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"Desferi-lhe uma pancada na cabeça": Arguido admite agredir Bas Dost durante ataque à Academia do Sporting

Decorre esta quarta-feira a 33.ª sessão de julgamento do ataque à Academia de Alcochete.
Débora Carvalho 19 de Fevereiro de 2020 às 10:14
Bas Dost
Ataque à Academia de Alcochete
Fachada do edifício do Tribunal Criminal de Lisboa em Monsanto
Bas Dost
Ataque à Academia de Alcochete
Fachada do edifício do Tribunal Criminal de Lisboa em Monsanto
Bas Dost
Ataque à Academia de Alcochete
Fachada do edifício do Tribunal Criminal de Lisboa em Monsanto

Decorre, esta quarta-feira, 33.ª sessão de julgamento do ataque à Academia do Sporting, no Tribunal de Monsanto. 

Durante a manhã serão ouvidos os arguidos Tiago Silva 'Bocas' e Rúben Marques. À tarde, está prevista a audição de Luís Almeida. Esta sessão decorre num dia em que se sabe que Aleluia, que está doente, vai regressar à cadeia, onde está em preventiva. O regresso foi autorizado pela juíza.

Acompanhe ao minuto

16h07 - O arguido assume que agiu de cara tapada e que mandou "com um cinto contra um carro".

Rúben Marques relembra que estavam tochas no local e que bateu "naquele carro como podia ter sido noutro".

É ainda durante esta resposta que o arguido diz que entrou no balneário e agrediu um jogador, Bas Dost. "Desferi-lhe uma pancada na cabeça", admite, acrescentando que "foi um bate e foge".

Momentos depois da agressão a Bas Dost, conta o arguido que Rafael Leão o reconheceu. "Pensei que se fizesse mais alguma coisa ia ser reconhecido", afirma.

"Fiquei constrangido sem saber o que fazer", revela. "Eram só pessoas a entrar e a sair e fiquei", continua.

A juíza questiona-o se também bateu no Misic. "Não", responde. E diz ainda que tirou o cinto para o utilizar "quando estava a chegar ao campo de treino, enquanto outros também tiravam".

15h53 - 
Termina o interrogatório a Luís Almeida e começa a ser questionado o arguido Rúben Marques. 

Começa a intervenção a "pedir desculpa aos jogadores e à família do Sporting".

Rúben Marques diz que "no dia seguinte à confusão na Madeira" lhe mandaram uma mensagem "para ir à Academia". "Perguntaram-me se queria ir à Academia. Eu disse que ia", explica.

"Disseram que era para ir bater nos jogadores", revela. 

15h16 -
Luís Almeida diz que, na altura, "foi falado que estavam jornalistas à porta e não queríamos ser filmados".

"Hoje em dia olho para trás e vejo quem sou eu para ir contestar o Sporting", continua e admite "estou nesta cadeira porque estive na Academia na página mais negra do Sporting. Estou profundamente arrependido".

14h58 -
Depois de uma pausa para almoço, recomeça a sessão de julgamento. Vai ser ouvido o arguido Luís Almeida.

Começa por contar que, no dia do ataque, se deixou "ir atrás deles. Tapei a cara com um gola".

Arguido recorda ter ouvido Jorge Jesus a pedir ajuda a Fernando Mendes: "Fernando, ajuda-me, ajuda-me".

12h55 -
'Bocas' revela que escreveu uma carta a Mustafá na prisão, a pedir desculpa. "Senti que tinha falhado com ele, era uma pessoa de confiança e senti que traí a confiança, diz. 

"Custou-me estar na cadeia mas aprendi que há vida para além do Sporting", continua Tiago Silva referindo ainda que o ataque não foi a mando do Bruno de Carvalho, mas sim iniciativa de um grupo de membros da Juve Leo, adeptos e sócios. 

11h15 - 
Tiago Silva diz aos juízes que "Nuno Mendes [Mustafá] não sabia porque não era uma visita oficial".

"Mustafá é uma voz ativa. Quando fala, as pessoas ouvem e respeitam", afirma o arguido.

Os juízes perguntam ao arguido se "também fez diligências para saber a hora do treino" no dia do ataque. 'Bocas' responde que confirmou nas notícias: "nos jornais vem sempre o dia e a hora do treino".

A juíza continua a fazer questões e começa a perguntar sobre as mensagens trocadas em grupos de Whatsapp [existiam três grupos - Academia amanhã, Exército Invencível e Piranhas On Tour].

"Isto é tudo menos pacífico. É incendiário", classifica assim a juíza as mensagens trocadas.

10h45 -
"Fiquei surpreso quando o grupo começa a correr. Pensei que íamos entrar de forma ordeira", continua a contar 'Bocas'. "Depois fui correr atrás deles. Tapei-me com capuz e óculos porque sabia que não podia entrar sem autorização". 

"Aquilo foi tudo o efeito surpresa. Foi tudo ao contrário", diz.

"Entrei na academia e acabo por estar no edifício", continua. "Deparo-me com o Bad Dost e penso que já estava magoado", conta. "Continuo no corredor e viro à esquerda. Já estava uma grande confusão. Já havia fumo e já estava muita gente no balneário".

10h21 -
  Arguido fala do Sporting e emociona-se. Começa a chorar quando recorda as derrotas.

Ao relembrar o dia do ataque, Tiago Silva conta que "o objetivo de ir dar um aperto aos jogadores não era ir bater aos jogadores". "Na altura só via o Sporting, só conseguia ver aquilo à frente. Só vivia para o Sporting", continua. 

Aos juízes, o arguido confirma que teve uma conversa com Bruno Jacinto e que já tinha intenção de ir à Academia no dia do ataque. "Só tive a certeza que íamos depois do almoço. Liguei-lhe [ao Bruno Jacinto] a dizer que íamos a Alcochete", diz. 

"Era o guardião desta operação?", pergunta a juíza. "Não", responde.

10h06 - Começa a 33.ª sessão de julgamento. Tiago Silva começa a ser interrogado.

Nas primeiras respostas, o arguido, que é sócio do SCP desde 2004 e elemento da Juve Leo, começa por explicar que é o responsável pela venda de bilhetes. Conta que esteve na reunião "que aconteceu na casinha em abril". Reunião essa onde Bruno de Carvalho também marcou presença.

"Era normal o Bruno de Carvalho ir às reuniões da casinha?", pergunta a juíza. "Não, não era normal", responde, acrescentando que pensa "que o André Geraldes também estava presente". 

Nas respostas que vai dando, Tiago Silva explica que "Bruno tentou justificar o porquê de fazer posts" [publicações] no Facebook.

Ao longo do julgamento, que começou em 18 de novembro de 2019 e decorre no tribunal de Monsanto por questões de logística e segurança, já foram ouvidas mais de 60 testemunhas. 

O processo tem 44 arguidos, acusados da coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Bruno de Carvalho, 'Mustafá', líder da Juventude Leonina, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados de autoria moral de todos os crimes ligados ao ataque que aconteceu a 15 de maio de 2018.

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