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"Não nos matem": Rui Patrício recorda momentos de terror e agressões a William Carvalho durante ataque a Alcochete

Antigo guarda-redes dos leões lembra agressões a William Carvalho em Alcochete.
Débora Carvalho e Correio da Manhã 6 de Janeiro de 2020 às 08:44
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"Vocês nem sabem o que estava a ser preparado": as palavras de Bruno de Carvalho um dia antes do ataque a Alcochete

O guarda-redes Rui Patrício vai ser ouvido esta segunda-feira na 16.ª sessão do julgamento do ataque à Academia de Alcochete. Jorge Jesus vai ser ouvido na terça-feira.

Está previsto que ao longo da manhã desta segunda-feira testemunhe Márcio Sampaio, preparador físico. Durante a tarde o coletivo de juízes irá ouvir o internacional português Rui Patrício,atualmenteao serviço do Wolverhampton, de Inglaterra.

Acompanhe ao minuto:

17h15 -
"Bruno foi assobiado no jogo com o Paços de Ferreira?". "Sim", respondeu Rui Patrício ao advogado de Bruno de Carvalho.

"Antes do jogo, houve uma ovação em pé, monumental?". "Isso era normal", respondeu.

Juíza:  Sr. Doutor vamos a factos.

"Ainda usa o mesmo número do watsap?", questionou a defesa do antigo presidente do clube dos leões. "Sim", respondeu Patrício.

17h00
-  Como foi elaborada a resposta que publicaram? "Fizemos todos juntos. Falámos todos e eu escrevi", disse Rui Patrício.

"Onde se reuniram?", questionou o advogado de Bruno".  "No estádio", respondeu.

"Durante quanto tempo?". "Não me lembro".

A Juíza repreende várias vezes o advogado Miguel Fonseca, e apela a que este faça perguntas mais diretas.

16h55 -
Advogado de Bruno questionou como Rui Patrício se dirigia ao presidente. "Por você", respondeu. "O presidente gostava de ser tratado por presidente?". "Eu tratava o por presidente e a meio da reunião comecei a tratá-lo por você", rematou.

"Em relação ao seu desempenho profissional, o que foi escrito publicamente? "Nada. Mas eu faço parte da equipa". "E o mail da suspensão? Tem no seu telemóvel?"

Neste momento a juíza diz que se Rui Patrício ainda tiver o e-mail, para o enviar depois para o tribunal.

16h41 -
Advogado de Fernando Mendes questionou Rui Patrício. "Quando chega à Madeira e vê o Mendes, ele teve alguma relação mais agressiva?". "Não", respondeu Patrício, acrescentando que nunca teve problema com o mesmo.

"Deixou de falar com a sua entidade patronal?". "Nunca mais falámos. Nunca mais foi preciso falar com o presidente", respondeu.

"O presidente envia lhe mensagens e o senhor não respondia?". "Não", disse Rui Patrício. "Quem é o líder da juve Leo? À data", era o Mustafa.

16h38 -
O advogado de Mustafa falou. Patrício foi jogador do Sporting durante 18 anos. Como era a sua relação com juve Leo?
"Normal. Não tinha relação", respondeu o antigo guarda-redes leonino.

"Chegou a oferecer uma camisola sua à juve?", questionou o advogado de Mustafa. "Muita gente me pediu camisolas", disse Rui.

"Lembra se do aniversário da juve Leo? Você e o coates foram entregar uma camisola...". "Não me lembro", disse.

16h26 -
Depois do post, sentiu mais animosidade por parte das claques? "No jogo do marítimo não vi".

16h22 -
"Num jogo onde foram arremessadas tochas...já tinha acontecido?", questionou a juíza. "Fiquei f*did*", avançou Rui. "Já tinham atirado tochas noutros jogos. Mas vendo as imagens foi pior".

16h00 -
 O antigo guarda-redes leonino avançou de que forma tudo aconteceu na noite anterior ao ataque. "Fomos suspensos primeiro pelo Facebook, depois recebemos a nota de culpa à noite. Senti q se existisse um mau resultado a contestação seria maior", disse Rui Patrício.

15h57 -
Advogado do Sporting pergunta a Rui Patrício pela segunda reunião. Esta depois de ter sido feito uma publicação nas redes sociais.

