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Correio da Manhã

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JJ sobre defesa de Bruno de Carvalho: "Senhora juíza, este advogado está a fazer-me um interrogatório"

Antigo treinador dos leões diz que entrada dos invasores "parecia marcha de pelotão de guerra".
Débora Carvalho 7 de Janeiro de 2020 às 08:47
Jorge Jesus no tribunal de Almada para relembrar terror na Academia do Sporting
Jorge Jesus no tribunal de Almada para relembrar terror na Academia do Sporting
Jorge Jesus
Rúben Ribeiro
Ataque a Alcochete
Jorge Jesus no tribunal de Almada para relembrar terror na Academia do Sporting
Jorge Jesus no tribunal de Almada para relembrar terror na Academia do Sporting
Jorge Jesus
Rúben Ribeiro
Ataque a Alcochete
Jorge Jesus no tribunal de Almada para relembrar terror na Academia do Sporting
Jorge Jesus no tribunal de Almada para relembrar terror na Academia do Sporting
Jorge Jesus
Rúben Ribeiro
Ataque a Alcochete

Decorreu esta terça-feira a 17.ª sessão do julgamento do ataque à Academia de Alcochete. Jorge Jesus esteve a falar por videoconferência através do Tribunal de Almada. O interrogatório terminou cerca das 18h00.

Acompanhe ao minuto:
18h00 -
Miguel queria perguntar sobre o contrato. Jorge Jesus: "Esse senhor está-me a fazer perguntas do ponto de vista profissional".

17h56 -
Jorge Jesus é confrontado com documentos do processo. Em causa está a conversa com Rúben Ribeiro. "Bruno enviou mensagens aos jogadores no intervalo do jogo da taça?". "Não tenho conhecimento".

Sobre reunião na véspera do ataque: "Naquele dia, a ideia de quem me chamou era para nos despedir". "Como interpretou as palavras dele com Mendes durante a noite?". "Tinha confiança com ele". "Alguma vez viu Bruno de Carvalho e Mendes à conversa?". "Não".

17h38 - 
"Senhora juíza, posso falar consigo? Este advogado está a fazer-me um interrogatório", apelou JJ.

Juíza diz que acabou a troca de palavras. "Qual foi postura do presidente?", questionou a juiza. "Disse ao Patrício: fala mais baixo que o presidente sou eu".

17h36 -
O presidente perguntou o que aconteceu ou como aconteceu?. Na reunião onde houve confronto verbal entre presidente e capitães. O que eles disseram?". "Senhora juíza, desculpe. Posso falar consigo? Este advogado está a fazer me um interrogatório", avançou Jorge Jesus. "Este senhor é advogado e não é incomendador".

17h31 -
"Qual foi o jogador que não queria falar com presidente após invasão?". " O presidente chegou e disse que queria falar com jogadores. Eu disse lhe que os jogadores n queriam falar com ele. (...) Nesse dia, os jogadores disseram isso. Inclusivamente afastaram-se dele. Foram para a sala de estar para não se encontrarem com ele".

17h28 - Miguel Fonseca agora. "Quem lhe disse que não queria falar com o presidente?". "Em primeiro lugar, boa tarde", respondeu Jesus.

Um momento de tensão, onde o advogado levanta a voz. A juíza pede calma.

17h13 - Juíza pergunta se Jesus quer parar um pouco, beber água. Jesus diz que não. Prossegue o advogado de Fernando Mendes.

"Recebeu tratamento?". "Não, fiquei KO".
"Ficou com medo depois disto?". "Não sou pessoa para isso".

17h04 -
Agora fala o advogado de Bruno Jacinto. "De que cor era o cinto?". "Verde".

16h57 -
"O Paulinho foi agredido por alguém?", questionou Aníbal Pinto. "Não sei", disse Jorge Jesus.

"Porque foram agredidas uns e outros não? Sabe?". "Não consigo. O Bas Dost foi o mais agredido e era dos mais queridos em campo".

"Ouviu o Acuña a chamar filho da p*ta ao Mendes?". "Não".

16h52-
Aníbal Pinto agora"Parabéns pela comenda". "Foi agredido por causa da confusão, ou por ter reagido?". "Porque me agrediu? Tem de fazer a pergunta a ele. Não é a mim", responde JJ, acrescentando: "Ele reconheceu-me. Se quisesse passava por mim e não me tocava".

16h45 -
O Advogado pede para serem lidas as declarações do Jesus à GNR. A juíza quer saber qual é a discrepância e por isso vai ler. "(...) Fernando, ajuda-me. Os gajos estão a bater nos jogadores". "A gente não veio aqui para bater, veio para falar". Jesus diz que já não se lembrava da resposta de Fernando Mendes mas que se disse isso é porque foi.

16h40-
O advogado Miguel Matias. "Lembra-se de no dia 16 ter ido ao posto prestar declarações?". "Sim". "Disse que Mendes nunca lhe deu uma explicação... tem a certeza?". "Não deu", afirmou Jorge Jesus. "Lembra-se de ver o Ricardo Gonçalves?". "Vi-o no início da entrada dos invasores". "Estava perto de si no momento do alegado murro?". "Não".

