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Correio da Manhã

Desporto
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TRIO DE LUXO NO MONTIJO

O Clube Desportivo do Montijo surpreendeu este ano com as aquisições de Chiquinho Conde e de Madjer, a juntar à presença de Fernando Mendes que treina a equipa desde a época transacta.
13 de Novembro de 2004 às 00:00
TRIO DE LUXO NO MONTIJO
TRIO DE LUXO NO MONTIJO FOTO: Tiago Sousa Dias
À semelhança do companheiro Chiquinho, também o antigo lateral-esquerdo integra o plantel. Inscrito desde a passada segunda-feira, Fernando Mendes acumula assim as funções de treinador e de jogador no clube onde nasceu para o futebol. O motivo da decisão é simples: “trazer mais experiência a um plantel jovem”.
Com uma equipa jovem e dinâmica, o Montijo conta assim com a mais-valia de um trio de luxo do futebol nacional. Madjer, o exímio goleador da selecção de futebol de praia, é o mais novo dos três. O internacional português, de 27 anos, prefere não criar ilusões quanto a uma possível carreira em futebol de onze, até porque não faz parte dos seus planos abandonar o futebol de praia tão cedo. Talvez por isso tenha pensado tanto antes de aceitar a proposta do Montijo. "Fosse para onde fosse tinha de conciliar sempre com a praia. Aqui reuniram todas as condições para que isso fosse possível. Pensei imenso, mas foi com grande agrado que aceitei o convite", referiu.
A adaptação ao novo terreno e o desgaste físico que trazia do Verão têm sido as maiores dificuldades, mas a sede de golos tem sido sempre mais forte. "É completamente diferente da praia. No início da época tive uma pubalgia devido à diferença de piso, mas já estou recuperado e a jogar. Sinto que estou a evoluir e espero vir a fazer cada vez melhor", afirma convicto.
SÓ MAIS UM ANO
Já Chiquinho Conde nem parece ter 38 anos, face à excelente condição física que já apresenta. De volta aos relvados um ano e meio depois de ter terminado a carreira no Imortal de Albufeira, Chiquinho conta como surgiu esta nova oportunidade na sua vida.
"Foi uma situação caricata", diz com a boa disposição que o caracteriza. O convite deixou-o inicialmente céptico, mas acabou por aceitar. "Voltei a entrar no futebol através de uma brincadeira quando joguei numa equipa do Sindicato dos Jogadores. Foi assim que tudo aconteceu. Mas só jogo mais este ano", assegura. A formação e a aposta na carreira de treinador é a sua prioridade. Durante o interregno dos relvados fez o terceiro nível do curso de treinadores e estagiou com Carlos Queiroz no Real Madrid. No início desta época, teve mesmo um convite para ser treinador-adjunto de uma equipa da II Liga. "Mas não passou disso mesmo, de um convite", refere.
Uma referência para os mais jovens do plantel, Chiquinho Conde conquista a simpatia de todos aqueles que com ele lidam diariamente. E engane-se quem pensa que a idade já pesa. Basta ver a alegria com que encara mais este desafio e a vivacidade que continua a ter em campo. A disputar a III Divisão Nacional, considera ser "uma excelente oportunidade para conhecer parte dos jogadores do escalão".
Actualmente, dedica-se de corpo e alma ao futebol e não faz mais nada profissionalmente. Para o avançado moçambicano, "a aprendizagem durante os treinos é essencial para quando surgir a oportunidade de treinar um clube", que é, afinal, o seu grande objectivo.
CHIQUINHO REPETE REGRESSO
Esta não é a primeira vez que Chiquinho Conde regressa aos relvados após ter dado como concluído o seu percurso profissional. Já em 2001, dois anos depois de abandonar a carreira internacional, Chiquinho voltou a fazer parte dos convocados da selecção moçambicana, para defrontar a África do Sul. Tinha então 35 anos.
SONHO ADIADO
Chiquinho Conde tem um sonho muito especial: voltar a Moçambique. As saudades do país natal e dos familiares são cada vez mais fortes. O regresso estava previsto para o final da carreira de jogador, mas foi mais uma vez adiado. Depois de sair do Imortal, estudou Direito na Universidade Internacional com o intuito de enveredar por uma carreira na área da ciência política no seu país. O destino não quis assim. Numa das habituais visitas à família, Chiquinho percebeu que esta não era ainda a altura certa para o tão desejado regresso a 'casa'.
"Não estão ainda reunidas as condições ideais", diz ao CM. Um sonho que vê adiado por mais alguns anos, uma vez que o objectivo primordial neste momento passa pela carreira de treinador de futebol.
PERFIL
Francisco Queriol Conde Júnior (Chiquinho Conde) nasceu em 22 de Novembro de 1965, na Beira (Moçambique). Durante mais de quinze anos representou ao mais alto nível equipas com história e tradição no futebol português.
Entre 1987 e 1991 alinhou pelo Belenenses, regressando alguns anos mais tarde, em 1995. Caracterizado pela velocidade e alegria em campo, Chiquinho passou pelo Sporting (de 1994 a 1996) e pelo Vitória de Setúbal, onde passou grande parte da sua carreira (seis anos).
Em Março de 1997, foi para os Estados Unidos defender as cores do New England Revolution e, posteriormente, do Tampa Bay. Um ano depois, já em Portugal, regressou ao clube sadino, passou pelo Alverca e pelo Portimonense.