"Jorge Jesus disse que o presidente ia lá para pedir desculpa", conta Patrício. "Mas Bruno de Carvalho disse depois que não tinha de pedir desculpa".

15h40 -
"Se precisar de bater em alguém não preciso de ninguém", disse Bruno de Carvalho na reunião de 14 de maio de 2018, segundo Rui Patrício. Uma reunião "completamente diferente das outras. O comportamento de Bruno de Carvalho foi muito diferente".

Ao coletivo de juízes respondeu que Bruno de Carvalho estava com um tom mais calmo.

Nesta reunião Bruno de Caravalho fez diversas questões, tais como: "Quero saber se vão estar bem para jogar a final da Taça. Aconteça o a acontecer vão estar bem?". 

Bruno de Carvalho terá questionado ainda a atitude de Acuña: "porque fizeste isso? Ainda por cima ao chefe da claque. Vou tentar resolver. Se alguémm tiver algum problema ligue para mim".

Ao coletivo de juízes, Rui Patrícia revela que sentiu que "ia despedir o mister". 

15h38 -
Patrício disse que Bruno de Carvalho ligou a Mustafá, durante a reunião, e colocou a chamada em alta voz e questionou-o se tinha mandado partir carros. Musta desmentiu o que tinha afirmado a William.

15h37 -
Rui Patrício revela que William lhe confessou que Mustafa tinha dito que Bruno de Carvalho tinha mandado partir os carros aos jogadores. Facto que o antigo presidente leonino desmentiu na reunião com os capitães.

15h31 -
O antigo guarda-redes dos leões lembra ainda uma reunião em Alvalade com Bruno de Carvalho e André Geraldes. "Correu em ambiente muito mau. Começou a acusar-nos, sobretudo a mim e ao William", lembra.

"Sentimos que com o post, algo podia acontecer", acrescentou Rui Patrício.

15h22 -
Rui Patrício revela que vários adeptos 'atuaram' de rosto descoberto e entre os agressores estava Fernando Mendes. 

15h19 -
"Vi o Jorge Jesus com sangue no nariz e na boca. Também vi o Bas Dost ferido", revela Patrício.

15h11 -
Rui Patrício recorda que "havia muita confusão, fumo, gritos. Foi um momento de muita tensão e muitos gritos".

O juízes questionam quem gritava e o guarda-redes responde que eram "os indivíduos (...) que estavam muito agressivos".

Rui Patrício conta que, naquele momento, só dava para pensar: "não nos matem". 

Questionado ainda pelo coletivo de juízes se se recorda de ouvir o alarme de incêndio, Rui Patrício disse que sim, mas só "no final" do ataque.

15h08 -
"'Estás aqui filho da pu**. Estás-te a rir? Parto-te a boca toda. Queres ir embora também?'", conta Rui Patrício que foi esta a pergunta que um doa atacantes lhe fez.

"Quando estou a tentar agarrar o outro que está a agredir William, há um que começa a agarrar-me no peito, outro no braço", recorda Rui Patrício os momentos de terror vividos durante o ataque à Academia de Alcochete.

O guarda-redes conta ainda que William "foi agredido com socos no peito".

15h06 -
O ex-guarda-redes do Sporting começa por explicar que os adeptos que invadiram a Academia "entraram e começaram a agredir". 

"Uma pessoa levou logo um pontapé. Vão diretos a William", revela afirmando que foi junto do adepto para o tentar acalmar.

Depois terão chegado mais atacantes, que pediram aos jogadores para tirarem as camisolas. "Dizem que somos uma vergonha", conta Rui Patrício.

15h06 - Recomeça a sessão de julgamento. Rui Patrício ouvido via Skype.

11h25 -
Terminou o interrogatório previsto para a parte da manhã.

11h18 -
O preparador físico, Márcio Sampaio, diz que mal viu os adeptos a chegarem à Academia se lembrou imediatamente da frase de Bruno de Carvalho na reunião, "vocês nem sabem o que estava a ser preparado".

10h29 -
Márcio Sampaio recorda a reunião marcada por Bruno de Carvalho, no dia 14 de maio, após a derrota dos leões frente ao clube da Madeira.

