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Correio da Manhã

Desporto
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Chuva de golos no dérbi entre FC Porto e Boavista com direito a serenata

Corona virou o bico ao prego no 0-1 e a partir daí só deu ópera - Sérgio Oliveira, Marega (2) e Díaz marcaram.
Sérgio Pereira Cardoso 27 de Setembro de 2020 às 01:30
Mbemba surge em pose acrobática perante o olhar atento do colega Marega e a aproximação de Javi García, do Boavista
Mbemba surge em pose acrobática perante o olhar atento do colega Marega e a aproximação de Javi García, do Boavista FOTO: Peter Spark
O Dragão brilha entre os pingos da chuva. Depois de uma entrada sem inspiração, uma segunda parte arrasadora resultou numa goleada de mão-cheia do FC Porto no Bessa. Corona deu o mote e a partir daí foi uma serenata, com a maestria de Sérgio Oliveira, um bis de Marega e o encore reservado para Luis Díaz.

Sérgio Conceição não mexeu na equipa que ganhou ao Sp. Braga, deixando Marega como referência no ataque. E a verdade é que o plano A começou por não funcionar. O maliano tornou-se uma espécie de última paragem dos ataques, com constantes perdas de bola. Sérgio Oliveira tentava resolver com a meia distância, mas nunca acertou com a baliza. Melhor esteve a servir Uribe, que enviou ao poste (12’) a melhor, para não dizer única, oportunidade da metade inicial - os outros cinco remates saíram para fora. O Boavista dividia posse de bola (48% ao intervalo) e com o tecnicista Angel Gomes a trazer toques de arte aos vários e exagerados duelos físicos.

Apesar de ter homens a aquecer desde cedo, Conceição trouxe os mesmos do balneário, numa espécie de confiança na chave fixa. E acertou em cheio. Nem dois minutos e Corona, com a ponta do pé esquerdo, resolveu o bico-de-obra em que ameaçava tornar-se o jogo O Boavista não caiu ao 0-1 e teve de ser Marchesín a brilhar por duas vezes num livre.

Com livres não se mata, com livres se morre. Sérgio Oliveira fez o 0-2, beneficiando de um desvio na barreira e, aí sim, foi o ponto final na resistência dos homens do Bessa, tornando-se o relvado um parque de diversões azul-e-branco em que Marega se divertiu - a passe de Oliveira - no 0-3 com um belíssimo remate e, pouco depois, no quarto, numa jogada saída do laboratório do Olival e que merece ficar nos livros dos livres. Díaz fez o fecho, com muito lucro. 0-5. Dragão no topo.

Sérgio aponta caminho
o Marchesín – Decisivo com duas boas defesas quando o resultado ainda estava 1-0.
o Manafá – Irregular. Dificuldades na 1ª parte apagadas com a assistência para o 5-0.
o Mbemba – Exibição dentro das expectativas. Não deslumbra, mas também não compromete.
o Pepe – Voz de comando. As bancadas desertas salientam essa característica, decisiva para os colegas que o rodeiam.
o Alex Telles – Jogo pouco conseguido. Longe do que é capaz de fazer.
o Danilo – Teve uma péssima entrada no jogo. Influente nas bolas paradas, como sempre.
o Sérgio Oliveira - Foi ele que desbloqueou o jogo quando a equipa precisou. Não só assistiu como marcou o 2-0. Em forma é dono do meio-campo.
o Uribe – Acertou uma bola no poste e pouco mais.
o Otávio – Lutador como é habitual.
o Corona – Ausente na 1ª parte, talento puro a marcar o 1-0 e ainda fez uma assistência.
o Marega – Sofre como único homem na frente, quando é obrigado a andar no meio dos defesas. Mas à medida que surge o espaço, é mortífero a explorar a profundidade.
o Luis Díaz – Meia hora em campo coroada com um golo.
o Zaidu – Ganhou mais rodagem para, um dia, eventualmente, substituir Alex Telles.
o Taremi – Vai-se ambientando aos colegas. Não surpreenderá o dia em que for titular.
o Fábio Vieira – Sem tempo para muita coisa.
o Romário Baró – Mais um jogo para o currículo.

ANÁLISE
+ Mudar sem alterar
Ou vice-versa. Conceição terá remado contra a maré no meio da tempestade, ao manter a equipa após uma primeira parte pobre ao nível ofensivo. A resposta foi a melhor e a segunda metade tornou-se um show.

- Entrada complicada
O facto de o treinador ter colocado a aquecer três jogadores ainda antes dos 25’ é elucidativo do que foi a entrada dos dragões. Axadrezados caíram ao segundo golo e poderiam ter ainda sofrido mais.

Sem problemas de maior
Na primeira parte, exagerou ao assinalar falta em quase todos os contactos, o que, num jogo disputado à chuva, pouco deixa para o espetáculo. Mas em lances decisivos, decidiu sempre bem - há queixas axadrezadas num penálti de Marega, que não existe - e não teve influência no resultado.
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