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Correio da Manhã

Desporto
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Jogadores recusam falar com Bruno de Carvalho após ataque

Jorge Jesus acusa o ex-presidente do Sporting.
Débora Carvalho 8 de Janeiro de 2020 às 01:30
Jorge Jesus no tribunal de Almada para relembrar terror na Academia do Sporting
Jorge Jesus no tribunal de Almada para relembrar terror na Academia do Sporting
Jorge Jesus no tribunal de Almada para relembrar terror na Academia do Sporting
Jorge Jesus no tribunal de Almada para relembrar terror na Academia do Sporting
Jorge Jesus no tribunal de Almada para relembrar terror na Academia do Sporting
Jorge Jesus no tribunal de Almada para relembrar terror na Academia do Sporting
Jorge Jesus no tribunal de Almada para relembrar terror na Academia do Sporting
Jorge Jesus no tribunal de Almada para relembrar terror na Academia do Sporting
Jorge Jesus no tribunal de Almada para relembrar terror na Academia do Sporting

Os jogadores não querem falar consigo. Fugiram de si. Até disseram que era melhor não vir para a academia", disse Jorge Jesus a Bruno de Carvalho, então presidente do clube, quando este, à chegada a Alcochete, cerca de duas horas depois do ataque, lhe pediu para falar com o plantel.

O depoimento, de mais de quatro horas, foi marcado por vários momentos de tensão com a defesa de Bruno de Carvalho. "Senhora juíza, este senhor agora está a interrogar-me?", disse o ex-treinador do Sporting, depois de ser questionado por Miguel Fonseca, advogado de Bruno de Carvalho. Antes disso, Jesus recordou, pela primeira vez em tribunal, os momentos de terror vividos a 15 de maio de 2018. Foi agredido, pelo menos, duas vezes por dois indivíduos de cara tapada.

"Deram-me um soco na cara e caí. Fiquei a sangrar do nariz. Depois, levei com um cinto. Tentei reagir, caí e ele também. Fui a correr atrás dele até à saída. Era um jovem e não devia ter mais de 23 anos", começa por relatar Jorge Jesus, que testemunhou por videoconferência, a partir do Tribunal de Almada. "Parecia a marcha de corrida de um pelotão de guerra. Um filme de terror. Queria impedir que aquilo estivesse a acontecer, mas não consegui. Eram muitos gritos e fumo", continua Jesus, que descreveu os momentos de pânico vividos também pelos jogadores. "Olhei para o Bas Dost e ele estava a chorar. Perguntou-me: ‘Míster, porque é que estão a fazer isto?’"

O balneário ficou virado do avesso, segundo descreveu. "Foi entrar, bater e ir embora." Durante a invasão à Academia do Sporting, Jesus tentou pedir ajuda a Fernando Mendes, ex-chefe da claque Juve Leo, que era um dos quatro adeptos que entraram na academia de rosto descoberto. "Ele disse que não podia fazer nada", recordou o técnico, que rescindiu com o Sporting na véspera da invasão.

PORMENORES
Advogada acompanha
Jesus chegou esta terça-feira ao Tribunal de Almada acompanhado pela sua advogada. O treinador do Flamengo está de férias em Portugal e regressa em breve ao Brasil.

Clima de tensão
"Em primeiro lugar, boa tarde", foi a primeira coisa que Jorge Jesus disse a Miguel Fonseca, após a primeira questão do advogado de Bruno de Carvalho.

"O presidente pediu para alterar treino"
"Fomos despedidos e o presidente Bruno de Carvalho disse-nos que iríamos receber a nota de culpa no dia seguinte. Eu disse-lhe que havia treino de manhã e ele pediu para alterar para a tarde." As palavras são de Jorge Jesus. O ex-treinador do Sporting confirmou em tribunal que a hora do treino foi alterada na véspera do ataque à Academia de Alcochete. "Só o presidente é que falou. Falou, falou, falou e eu nunca respondi. Perguntou-me se eu não tinha nada para dizer. Eu respondi: Estou aqui só para ouvir", lembrou Jorge Jesus.

O agora treinador do Flamengo deu conta ainda do episódio relatado pelo ex-presidente do Sporting. "Ele contou que tinha falado durante a madrugada com o Fernando Mendes e que nós nem sabíamos o que estava a ser preparado. Ele é que tinha desbloqueado tudo, enquanto as filhas estavam aos gritos. Foi até às sete da manhã."

A relação com Bruno tornou-se insustentável e as agressões aos jogadores foram a gota de água. "Eu disse-lhe pessoalmente, depois de Alcochete, que não queria falar mais com ele. Que ele tinha de me deixar ir embora", afirmou Jesus.

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