"Foi uma reunião surreal", diz, onde foram faladas as situações ocorridas entre Acuña e Fernando Mendes após o jogo. 

Foi nessa reunião no dia antes do ataque, em que Bruno de Carvalho reuniu com Jorge Jesus e Márcio Sampaio, que o antigo presidente do Sporting terá dito: "Vocês nem sabem o que estava a ser preparado". Estas declarações reforçam a tese defendida pelo MP, de que Bruno de Carvalho teria conhecimento das intenções das claques leoninas de invadirem Alcochete.

10h22 -
Juízes questionam Márcio Sampaio se viu Bruno de Carvalho na Academia no dia do ataque.

O adjunto de Jesus diz que sim. "Chegou acompanhado de André Feraldes. Perguntou o que tinha acontecido e eu disse-lhe: olhe, é isto que está a ver", responde.

10h18 -
Márcio Sampaio revela que depois do ataque "foram dias complicados". "Toda a gente sentiu medo. Entraram no nosso local de trabalho encapuzados.

O coletivo de juízes questiona o adjunto de Jesus se tinham medo que voltasse a acontecer. Márcio Sampaio responde dizendo que os atacantes sabiam quem eram eles, mas que eles não sabiam quem eram os atacantes porque estes "estavam encapuzados".

Márcio Sampaio continua e afirma que "quem disser que não teve medo, está a mentir".

10h04 -
Márcio Sampaio, adjunto de Jorge Jesus na altura do ataque, começou a ser ouvido. Diz ao coletivo de juízes que os atacantes "não entraram todos ao mesmo tempo, foram entrando". Conta que "era muita gente" e que "havia muito fumo".

Márcio Sampaio revela que foi dito aos jogadores: "Não ganhem no domingo que vão ver".

"Vi garrafões pelo chão", continua dizendo que também viu Bas Dost ferido e "o Raul José com marcas no corpo" por ter sido atingido com um cinto, depois de entrar no balneáreo.

10h00 -
Começou a 16.ª sessão do julgamento do ataque à Academia de Alcochete, no Tribunal de Monsanto.

No dia 07 de janeiro, terça-feira, está marcada a inquirição do futebolista Ruben Ribeiro e, à tarde, de Jorge Jesus, treinador do Sporting aquando da invasão e que atualmente orienta o Flamengo, do Brasil.

Para 8 de janeiro, quarta-feira, estão agendados os testemunhos do jogador italiano Cristiano Piccini, entretanto transferido para o Valência, e à tarde Mário Monteiro, preparador físico, que, à semelhança de Márcio Sampaio, faz parte da equipa técnica do dos brasileiros do Flamengo, liderada por Jorge Jesus. Está ainda previsto o interrogatório ao jogador André Pinto. André devia ser ouvido esta segunda-feira, no entanto o interrogatório dele acabou por ser adiado para quarta-feira.

Está previsto que os futebolistas sejam ouvidos via Skype.

Quanto a Jorge Jesus, Mário Monteiro e Márcio Sampaio é provável que sejam ouvidos presencialmente no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, mas há a possibilidade de também prestarem declarações através de videoconferência.

O processo pertence ao Tribunal de Almada, mas por "questões de logística e de segurança" o julgamento está a realizar-se em Monsanto.

Recorde-se que este julgamento começou em 18 de novembro de 2019.

A acusação do Ministério Público (MP), assinada pela procuradora Cândida Vilar, conta que, em 15 de maio de 2018, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na Academia do clube, em Alcochete, distrito de Setúbal, por elementos do grupo organizado de adeptos da claque Juventude Leonina e do subgrupo Casuais (Casuals), que agrediram técnicos, jogadores e 'staff'.

O antigo presidente do Sporting Bruno de Carvalho, Nuno Mendes (Mustafá), líder da claque Juventude Leonina, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e Mustafá também por um crime de tráfico de estupefacientes.

A acusação considera que os 41 arguidos que se deslocaram à Academia agiram mediante um plano "previamente traçado" e cumpriram os objetivos de "criar um clima de medo e terror" junto de jogadores e equipa técnica, de agredi-los com tochas, cintos, paus e bastões e de "privar os ofendidos de liberdade" enquanto decorriam as agressões.

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