Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
6

Ressaca afasta Mustafá do ataque a Alcochete

Cabecilha da Juve Leo diz que ‘apagou’ depois do jogo na Madeira. Não viu mensagens e garante que não sabia do ataque à Academia.
Débora Carvalho 27 de Fevereiro de 2020 às 01:30
Nuno Mendes, Mustafá, está em prisão preventiva há nove meses, acusado também de tráfico de droga
Bruno de Carvalho é arguido
Nuno Mendes, Mustafá, está em prisão preventiva há nove meses, acusado também de tráfico de droga
Bruno de Carvalho é arguido
Nuno Mendes, Mustafá, está em prisão preventiva há nove meses, acusado também de tráfico de droga
Bruno de Carvalho é arguido
Mustafá é o chefe máximo da claque Juve Leo, mas em tribunal garantiu que não invadiu a Academia, não sabia de nada, nem ordenou o ataque ao centro de treinos do Sporting, a 15 de maio de 2018. "Já tinha bebido um pouco demais e no intervalo do jogo [Marítimo-Sporting] até fui para o apartamento. Vim da Madeira na segunda-feira [véspera do ataque], ‘apaguei’ e 24 horas depois tenho o mundo todo em cima de mim", afirmou.

Depois disso, segundo relatou, não pegou mais no telemóvel. "No dia 15 acordei com a canja da Cristina [a mulher], voltei a dormir e nem saí de casa", continuou o cabecilha da claque, acrescentando que mais tarde foi a mulher que o acordou para "ver na televisão o que se estava a passar na Academia".

A juíza Sílvia Pires insistiu, no entanto, sobre as mensagens no grupo do WhatsApp, onde se combinou o ataque e no qual é escrito por um dos arguidos que "a última palavra é de Mustafá". "Não falei com ninguém. Não dei ordem nenhuma", respondeu o arguido, considerando que o seu nome foi usado abusivamente nestas conversas.

O Ministério Público sustenta que Mustafá e Bruno de Carvalho foram os mandantes do ataque. Já sobre a relação com o ex-presidente dos leões, diz que não era a melhor. "Eu não votei no Bruno de Carvalho. Era contra o Bruno de Carvalho. Eu não gostava dele", salientou Nuno Mendes, sublinhando que a claque não era o "braço armado" do presidente nem de nenhum outro antigo responsável do clube.

Na reta final do depoimento, na 34ª sessão de julgamento, Mustafá disse que, a par dos jogadores, era um dos mais "injustiçados", Está preso há nove meses e responde ainda por tráfico de droga. 

"Não sei como não levou umas pingas"
Mustafá revelou que impediu uma possível agressão a Bruno de Carvalho (BdC). "Deram-me o ‘feedback’ do que se tinha passado no Facebook e disse ao BdC para se explicar na reunião. Aquilo nem foi uma reunião, aquilo descambou", recordou, destacando "a arrogância" do ex-presidente do Sporting ao mandar calar os presentes. "O Elton Camará [arguido] respondeu-lhe e eu nem sei como é que ele não levou umas ‘pingas’".

Queriam chamar-lhes mercenários
O arguido Valter Semedo admitiu ontem que criou o grupo de WhatsApp, no qual se planeou o ataque. "A ideia era mostrar-lhes o nosso descontentamento de uma maneira não simpática. Chamar-lhes mercenários e dizer-lhes que eles não eram dignos de usar a camisola do Sporting", afirmou. Esta sexta-feira é interrogado Bruno de Carvalho e termina a produção de prova, seguindo-se as alegações finais, que deverão durar duas semanas. A decisão deverá ser conhecida antes do verão.

Leões sem apoio da FIFA nas rescisões
A FIFA não deu razão ao Sporting nas queixas apresentadas contra Rafael Leão e Rúben Ribeiro, que rescindiram contrato unilateralmente após o ataque em Alcochete. No caso do avançado, a FIFA considerou a queixa inadmissível. Mas aceitou apreciar o mérito no caso do extremo, dando-lhe razão na rescisão por justa causa, mas sem lhe reconhecer o direito a ser indemnizado. Os leões vão recorrer para o Tribunal Arbitral do Desporto.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)