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Correio da Manhã

Desporto
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Estado arrisca perder 20 milhões com estádios vazios

Se o público continuar afastado das bancadas em 2020/21, o Estado deixa de cobrar o IVA da bilheteira e de outras vendas.
João Moniz 6 de Agosto de 2020 às 09:53
Eduardo Quaresma e Seferovic no último Benfica-Sporting, o primeiro com bancadas vazias
Eduardo Quaresma e Seferovic no último Benfica-Sporting, o primeiro com bancadas vazias FOTO: Pedro Ferreira
Além dos clubes, também o Estado arrisca perder dezenas de milhões de euros se as provas profissionais de futebol em 2020/21 forem disputadas à porta fechada. O anuário ontem divulgado relativo a 2018/19 aponta, pela primeira vez, o valor do IVA cobrado pelo Estado: 22 milhões de euros relativos a bilhética, merchandising e outros produtos e serviços que na sua maioria são consumidos em dias de jogo. Daí que, apurou o CM, o valor mínimo que o Estado deixará de cobrar em IVA se a próxima época não tiver público nos estádios é de 20 milhões de euros (e o montante até pode subir com uma redução do IRS e Segurança Social se os clubes baixarem a despesa com pessoal devido à crise gerada pela pandemia).

Para já, a prioridade da Liga Portugal é conseguir o regresso dos espectadores às bancadas, como admitiu ontem o seu presidente: "É para os adeptos que estamos a lutar e a trabalhar e tudo faremos para que a próxima época comece com eles. Estamos em conversações com a DGS e com o Governo." Só que a vontade de Pedro Proença está a esbarrar numa parede.

Da parte da DGS, "os aspetos relacionados com o arranque da próxima época ainda estão em avaliação", como avançou esta quarta-feira o CM. O que faz com que os governantes não se comprometam. "Sabemos que o comportamento do público num anfiteatro é distinto de um jogo de futebol, o que não quer dizer que não estejamos envolvidos na busca de uma solução. Não consigo dizer a partir de quando", explicou ontem o secretário de Estado do Desporto, João Paulo Rebelo. Igualmente presente na apresentação do anuário, o ministro da Economia e Transição Digital, Pedro Siza Vieira, também jogou à defesa: "O pior que podia acontecer seria tomarmos uma decisão de maior liberdade e mais tarde termos de voltar atrás."

Pandemia provoca prejuízo de 135 milhões de euros na última época
A suspensão da II Liga e a disputa das dez últimas jornadas da Liga à porta fechada devido à Covid-19 causaram um prejuízo de 135 milhões de euros em 2019/20. A perda em direitos televisivos foi de 52 milhões de euros e em bilhética e atividade comercial foi de 23,4 milhões de euros. Este valor não é superior, sabe o CM, porque os clubes não tiveram de devolver na totalidade as verbas cobradas pelos camarotes às empresas e pelos lugares anuais aos adeptos.

SAIBA MAIS
73%
das receitas da Liga vão para os três grandes: Benfica, FC Porto e Sporting. Os clubes entre o 4º e o 6º lugares ficam com 10% e os restantes com 17%.

MotoGP no Algarve
"Há a possibilidade iminente" de o Autódromo Internacional de Portimão receber a última etapa do MotoGP, a 22 de novembro, admitiu João Paulo Rebelo, secretário de Estado do Desporto.

UEFA lança protocolo
Para minimizar o contacto entre os envolvidos em cada jogo das suas provas (clubes e seleções) e baixar o risco de contágio, a UEFA lançou ontem um protocolo de segurança.
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