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“Jorge Jesus é quem manda no campo”: Luís Filipe Vieira defende que treinador não tem poder a mais

Atual presidente dos encarnados e recandidato nas eleições desta quarta-feira defende, em entrevista ao CM/CMTV, estar magoado com Bernardo Silva.
Mariana Águas e João Moniz 28 de Outubro de 2020 às 01:30
Luís Filipe Vieira  foi entrevistado nos estúdios da  CMTV e explicou a escolha de Rui Costa para vice-presidente
Luís Filipe Vieira foi entrevistado nos estúdios da CMTV e explicou a escolha de Rui Costa para vice-presidente FOTO: Tiago Sousa Dias

A poucas horas das eleições no Benfica, Luís Filipe Vieira esclarece ao CM/CMTV os temas quentes do clube da Luz.

Correio da Manhã – Bernardo Silva foi ingrato consigo?

Luís Filipe Vieira – Não vale a pena estarmos a bater muito nisso. Se me perguntarem se fiquei magoado, fiquei. Tenho de realçar outros jogadores que me têm estado a apoiar. É um episódio fechado. Um dia havemos de nos encontrar.

- Porque é que pediu a Jorge Mendes para vender Bernardo Silva ainda antes de ele jogar na equipa principal?

- Isso foi num período em que ele renova. Em março ou abril de 2014 nós fazemos um contrato com a grande maioria dos empresários, onde se dá a exclusividade da venda em relação a um dia em que seja vendido. Ele depois fez a pré-época e teve a conversa com o Jorge Jesus. O empréstimo é em agosto.

- Bernardo Silva saiu porque não tinha espaço no plantel e não porque estava a ser já negociado?

- Nenhum jogador da formação saiu sem que lhe perguntássemos se queria sair. A exceção foi Rúben Dias, há dois anos. Teve uma proposta da Alemanha e disse que não.

- Jorge Jesus, neste momento, é quem manda no futebol do Benfica?

- Jorge Jesus é um grande treinador, mas acima dele está o diretor-geral [Tiago Pinto] e o administrador da SAD, Rui Costa. Jesus é quem manda dentro do campo, aí tem total autonomia. Também tem decisão nas alterações do plantel, na compra ou dispensa de jogadores. Isso agora em novembro vai voltar a suceder. Vamos sentar-nos os quatro a conversar.

- Não será um treinador com poder a mais?

- Não. O projeto desportivo não gira à volta de Jorge Jesus, é um projeto para ganhar.

- Concorda com a entrega da braçadeira de capitão a Otamendi?

- Nunca me meti nisso. Os treinadores devem ter essa autonomia. Neste caso concreto, o Jorge já esclareceu a sua escolha, é porque o Otamendi fala português, inglês e espanhol.

- Não é legítimo o desconforto dos adeptos?

- Acho que não há esse sentimento, o Benfica quer é ganhar. As reações [negativas] estão ligadas ao período eleitoral que está a decorrer.

- Como é que foi sócio do FC Porto 25 anos? Os sócios não vão ter isso em conta?

- Já clarifiquei isso tudo. Importante é falar do que os três candidatos querem para o clube. Até hoje não sabemos quem será o diretor desportivo de Noronha Lopes ou Gomes da Silva. Comigo sabem que é o Rui Costa.

- Porque é que não renovou contrato com Jorge Jesus em 2015?

- Também havia a vontade dele em sair.

- Porquê anunciar Rui Costa num período eleitoral?

- Quem liderar o Benfica tem de estar preparado. Fora do campo tem crescido bastante e nos próximos quatro anos continuará esse caminho. Se ele um dia quiser ser presidente... Mas quem vai escolher são os sócios do Benfica.

- Os processos judiciais prejudicam o clube?

- Tenho confiança na Justiça. Se for julgado, e acredito que não seja, será nos tribunais e não na praça pública. Vou para a cama descansado.

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