Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
7

Banho de bola do Sp. Braga afoga o dragão na Taça

Abel Ruiz anulou a vantagem portista logo aos nove minutos.
Mário Figueiredo 4 de Março de 2021 às 01:30
Banho de bola do Sp. Braga afoga o dragão na Taça
FC Porto - Sp. Braga
Banho de bola do Sp. Braga afoga o dragão na Taça
FC Porto - Sp. Braga
Banho de bola do Sp. Braga afoga o dragão na Taça
FC Porto - Sp. Braga

O FC Porto levou um banho de bola e sai da Taça de Portugal humilhado pelo Sp. Braga, que à meia hora de jogo já vencia por 3-0. O dragão só equilibrou quando Borja foi expulso.

Sérgio Conceição procedeu a quatro alterações na equipa, fazendo entrar Diogo Costa, Sarr, Grujic e Luis Díaz para os lugares de Marchesín, Zaidu, Sérgio Oliveira e Taremi. Apostas perdidas. Assim como a vantagem após o 1-1 na primeira mão.

O Sp. Braga entrou demolidor. O elo mais fraco foi Sarr. E Carvalhal insistiu nesse ponto. A pressão alta bracarense deu frutos aos 9’, quando Piazón assistiu Abel Ruiz no primeiro golo. Sarr fica mal no lance.

Mas o murro no estômago do Dragão não o acordou. Foi necessário um segundo. O protagonista pela positiva foi o mesmo, Abel Ruiz, e pela negativa também o portista Sarr. O lance foi um espetáculo, com a assistência de Ricardo Horta a ser feita de calcanhar. Estava dada a nota artística.

O dragão demorava a acordar e o KO esteve perto num remate à trave do inevitável Abel Ruiz. Sérgio Conceição até elogiou os bracarenses ao dizer que eram a equipa que praticava o melhor futebol. Mas não contava com tamanho banho de bola. À passagem da meia hora Piazón fez o 3-0 num livre direto. O técnico portista levava as mãos à cabeça. Nem no pior pesadelo Conceição esperava isto.

Num laivo de brio, Otávio reduziu por 1-3, após um passe de Corona. Reacendia a esperança ainda que ténue. Aumentou a intensidade com a expulsão de Borja por falta sobre Marega.

Na etapa complementar, só deu FC Porto. Correu atrás do prejuízo. Foi um chuveirinho constante com bolas bombeadas para a área. Os bracarenses resistiam como podiam. Solidários a defender, mas com demasiado trabalho. Marega ainda reduziu para 2-3, após uma defesa incompleta de Matheus. O dragão ainda acreditou, mas a eliminatória ficou perdida à meia hora de jogo. O Sp. Braga está na final onde vai defrontar Benfica ou Estoril.

"Mau início" de jogo e "erros primários"
"Foi um mau início de jogo, não tem nada a ver com a nossa equipa, a história do clube", lamentou esta quarta-feira Sérgio Conceição. "Estar a sofrer três golos na primeira meia hora fica muito difícil. O jogo começa quando o árbitro apita. Não podíamos entrar com erros primários", disse o treinador do FC Porto.
"Em duas situações de erros individuais, o Sp. Braga marca e depois o 3º golo surge numa falta que me parece inexistente", afirmou o técnico, num reparo ao árbitro sobre o qual dissera há dias que devia ter sido o escolhido para apitar o clássico com o Sporting (0-0) da Liga.
"Pela nossa entrada, o Sp. Braga merece [a passagem à final], mas pelos dois jogos não estou convencido", admitiu Conceição. Além de explicar que Zaidu e Sérgio Oliveira não estavam a 100% fisicamente, o treinador apontou o rumo para o futuro: "Este jogo não é para esquecer, é para lembrar. O resultado pesa hoje e amanhã. Continuamos na luta pelo campeonato e com o objetivo de continuar na Champions. É essa a resposta que temos que dar."

"Fizemos um jogo fantástico"
"Fizemos um jogo fantástico. Após a expulsão fomos obrigados a vestir o fato de macaco e soubemos fechar a baliza", disse esta quarta-feira Carlos Carvalhal, técnico do Sp. Braga. Questionado sobre se os bracarenses já podem ser considerados um ‘grande’, o técnico relativizou: "Olhamos menos para o destino e mais para o caminho".

