Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
4

FPF rompe com a Liga na retoma das provas

Críticas à solução desenhada pelos clubes levou a Federação a preparar novo plano.
João Moniz 29 de Abril de 2020 às 09:37
Pedro Proença e Fernando Gomes, presidentes da Liga e da Federação
Pedro Proença e Fernando Gomes, presidentes da Liga e da Federação FOTO: José Reis/Movephoto

É o elefante na sala de que ninguém quer falar publicamente, mas que todos abordam nos bastidores. Há uma semana, no dia 22, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) anunciava que tinha pedido a "uma equipa de especialistas multidisciplinar um plano gradual de regresso à atividade". Isto quando, nessa data, há mais de três semanas que a Liga tinha em constante atualização um plano de ação para a retoma progressiva à competição.

Ao que o CM apurou, esse documento nunca teve o acordo da FPF, que recentemente viu o Ministério da Saúde e a Direção-Geral da Saúde (DGS) partilharem as suas dúvidas: em causa o facto de as regras a cumprir terem sido determinadas pelos médicos dos clubes que eram parte interessada e não por entidades autónomas. Um problema que a Liga tentou resolver quando, a 10 de abril, anunciou a integração dos pneumologistas Filipe Froes (que faz parte do grupo de trabalho da DGS que acompanha a Covid-19) e António Diniz.

Contudo, para a FPF, o mal estava feito, daí que a entidade tenha decidido criar o tal grupo formado por profissionais indicados por várias entidades: Escola de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa; Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto; Conselho Nacional de Saúde; e os serviços de infecciologia dos hospitais de referência em Lisboa (Curry Cabral) e Porto (São João). Com este passo, a FPF considera que está restituída a credibilidade do futebol, o que irá facilitar a abertura das autoridades públicas à solução que for encontrada para retomar as provas.

PORMENORES
Processo invertido
Um dos principais problemas apontados ao plano de retoma da Liga é que parte de uma premissa errada: foi estabelecido que as provas deveriam estar terminadas a 31 de julho (sobretudo por motivos económicos) e definiram-se regras sanitárias que permitissem cumprir esse prazo. Especialistas em saúde pública defendem que deve ser o calendário a adaptar-se aos requisitos de segurança.

FPF espera pela UEFA
A Federação anunciou a criação do seu grupo de especialistas um dia antes de a UEFA revelar as condições que defendia para o término das provas. A FPF, sabe o CM, quis esperar por indicações como a possibilidade de serem realizados playoffs ou liguilhas no caso de não existirem condições para cumprir todas as jornadas ou mesmo a concentração das partidas em falta numa só região.

Acordo da DGS
A Direção-Geral da Saúde está ao corrente dos trabalhos do grupo criado pela FPF, de modo a dar o seu aval às medidas definidas. O facto de a Liga não ter reunido com a DGS antes de elaborar o seu documento de retoma dos jogos tem motivado críticas de alguns clubes.

Mais informação sobre a pandemia no site dedicado ao coronavírus

- Siga ao minuto as últimas sobre a doença
Mapa da situação em Portugal e no Mundo: veja a evolução da pandemia
- Conselhos sobre o coronavírus no explicador
- Conheça os mitos que deve ignorar sobre a doença

Em caso de ter sintomas, ligue 808 24 24 24

DGS FPF Liga Federação Portuguesa de Futebol Lisboa desporto futebol
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)