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Vítor Oliveira: O legado indelével numa carreira sempre a subir

Morte acontece na mesma semana em que o futebol viu partir José Bastos, Reinaldo Teles e Diego Armando Maradona.
Lusa 28 de Novembro de 2020 às 19:20
Vítor Oliveira tinha 67 anos
Vítor Oliveira tinha 67 anos
Vítor Oliveira tinha 67 anos
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Vítor Oliveira tinha 67 anos
O legado indelével de Vítor Oliveira, treinador com vasta carreira no futebol português, que morreu este sábado, aos 67 anos, luziu com 11 promoções e seis títulos na II Liga, atribuindo um inigualável epíteto de 'rei das subidas'.

Em 18 presenças no segundo escalão, o técnico levou duas vezes à elite o Paços de Ferreira, em 1990/91, quando dava os primeiros passos na carreira, e em 2018/19, e, pelo meio, promoveu Académica (1996/97), União de Leiria (1997/98), Belenenses (1998/99), Leixões (2006/07), Arouca (2012/13), Moreirense (2013/14), União da Madeira (2014/15), Desportivo de Chaves (2015/16) e Portimonense (2016/17).

Vítor Manuel Oliveira nasceu em 17 de novembro de 1953, em Matosinhos, e jogou no Leixões, Paredes, Famalicão, Sporting de Espinho, Sporting de Braga e Portimonense, entre 1970 e 1985, contribuindo para o regresso dos famalicenses à I Liga em 1977/78.

Um ano depois, o ex-médio assumiu as funções de treinador-jogador do Famalicão por dois jogos, em substituição do argentino Mário Imbelloni, sem evitar a descida ao escalão secundário, tendo efetivado a carreira nos bancos desde 1985 com o Portimonense.

Vítor Oliveira orientou 18 clubes durante mais de três décadas, 10 dos quais na I Liga, e quase nunca prosseguiu os projetos de subida consumados, à exceção de Paços de Ferreira (1991/92), Belenenses (1999/2000) e Portimonense (2017/18).

"Às vezes é melhor estar na II Liga a jogar para subir do que estar na I Liga a perder e a desgastar-me. Nessas duas propostas, prefiro uma equipa da II. Gosto de futebol e de treinar, seja na I ou na II, mas bom mesmo é estar na I Liga", explicou em 2015.

Vítor Oliveira cumpriu 17 temporadas na I Liga, à qual regressou em 2019/20 para orientar o Gil Vicente - na sequência do 'caso Mateus' e a partir do Campeonato de Portugal -, obtendo a 10.ª posição, com 43 pontos, 10 acima da zona de despromoção.

Os 'galos' foram o clube mais treinado pelo matosinhense na carreira, com três passagens distintas por Barcelos (1992/95, 2001/03 e 2019/20), que ajudaram a superar a marca dos 400 jogos como treinador principal na I Liga, em setembro de 2019.

Após duas épocas iniciais em Portimão, onde voltou entre 2016 e 2018, o técnico ainda trabalhou na elite com Paços de Ferreira (1991/92), Vitória de Guimarães (1995/96), Sporting de Braga (1998/99), Belenenses (1999/00) e União de Leiria (2007/08).

Nesse trilho, integrou as descidas de Académica (2003/04) e Moreirense (2004/05) à II Liga, nas quais foi rendido por João Carlos Pereira e Jorge Jesus, e viu o União da Madeira, em 2015/16, a ser o único clube despromovido após subir sob o seu comando.

Dono de um discurso fácil e frontal, que originou várias declarações marcantes sobre o futebol português, Vítor Oliveira passou pela III Divisão em 1988/89, quando contribuiu para a subida do Maia, duas décadas antes de ser coordenador técnico do Leixões.

Durante vários anos impôs a si mesmo a condição de recusar convites para orientar os 'bebés do mar' enquanto o pai fosse vivo, evitando que uma família de pescadores conhecida em Matosinhos ouvisse comentários infelizes das pessoas da terra.

As primeiras épocas com o Leixões foram conciliadas com o curso de engenharia eletrotécnica da Universidade do Porto, que podia ter ficado concluído logo após ter pendurado as chuteiras, se não fosse o estímulo de Manuel João e Manuel José.

O então presidente e o técnico do Portimonense, de saída para o Sporting, foram fulcrais para que Vítor Oliveira se estreasse nos bancos, aos 31 anos, desbravando um percurso dourado, sem ligações aos três 'grandes' e com vários convites estrangeiros recusados.

Desse currículo ressaltam seis títulos (1990/91, 1997/98, 2006/07, 2013/14, 2016/17 e 2018/19) e quatro prémios de melhor treinador da II Liga, além da presença na Supertaça Cândido de Oliveira de 1997/98, que o Sporting de Braga perdeu frente ao FC Porto (1-0 e 1-1).

Com mais de 1.000 jogos disputados no futebol português, Vítor Oliveira privilegiou a contratos de um ano, dispensou relações com empresários e escolheu sempre onde queria trabalhar, cultivando o respeito de jogadores, treinadores, dirigentes e adeptos.

Nas últimas semanas, estreou-se no comentário televisivo, depois de ter anunciado uma pausa na carreira de treinador, finalizada com uma manutenção surpreendente pelo Gil Vicente, no qual se cruzou com o diretor-geral Dito, que tinha falecido em setembro.

Reconhecido pelo perfil discreto e honesto, capaz de assumir as culpas próprias, Vítor Oliveira morreu hoje, aos 67 anos, depois de se sentir indisposto enquanto caminhava na zona de Matosinhos, confirmou à agência Lusa fonte próxima da família.

A morte acontece na mesma semana em que o futebol português viu partir José Bastos, antigo guarda-redes do Benfica, e Reinaldo Teles, histórico dirigente do FC Porto, além da comoção mundial provocada pela morte do ex-futebolista argentino Diego Armando Maradona.

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