Em 2003, deu por terminada a carreira de jogador ao serviço do Imortal de Albufeira. Uma paragem curta, já que regressou este ano aos relvados para defender as cores do Montijo. Chiquinho Conde conta ainda no seu currículo com dezasseis internacionalizações pela selecção moçambicana.
MADJER
João Saraiva (Madjer) nasceu a 27 de Janeiro de 1977, em Lisboa. Começou a jogar futebol nas camadas jovens do Estoril-Praia, com 10 anos. Foi lá que surgiu a alcunha de Madjer. Os amigos daquela época achavam-no parecido com o argelino Madjer, estrela do FC Porto. Hoje só a família o trata por João.
Passou pelos vários escalões de formação no Estoril, até ao dia em que sofreu um acidente de moto que o obrigou a parar durante algum tempo. Jogava então nos juniores. Após a recuperação participou, por brincadeira, num torneio de futebol de praia em Carcavelos.
A excelente exibição do 'artilheiro' despertou desde logo os olhares mais curiosos, tendo sido mais tarde convidado para ingressar na selecção nacional da modalidade. Em Maio de 2001, tentou a sorte nos relvados, mas a experiência não foi muito positiva. Treinou no Paços de Ferreira, mas acabou por não ficar. Nesse mesmo ano, realizou ainda a pré-época (2001/2002) no Vitória de Guimarães.
Actualmente, continua a jogar futebol de praia e defende as cores do Montijo, ao lado de Chiquinho Conde e Fernando Mendes.
MENDES ESTREIA-SE EM CASA
Fernando Mendes vai pisar o relvado pela primeira vez, esta época, já no próximo dia 28. O jogo de estreia será no estádio do Montijo, frente ao Juventude de Évora. O ex-lateral-esquerdo está ansioso por voltar a jogar e espera mesmo poder equipar mais vezes este ano para matar as saudades. “Sempre que seja possível jogar não vou hesitar”, assegura.
PERFIL
Fernando Manuel Antunes Mendes nasceu a 5 de Novembro de 1966, no Montijo. Desde muito cedo que mostrou grande aptidão para o futebol, ganhando mesmo o prémio Atleta Revelação do Ano, em 1985, quando jogava no Sporting. Surgiu nos seniores do clube ‘leonino’ um pouco por acaso.
Depois de uma confusão com o então técnico dos juniores, foi chamado a treinar com a equipa principal para colmatar a falta de um defesa. Nunca mais saiu. Foi ficando e jogou ao lado de grandes glórias do futebol nacional, como o avançado Manuel Fernandes ou o guarda-redes Vítor Damas.
Em 1990, trocou o Sporting pelo Benfica, onde permaneceu nas duas épocas seguintes. Passou ainda pelo Boavista, Belenenses, mas foi no FC Porto que viveu alguns dos momentos mais importantes da sua carreira, ao sagrar-se tricampeão nacional entre 1996 e 1999. Deixou de jogar em 2002 ao serviço do Vitória de Setúbal. Vestiu onze vezes a camisola da selecção das 'quinas' ao longo de 18 anos de uma carreira sem lesões.
Actualmente, Fernando Mendes aposta na carreira de treinador, assumindo pelo segundo ano consecutivo o comando técnico do Montijo. Está inscrito como jogador, pelo que pode ajudar a sua equipa com uma participação efectiva no terreno de jogo.
FILHO DE DIAMANTINO
Miguel Miranda é outro destaque no plantel do Montijo. O jovem, que alinhou o ano passado pelo Alcochetense, é filho de Diamantino Miranda, um dos melhores jogadores do Benfica na década de 80, e uma presença constante no ataque na equipa aldeana. Miranda, como é tratado pelos colegas, alia a paixão pelo futebol ao estudos na faculdade.
CRISE NUM CLUBE COM HISTÓRIA
O Montijo, que disputa a série F da III Divisão (11.º, com 11 pontos), tem passado por momentos complicados. A crise financeira em que vive mergulhado nos últimos anos tem sido o principal entrave à afirmação do clube. A falta de apoios privados e autárquicos e a inexistência de património contribuiu para o agravamento da situação.
Actualmente, a conjuntura revela algumas melhorias. Com um orçamento baixo construíram uma equipa à medida das suas necessidades. De acordo com o presidente José Dias os apoios autárquicos são já uma realidade e a situação está mais ou menos controlada. “Só as dívidas ao fisco, que já vêm de há sete ou oito anos, é que continuam por liquidar", esclarece.
Fernando Mendes, actual treinador-jogador do clube, aceitou a proposta numa altura muito complexa. "Cheguei ao Montijo numa altura complicada na vida do clube. Mas aceitei com o objectivo de ajudar naquilo que for possível. Este ano a meta é estabilizar a vários níveis, principalmente a nível financeiro. Só assim é possível obter bons resultados a outro nível", explicou. Por esta razão, a aposta deste ano são os jovens – a média de idades ronda os 21 anos.
Fundado em 1 de Setembro de 1948, o Clube Desportivo do Montijo nasceu da junção de três outros clubes da terra: o Onze Unidos, o Avenida e o Aldegalense. Daí até ao sucesso foi um pequeno passo. O atletismo, basquetebol e o futebol foram as modalidades que melhor se distinguiram ao longo da história. O ‘luvas-pretas’ João Alves é ainda hoje considerado o melhor jogador da história do clube, que esteve na I Divisão nas temporadas de 72/73 e 73/74.
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