16h31
- "Se tivesse sido despedido dia 14. Recebia indemnização?". A juíza interrompe: "Isso não interessa".

"Algum adepto lhe pediu desculpa?". "Não". "Quando vai atrás do indivíduo, viu algum funcionário ou jogador a fugir para a rua?". "Não".

16h24 -
"Bruno de Carvalho foi vaiado depois do jogo com o Paços de Ferreira?" "Sim."

"Houve também aquela situação das tochas com o Rui Patrício. No final do jogo frente ao Marítimo, antes do aeroporto, houve confusão?". "Não".

16h19 -
"Fernando Mendes fez algo para evitar ou acalmar?". "Não, nem para evitar nem para os indivíduos serem mais agressivos", avançou JJ.

"Assistiu à conversa do Willuam com o Aleluia?". "Não". "O Jesus falou com Bruno de Carvalho lá?". "Teve uma reunião comigo no gabinete", disse o antigo treinador leonino."Perguntou o que tinha acontecido. "Não sabe o que aconteceu?" Bruno respondeu que queria falar com eles. Disse-lhes que eles não queriam falar com ele. "Eles fugiram de si".

16h16 -
É a vez de Miguel Courtinho, advogado do Sporting, fazer questões a Jorge Jesus. "Vinha a correr, caímos os dois, ele ia à frente e tentava agarrá-lo. Ele agrediu de frente ou costas?". "Pela frente. Eu ia a correr para dentro da cabine e ele a sair. Ele está com um cinto. Dá-me no rosto. Já não fui para a frente, fui atrás dele", disse Jorge Jesus.

16h06 -
"Quando é que viu o grupo de Fernando Mendes pela primeira vez?". "Aqui. Neste corredor", avança JJ ao ver as imagens e quase a fazer uma espécie de reconstituição. "Não consigo reconhecer ninguém. Este de frente, de chapéu, parece o Mendes e este o aleluia. Se os conhecesse bem, até os conhecia pelo andar", continuou.

15h43 -
Jorge Jesus continua a ver alguns fotogramas. O objetivo dos juízes é que o treinador consiga identificar o homem que o agrediu.

15h36 -
Jorge Jesus diz categoricamente que foi Bruno de Carvalho a alterar a hora do treino para a parte da tarde.

15h31 -
O coletivo de juízes confronta Jorge Jesus com algumas imagens. 

15h19 -
Juíza questiona Jorge Jesus se ele disse alguma coisa quando Mendes disse que os adeptos iam estar no primeiro treino. "Não disse nada", diz.

15h18 -
Terminam as questões da procuradora e vai agora ter a palavra o coletivo de juízes. 

15h02 -
Jorge Jesus disse a Bruno de Carvalho que o treino estava marcado para a parte da manhã mas o presidente pediu para que fosse alterado para a tarde de modo a que os advogados entregassem a nota de culpa. Jesus pediu então a Vasco Fernandes para alterar a hora do treino.

15h00 -
"Disse-me que tinha chegado o fim da linha. Perguntou-me se não tinha nada para dizer e eu disse "estou aqui só para ouvir'", recorda o técnico relativamente à reunião com o presidente do Sporting.

14h57 -
Jorge Jesus fala da reunião - antes do ataque - com Bruno de Carvalho: "O treino estava marcado para terça-feira de manhã e segunda tenho reunião com o Presidente e a minha equipa, pensamos que íamos ser todos despedidos".

14h56 -
Jesus diz que Bruno de Carvalho pediu para falar com os jogadores mas o técnico disse que não havia condições. 

O atual treinador do Flamengo diz que as visitas da claque não eram recorrentes e que por apenas uma vez aconteceu. "Um deles era o Mustafa. Tiveram um bom comportamento", disse.

14h52 -
"Jogadores desequilibrados, a chorarem. Tudo virado ao contrário", atirou. Jorge Jesus diz ainda que Bruno de Carvalho só apareceu uma ou duas horas depois e que foi falar com ele.

14h43 -
Foi depois da "confusão no vestuário" que Jorge Jesus recorda ter visto Bas Dost a chorar e a questionar porque lhe tinham feito aquilo.

"Foi tudo instantâneo, para aí cinco minutos. Foi tudo rápido", conta o técnico. "Foi entrar e bater", afirma.

A procuradora perguntou a Jorge Jesus se Fernando Mendes lhe explicou alguma coisa e ele responde que não, "não houve tempo para explicar nada". 

Jorge Jesus revela ainda que, juntamente com Mendes, estava na Academia o Aleluia. "Fazia parte do grupo de quatro. Eram também dois jovens, mas não sei quem eram", explica.

"Parecia um filme de terror, estava tudo virado do avesso", recorda Jesus o terror vivido em Alcochete.

14h35 -
A procuradora pergunta a Jorge Jesus se Fernando Mendes lhe explicou o que estava a fazer ali no momento do ataque. O treinador responde que "não".

14h30 -
O treinador conta ainda que foi agredido durante o ataque. "Deu-me um soco na cara e caí. Fiquei a sangrar", diz Jorge Jesus, acrescentando que o agressor fugiu a correr depois de o ter agredido.

