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"Foi uma grande humilhação": Marega reage aos insultos racistas na emissora francesa RMC

Jogador portista pediu para deixar o jogo ao minuto 70 após insultos racistas durante o jogo com o Vitória de Guimarães.
Correio da Manhã 17 de Fevereiro de 2020 às 17:45
Marega
Marega FOTO: EPA

"O que me choca mais é ter sido em Guimarães onde sempre respeitei os seus adeptos". Foi assim que o jogador portista Marega reagiu aos insultos de que foi alvo no jogo deste domingo frente ao Vitória de Guimarães. 

Numa entrevista à emissora francesa RMC, Marega confessou que foi difícil lidar com os insultos, num campo bem conhecido para o portista: "já estou melhor. Sei que foi muito difícil. Foi uma grande humilhação para mim."

Sobre a decisão de abandonar o jogo, Marega diz que os companheiros de equipa não compreeenderam a sua atitude. "Os meus companheiros não compreenderam a minha reação, mas ficaram chocados com o que acontececeu. Foram reações de amigos, que me tentarem acalmar. Conhecem-me muito bem", sublinhou e acrescentou: "Fui para casa. Recebi muitas mensagens, dão muita-me força, uma força incrível. Agradeço a todas as pessoas".


"Foram comportamentos muito duros. Disse-lhes [aos colegas de equipa] que não valia a pena e não consegui jogar nesse terreno. Os insultos começaram no aquecimento. Ao início eram só três pessoas a gritar comigo. É impossível jogar um jogo assim", reafirmou o portista.

Marega, que pediu para sair do jogo ao minuto, jogou no V. Guimarães, emprestado pelos dragões, durante a época 2016/2017. "Joguei no Guimarães, sempre respeitei o clube e os adeptos. É uma cidade e um clube que já me deu muito. Ficámos em quarto lugar, tivemos acesso às competições europeias, devo muito a este clube. Sempre que marquei golos contra o Guimarães nunca festejei", reforçou.

Em Guimarães, no jogo da 21.ª jornada, numa altura em os 'dragões' já venciam por 2-1 (resultado final), o jogador maliano saiu do relvado, enquanto os colegas o tentavam demover. Marega mostrou-se irredutível na decisão, apontando para as bancadas e apontando o polegar para baixo.

Sérgio Conceição falou com o jogador, já fora das quatro linhas, e logo de seguida ordenou a substituição. O jogo esteve parado cerca cinco minutos e nas bancadas só se ouviam insultos para o jogador portista que marcou o segundo golo dos 'dragões' e que jogou no Vitória de Guimarães.

Em Portugal as reações de condenação ao que se passou em Guimarães têm-se multiplicado, provenientes das mais diversas instituições, quer a nível político quer a nível desportivo, desde a Procuradoria-Geral da República, que mandou instaurar um inquérito aos acontecimentos, ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e ao Primeiro-Ministro, António Costa, até à Federação Portuguesa de Futebol e à Liga Portuguesa de Futebol Profissional, além de vários clubes a título individual.

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