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Correio da Manhã

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Rúben Dias marca e deixa marca num Benfica que dominou o Moreirense

Defesa-central, que este sábado ostentou a braçadeira de capitão, abre caminho à vitória do Benfica, no seu derradeiro jogo pelas águias.
Mário Pereira 27 de Setembro de 2020 às 01:30
Jorge Jesus deu um abraço especial a Rúben Dias no final  do jogo de ontem
Jorge Jesus deu um abraço especial a Rúben Dias no final do jogo de ontem FOTO: Lusa
De partida para o Manchester City, Rúben Dias justificou este sábado, de forma plena, a braçadeira de capitão que ostentou, numa partida em que o Benfica ficou a dever a si mesmo uma goleada. No seu jogo 137 pela equipa principal das águias, o defesa-central mostrou a todos os colegas, aos 20 minutos, o que é preciso para fazer a bola chegar ao fundo da baliza adversária. Vontade. Sentido de baliza. Decisão. Detalhes que fazem toda a diferença. Rúben Dias parte, mas no último jogo, aquele em que estavam em campo André Almeida e Pizzi, mas no qual foi ele a capitanear, deixou um legado. Para memória futura.

Frente ao Moreirense, o Benfica assinou um bom jogo. Não um ótimo jogo, contudo. Para levar esta etiqueta, outros jogadores, além do capitão, teriam de ter mostrado igual assertividade no momento da definição. O 2-0 é curto para tanto que o Benfica fez. Mas também acaba por ser castigo (se é que a palavra cabe aqui) para tanto que lhe faltou fazer. Como explicar, por exemplo, que os encarnados tenham feito 17 remates até ao intervalo e o único golo que até esse momento conseguiram resultou de um lance de bola parada (pontapé de canto) e foi marcado por um defesa? Há dias (disse Dias?) assim, dirão alguns. Mas esta frase batida não pode ser justificação.

Por falar em números, aí vai mais um: 30. Foi este o número de disparos do Benfica à baliza do Moreirense, no jogo deste sábado. Quase um a cada três minutos, o que revela, desde logo, o sentido do jogo. Houve momentos de ataque em catadupa. De domínio avassalador. Por isso se torna quase inexplicável que a bola só tenha entrado duas vezes na baliza minhota.

Estará o problema na falta de um homem talhado para o desvio final que, eventualmente, falta no plantel? Pode ser. Porque na zona de construção, este Benfica está bem servido. Darwin Núñez esteve fantástico, bem secundado por Rafa. Waldschmidt mexe-se com inteligência e tem bons pés. Everton cria desequilíbrios constantes com o seu futebol vertical. Mas o certo é que o 2-0 só apareceu aos 80 minutos, quando em campo já estava um finalizador, Seferovic. Que por acaso, ou talvez não, até marcou num lance de encostar o pé. E do banco de suplentes não saiu Vinícius, melhor marcador da temporada passada. Se Jesus quis este sábado fazer ver que lhe falta um matador, conseguiu.

Jesus prefere Rúben Semedo
Rúben Dias fez este sábado o último jogo pelo Benfica antes de se mudar para o Man. City. Ao que o CM apurou, o central já fez exames médicos e deve viajar hoje para Manchester.

O CM sabe que o City ofereceu 70 milhões de euros, o Benfica exigiu 80 M €. O acordo rondará os 75 M € (mediante as águias fiquem ou não com direito à mais-valia de uma venda futura), e a cedência de Otamendi (vale 14,5 M €). Mesmo elogiando o argentino, Jorge Jesus deixou claro a sua preferência: "Entre Otamendi e Rúben Semedo, prefiro o Rúben". Como o CM noticiou, o Benfica deverá avançar para o defesa do Olympiacos a meio da próxima semana, depois de o clube grego disputar o play-off de acesso à Champions.

Contudo, a vinda de um não afeta o outro, apurou o CM. Aliás, o treinador deixou este sábado isso mesmo bastante claro: "Com a saída do Rúben temos de contratar dois centrais".

Benfica contesta interpretação da Liga de que não está previsto sócios na tribuna
Ao contrário do anunciado, o Benfica não teve este sábado 20 sócios na tribuna presidencial a assistir ao jogo. Na sexta-feira à noite, a Liga recebeu um email da diretora-geral da Saúde, onde Graça Freitas explicava que "face à atual situação epidemiológica, não pode a DGS concordar com a presença de convidados". A recusa desagradou ao Benfica, que insiste que o Plano de Retoma permite a ocupação até 50% da tribuna, acusando a Liga de "lamentável incúria" por não ter validado junto da DGS as regras que passou aos clubes.

Para a Liga, "resulta claro que em nenhum momento se considerou a presença de sócios ou adeptos na tribuna". Versão que as águias negam, exigindo uma resposta definitiva da Liga: "podem ou não os clubes ocupar até 50% dos lugares da tribuna?".

ANÁLISE
+ Aquela jogada de Darwin...
Poderia, e deveria, ter sido o momento do jogo. Aos 27 minutos, Darwin Núñez recebeu a bola à entrada do meio campo do Moreirense, tirou um adversário do caminho e disparou uma bazuca. Teria sido um golão, se a bola fosse um metro mais baixa.

- Falhas na finalização
No texto principal já se falou disto e aqui reforça-se a ideia de que o Benfica não se pode dar ao luxo de fazer jogos em que remata três dezenas de vezes à baliza contrária e apenas marca duas vezes, uma de bola parada e outra perto do final do jogo.

Boa arbitragem
Trabalho regular do árbitro Nuno Almeida, num jogo que acabou por ser fácil de dirigir. Não houve lances polémicos e apenas por duas vezes teve de mostrar o cartão amarelo. Bem também estiveram os auxiliares. E o VAR até podia ontem ter folgado.
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