O violino de Otávio num barco a afundar
o Diogo Costa – Duas defesas fáceis e três golos sem culpa.
o Manafá – Não foi por este lado que tudo afundou, mas ganhou cantos e pouco mais.
o Mbemba – Um dos culpados no desastre inicial, acabou por sair ainda com 0-2, lesionado.
o Pepe – A luta que deu até ao fim não desculpa o buraco na defesa que comanda.
o Sarr – Inenarrável a lateral, foi responsável por dois dos golos. Não saiu logo porque Mbemba se lesionou. Fez mais umas asneiras como central.
o Grujic – Parecia ter entrado bem, quando, de repente, estava tudo a arder. Saiu aos 23’.
o Otávio - Ao jeito do Titanic, o médio não largou o violino com o barco a afundar. Trouxe esperança no 1-3 e ainda está no 2-3. Cometeu erros como todos, mas foi o mais lúcido neste naufrágio. 
o Uribe – Para esquecer. Passes errados foram doces para primeira parte arsenalista.
o Corona – Belo passe no golo de Otávio. A cola que tem nos pés não deu para tanto furo.
o Luis Díaz – Desilusão total, pouco contribuiu na frente.
o Marega – Outro dos violinistas, só que com menos técnica. Sacou expulsão e marcou o 2-3. Contudo, falhou oportunidades fundamentais.
o Zaidu – Pelo menos, é lateral. Na hora de cruzar é que as coisas deram para o torto.
o Taremi – Muitos cabeceamentos para fora.
o Sérgio Oliveira – Muitos remates para fora.
o Francisco Conceição – É craque e mexeu com o jogo. Não decidiu sempre bem.
o Evanilson – Poucochinho.

Big SHow ‘Ruizón’ em defesa de pedra
o Matheus - Sofreu dois golos, sofreu. Mas fez um punhado de grandes defesas, uma assombrosa, desviando para canto um cabeceamento de Evanilson. Evitou o 3-3. Na baliza, é dos melhores. 
o Ricardo Esgaio – Dinâmico na direita, mas nas covas no golo de Otávio.
o Vítor Tormena – Muito trabalho, muitos cortes. Ajudou a segurar a final de 23 de maio.
o Raul Silva – O pronto socorro a toda a largura do terreno. Esteve forte.
o Borja – Estava bem até ser displicente no lance com Marega, que lhe valeu a expulsão.
o Ali Musrati – Um pulmão de guerreiro; sempre oportuno a cortar jogo e a entregar bem.
o Fransérgio – O capitão bracarense faz por merecer a liderança desta equipa.
o Lucas Piazón – Grande jogo até ter pulmão: assiste no 1-0, começa o 2-0 e marca um golão de livre no 3-0. Excelente.
o Galeno – Pagou pelo erro de Borja e foi substituído. Antes, deu trabalho a Manafá.
o Ricardo Horta – A assistência de calcanhar para o 2-0 é de craque. Correu muito, a defender e a tentar o ataque.
o Abel Ruiz – Classe nos dois golos e jogada à Messi a seguir, que não deu o terceiro, porque a bola foi à barra. Depois, foi o primeiro defesa.
o Bruno Rodrigues – Este rapaz prova que o Minho é um viveiro de centrais. Entrou a frio para segurar a vantagem e foi subindo de produção.
o Sporar – Entrou para segurar a bola na frente e fez isso.
o Zé Carlos – Ajudou o relógio a avançar mais depressa.

Sérgio perde em casa pela primeira vez
O FC Porto perdeu esta quarta-feira pela primeira vez em casa na Taça de Portugal, desde que Sérgio Conceição assumiu o comando técnico.

Abel Ruiz no topo dos goleadores
Abel Ruiz marcou esta quarta-feira dois golos e subiu ao topo da lista de melhores marcadores da Taça de Portugal, com sete remates certeiros na prova. 

Análise
+ Abel Ruiz e defesa solidária
O avançado foi o símbolo do poderio ofensivo da equipa de Carlos Carvalhal. Marcou dois golos em 14’ e ainda atirou uma bola à trave. Mas quem garantiu a passagem à final foi a solidariedade na defesa, onde participaram todos.

- Sérgio Conceição
O técnico não meteu os melhores a jogar e pagou caro. Tentou emendar a mão, mas foi tarde. Para quem disse que "num jogo de 11 para 11" com o Sp. Braga "dava cinco ou seis" levou um banho de bola. Só equilibrou com mais um elemento.

Expulsão de Borja
Artur Soares Dias foi elogiado por Sérgio Conceição e cumpriu. Uma arbitragem limpa, onde o videoárbitro foi precioso para ajudar na expulsão Borja, após uma falta sobre Marega. O juiz deu amarelo, mas João Pinheiro, no VAR, expulsou o ex-sportinguista.

Ver comentários