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Correio da Manhã

Desporto
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Seferovic e Lucas Veríssimo dão asas ao sonho com triunfo no Jamor sobre o Belenenses SAD

Benfica entrou complexado no Jamor e só na segunda parte conseguiu marcar os golos da vitória.
Mário Figueiredo 9 de Março de 2021 às 01:30
Seferovic  marcou dois golos na vitória (3-0) do Benfica diante do Belenenses SAD, no Jamor
Seferovic marcou dois golos na vitória (3-0) do Benfica diante do Belenenses SAD, no Jamor FOTO: Paulo Calado
Seferovic (2) e Lucas Veríssimo deram asas ao sonho do Benfica em chegar aos lugares de acesso à Liga dos Campeões, ao apontarem os golos do triunfo (3-0) sobre o Belenenses SAD, uma das melhores defesas da Liga.

O Benfica entrou lento e com dificuldades em derrubar a muralha defensiva do Belenenses SAD. Os atacantes das águias revelavam dificuldades titânicas em ultrapassar a bem organizada defesa de Petit.

A emoção, junto das balizas, só chegou aos 24 minutos, quando Grimaldo isolou Pizzi, que permitiu a defesa de Kritciuk.

O jogo ganhou ritmo. Seferovic ainda cabeceou por cima da baliza, após um cruzamento de Rafa. Mas o Belenenses SAD também colocou as garras de fora. Varela foi um quebra-cabeças, fez gato e sapato de Otamendi, mas rematou à figura de Helton Leite.

O jogo aqueceu e Seferovic voltou a perder o duelo com Kritciuk, após um bom passe de Waldschmidt.

Na etapa complementar, apareceu Seferovic. O avançado suíço do Benfica vingou-se dos duelos perdidos na primeira parte para o guarda-redes russo. O suíço inaugurou o marcador, após uma boa assistência de Grimaldo.

O golo desmoronou a muralha defensiva dos anfitriões. E ainda a equipa de Petit tentava recuperar do golpe, já Seferovic bisava, desta vez a passe de Diogo Gonçalves.

O segundo golo resolveu a partida e lançou o Benfica para uma exibição descomplexada, num terreno tradicionalmente difícil. Tudo corria bem às águias. E do fluxo ofensivo acabou por resultar o terceiro golo, apontado pelo central Lucas Veríssimo, que empurrou a bola com peito para dentro da baliza. O triunfo premeia uma segunda parte eficaz.

Análise ao jogo
Positivo: Ketchup no 2º tempo
Seferovic desperdiçou duas boas oportunidades de golo na primeira parte, mas afinou a pontaria na segunda. Abriu o ketchup e bisou, dando uma vitória justa às águias.  

Negativo: Desorientação azul
O Belenenses SAD bateu-se bem na primeira parte e justificou uma defesa de betão. Mas bastou um golo para desmoronar uma das defesas menos batidas da Liga.  

Arbitragem: Arbitragem tranquila
Tiago Martins teve uma arbitragem tranquila e segura, numa partida sem casos. No capítulo disciplinar só mostrou o primeiro amarelo a Bruno Ramires (87’).

Análise aos jogadores
Seferovic - Quatro chances e dois golos. Boa média do suíço, que desatou o nó que estava apertado pelos azuis. Já leva 11 golos na Liga e encurtou a distância para Pote (Sporting), que tem 15.

Helton Leite – Teve algumas desatenções pelo ar, mas esteve seguro em três defesas.

Diogo Gonçalves – Deu algum espaço nas costas. Melhor no 2º tempo, assistiu Seferovic para o 2-0.

Lucas Veríssimo – Exibição segura, com a estreia a marcar pelas águias e com o peito.

Otamendi – Atuação de enorme qualidade, exceto numa assistência que Varela desperdiçou.

Grimaldo – Levou alguns gritos de Jesus no 1º tempo. Depois, na 2º parte, fez duas assistências. Decisivo.

Weigl – Lentidão na transição. Melhorou no 2º tempo.

Pizzi – Aposta falhada de Jesus na hora em que esteve em jogo. Isolado, atirou à figura do guarda-redes.

Rafa – Quase não se viu no 1º tempo. Depois esteve no lance do 1-0 e teve uma jogada fantástica que merecia golo.

Everton – Pouca bola. Corte importante, que evitou o golo do Belenenses e um remate por cima. Pouco.

Waldschmidt – Alguns (poucos) bons envolvimentos do alemão.

Taarabt – Muitos passes falhados e perdas de bola.

Pedrinho – Pouco em jogo.

Chiquinho – Bons pormenores.

Gilberto – Para refrescar.

Jardel – Cumpriu.

"Equipa está na fase da recuperação"
"A equipa está na fase da recuperação. Teve um mês de janeiro toda ela infetada [com Covid]", afirmou esta segunda-feira Jorge Jesus. "Há quatro jogos, a equipa caía na 2ª parte. Agora, é o contrário, mas não quero falar mais nisso, há quem não entenda. A equipa tem mais capacidade, corre mais e aí as coisas tornam-se mais fáceis", completou o treinador do Benfica.

"Emocionalmente, não é fácil estar tantos pontos atrás e ter esta confiança e qualidade. É um pormenor pelo qual quero dar os parabéns aos jogadores. Face à classificação, a equipa não joga a tremer, mas sim com muita capacidade e confiança", defendeu o técnico benfiquista, explicando como o intervalo foi decisivo para o resultado final: "Não é fácil jogar e ganhar aqui. O FC Porto tinha empatado. Na 2ª parte começou a entrar o que falámos e fizemos três golos, depois gerimos o resultado."

"As nossas contas são jogo a jogo, tentar chegar mais rápido aos lugares da frente. Faltam 12 jogos, portanto vai ser andar atrás do prejuízo. A equipa está a crescer", finalizou Jesus.

Waldschmidt: "Jesus e eu falamos um misto de inglês e português"
"Eu e Jesus falamos um misto de inglês e português. Estamos bem", disse Waldschmidt em entrevista à revista ‘Kicker’, isto depois do técnico ter revelado que a comunicação com o jogador era complicada, porque as instruções são dadas praticamente em português. O avançado elogiou o treinador: "É ambicioso e meticuloso e mostra muita emoção. Quer que encontre soluções criativas e surpreendentes contra os bloqueios defensivos profundos, pois costumamos ter muita posse de bola e os adversários recuam no campo." Sobre a mudança para a Luz, Waldschmidt não tem arrependimentos. "Foi o passo certo, mesmo que agora as coisas não estejam a correr bem. Não estamos satisfeitos, mas vamos endireitar caminho até final e apurar-nos para a Liga dos Campeões."
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