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Correio da Manhã

Desporto
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Benfica regressa ao inferno com derrota em casa frente ao Santa Clara

Revalidação do título é cada vez mais uma miragem e o lugar de Bruno Lage está entregue à conselheira almofada do presidente.
Mário Pereira 24 de Junho de 2020 às 01:30
Benfica - Santa Clara
Benfica - Santa Clara
Benfica - Santa Clara
Benfica - Santa Clara
Benfica - Santa Clara
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Benfica - Santa Clara
Durante décadas, a Luz foi um inferno para quem a visitava. Agora, continua a ser um inferno. Mas para quem lá mora. O Benfica perdeu com o Santa Clara e bateu um recorde de cinco jogos consecutivos sem vencer em casa, quatro na Liga e um na Liga Europa. À custa disto, a frente europeia já foi. A doméstica, pelo andar da carruagem, dificilmente deixará de ir também.

Este foi, pois, um regresso do Benfica ao inferno. Depois da vitória em Vila do Conde, que parecia indiciar melhoras, a volta a casa mostrou que o mal está para durar. Tudo está em causa, neste momento, a começar pelo lugar de Bruno Lage.

A primeira parte do Benfica foi muito pobre, a roçar o lastimável. Não será desajustado dizer que o treinador só foi poupado a um coro de assobios logo ali porque, como se sabe, as bancadas estavam vazias. Mas muitos adeptos benfiquistas terão seguramente desesperado, frente aos televisores, com a lentidão de processos e a previsibilidade da sua equipa. Isso e muito mais: o desacerto defensivo, a imprecisão do passe no meio-campo, a ineficácia no ataque. Dizer que foi mau, é pouco. Foi muito mau.

O primeiro sinal de perigo, de resto, foi dado pelo Santa Clara, aos 13 minutos, numa jogada a explorar as fragilidades da defesa encarnada. Valeu a decisão de Odysseas a fazer uma boa mancha diante de Thiago Santana. O Benfica só se aproximou da baliza contrária com soluços, nunca com soluções. Por isso, antes do intervalo, o Santa Clara marcou mesmo, na exploração de um erro infantil de Nuno Tavares, a perder a bola quando saía com ela para o ataque. Anderson Carvalho agradeceu o brinde.

Na segunda metade, Lage mexeu na equipa. Fez entrar Vinícius e Zivkovic. A dinâmica melhorou, mas também fazer pior do que antes era impossível. Rafa empatou, o Santa Clara voltou à vantagem, mas o Benfica estava claramente mais ativo e também mais reativo. Em dois minutos, através da cabeça de Vinícius, deu a volta ao marcador e passou finalmente para o comando, a 25 minutos do fim do jogo. Mas de repente, nova recaída e novo regresso ao inferno... da primeira parte. O Santa Clara volta a empatar, agora de penálti, e já nos descontos chega à vitória, encomendando uma noite de insónias a Luís Filipe Vieira. Onde é que já vimos isto?

"Lugar não é meu, é do Benfica"
"Desde a terceira jornada, com o FC Porto, que vocês estão muito preocupados com o meu lugar. Aliás, nem é desde a terceira jornada, é desde, salvo erro, após os dois primeiros jogos, Rio Ave e Santa Clara. Recordo-me perfeitamente que me chegaram a perguntar qual era o meu ordenado. Por isso, sempre muitas preocupações relativamente ao meu lugar. Às vezes, fico é a pensar que… quem é que vocês andam a tentar promover para entrar no meu lugar ou até, às vezes, quem é que lhes anda a pagar alguns almoços, alguns jantares ou algumas viagens para entrar aqui no meu lugar. O lugar não é meu. O lugar é do Benfica." Esta foi a resposta dada ontem em conferência de imprensa, por Bruno Lage, treinador do clube da Luz, após a derrota, em casa, com o Santa Clara, quando o CM/CMTV lhe perguntou se, nesta altura, lhe passa pela cabeça pedir a demissão.

Bruno Lage disse também que a sua equipa fez algumas ofertas ao adversário. "Ficámos muito tristes", afirmou.

André destoa em defesa de papel
Odysseas – Vítima de erros alheios nos quatro golos.
André Almeida - Foi o único defesa que não ofereceu um golo ao Santa Clara e ainda fez duas assistências para Vinícius marcar e outros tantos centros venenosos que mereciam melhor sorte.
Rúben Dias – Falhou o tempo de salto no 1-2 e abordou mal o lance do 3-3, acabando por fazer um penálti desnecessário.
Ferro – Demasiado mole a abordar os lances, como quando perdeu a bola para Zé Manuel no 3-4.
Nuno Tavares – Perdeu a bola em zona proibida no 0-1 e não mais recuperou. Uma enxurrada de passes falhados.
Weigl – Exibição positiva, manchada pela forma como é batido por Zaidu no 1-2.
Gabriel – A jogar assim não justifica a titularidade. As más decisões suplantaram em larga medida as boas.
Taarabt – Incansável. Até ao intervalo foi o único a acelerar o jogo, um oásis no deserto.
Pizzi – Está irreconhecível com a bola a rolar, mas mais uma assistência num canto.
Rafa – Excelente trabalho no 1-1. Mais influente na 2ª parte, como 2º avançado.
Seferovic – Só se viu num remate anulado por fora de jogo. Muito pouco.
Zivkovic – Trouxe velocidade de raciocínio e passe.
Vinícius – Dois bons golos de cabeça. Falhou um golo feito com o pé esquerdo.
Cervi – Nada acrescentou.
Dyego Sousa – Equipa voltou a piorar quando entrou.

ANÁLISE
+ Competência...
A equipa do Santa Clara, pela forma como se deu ao jogo e até como não baixou os braços depois da reviravolta do Benfica, já na segunda parte, merece aplausos. Não fez uma exibição perfeita. Mas mostrou coragem e grande competência.

- ... incompetência
Má demais a primeira parte do Benfica. Sofreu cinco ‘cantos’ e não ganhou nem um e isso, só por si, é um dado estatístico revelador. Foi a perder para o intervalo e pôs-se desde logo a jeito para uma segunda parte sobre brasas. Foi o que se viu.

... e desatenção
João Pinheiro precisou da ajuda do VAR para ver o penálti (que existiu) cometido por Rúben Dias, no lance disputado com Fábio Cardoso. Após visionamento, teve melhor entendimento do lance. De resto, podia ter estado melhor no aspeto disciplinar.
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