raphaël Guerreiro em ações defensivas. Um remate com perigo no 2º tempo.
o Ronaldo – Muito desamparado foi várias vezes buscar jogo atrás. Surgiu nos descontos num remate venenoso que Lloris defendeu.
o Diogo Jota – Pouco agitou.
o Renato Sanches – Trouxe alguma frescura ao meio-campo. Um disparo à figura.
o Moutinho – Sem bola.
o Trincão – Entrou atrevido.
Cancelo – Cumpriu.
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