Momentos depois, o técnico que agora treina o Flamengo voltou a ser agredido. "Levei com o cinto. Tento reagir e caio. Ele [agressor] cai também e eu vou a correr atrás dele até à saída", explica o treinador que revela ter reconhecido o agressor pelas imagens.

Este agressor "estava de ténis e calções", recorda Jesus acrescentado que "não devia ter mais do que 23 anos".

14h28 -
Quando Jorge Jesus começa a entra no balneário, "muitos já estavam a sair".

"Ouvi muitos gritos e estava muito fumo", relembra o treinador.

14h22 -
"Mais de vinte tenho a certeza que eram". "Parecia marcha de pelotão de guerra", refere Jesus recordando o momento do ataque.

O técnico diz que não viu ninguém a lançar tochas, mas "entrei a correr e era uma fumarada". "Quando chego à entrada do vestuário vejo quatro [atacantes] sem nada no rosto, os outros já lá estavam dentro. Era aí que estava o [Fernando] Mendes".

14h11 -
Treinador começou a ser interrogado.

A procuradora começa por perguntar a Jorge Jesus se estava sozinho no dia do ataque.

"Os jogadores ficam no vestuários até os chamarmos", conta. "Era um dia como outro qualquer", relembra Jesus acrescentando que os adeptos que invadiram a Academia o abordam no campo e disseram "os jogadores não estão aqui, vamos para a cabine".

13h45 -
Jorge Jesus chegou ao Tribunal de Almada. É a partir deste local que o técnico vai ser inquirido via videoconferência.

11h54 -
Fonte ligada a Rúben Ribeiro, de 32 anos, diz que o jogador não foi notificado, pelo que não sabia que tinha de ir esta terça-feira a tribunal prestar declarações sobre o ataque à Academia de Alcochete.

10h58 -
Fonte do Gil Vicente disse à CMTV que Rúben Ribeiro se encontra, neste momento, a treinar.

10h50 - 
Como Rúben Ribeiro, atualmente ao serviço do Gil Vicente, era a única testemunha arrolada para a manhã, o tribunal suspendeu o julgamento, que será retomado pelas 14h00 com o testemunho do então treinador do Sporting Jorge Jesus, que irá falar por videoconferência a partir do Tribunal de Almada.

10h15 -
A 17.ª sessão do julgamento do ataque à Academia de Alcochete já devia ter começado. Está atrasada porque o jogador Rúben Ribeiro não compareceu no tribunal e o advogado do jogador  também não atende o telemóvel.

O tribunal requereu às autoridades que fossem notificar o ex-jogador do Sporting para ir testemunhar. O jogador não compareceu no julgamento e não apresentou nenhuma justificação até ao momento.

Rúben Ribeiro ia ser interrogado via videoconferência através do Tribunal de Barcelos.

Pelas 10h15, a presidente do coletivo de juízes, Sílvia Pires, explicou que a testemunha "não compareceu" esta manhã no tribunal na zona norte do país designado a partir do qual iria prestar declarações por videoconferência, e que o seu advogado tinha o telemóvel desligado.

Nesse sentido, a juíza presidente informou que entre hoje e quarta-feira será marcada nova data para a inquirição do futebolista, que se constituiu assistente no processo e que é um dos atletas que rescindiu com o Sporting após o ataque à academia.

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Para 8 de janeiro, quarta-feira, estão agendados os testemunhos do jogador italiano Cristiano Piccini, entretanto transferido para o Valência, e à tarde Mário Monteiro, preparador físico, que, à semelhança de Márcio Sampaio, faz parte da equipa técnica do dos brasileiros do Flamengo, liderada por Jorge Jesus. Está ainda previsto o interrogatório ao jogador André Pinto. André devia ser ouvido esta segunda-feira, no entanto o interrogatório dele acabou por ser adiado para quarta-feira.

Está previsto que os futebolistas e o antigo treinador leonino sejam ouvidos via Skype.

O processo pertence ao Tribunal de Almada, mas por "questões de logística e de segurança" o julgamento está a realizar-se em Monsanto.

Recorde-se que este julgamento começou em 18 de novembro de 2019.

A acusação do Ministério Público (MP), assinada pela procuradora Cândida Vilar, conta que, em 15 de maio de 2018, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na Academia do clube, em Alcochete, distrito de Setúbal, por elementos do grupo organizado de adeptos da claque Juventude Leonina e do subgrupo Casuais (Casuals), que agrediram técnicos, jogadores e 'staff'.

O antigo presidente do Sporting Bruno de Carvalho, Nuno Mendes (Mustafá), líder da claque Juventude Leonina, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e Mustafá também por um crime de tráfico de estupefacientes.

A acusação considera que os 41 arguidos que se deslocaram à Academia agiram mediante um plano "previamente traçado" e cumpriram os objetivos de "criar um clima de medo e terror" junto de jogadores e equipa técnica, de agredi-los com tochas, cintos, paus e bastões e de "privar os ofendidos de liberdade" enquanto decorriam as agressões.

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