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Lenine Cunha treina na garagem para Jogos Paralímpicos devido ao coronavírus

Atleta português ainda não tem mínimos para os Jogos de Tóquio, que deverão decorrer entre 25 de agosto e 6 de setembro.
Lusa 21 de Março de 2020 às 09:16
Em relação aos Jogos Londres2012, Portugal, que vai contar com Lenine Cunha, perdeu dois atletas, descendo de 30 para 28, mas subiu de cinco para sete modalidades
Em relação aos Jogos Londres2012, Portugal, que vai contar com Lenine Cunha, perdeu dois atletas, descendo de 30 para 28, mas subiu de cinco para sete modalidades FOTO: Mariline Alves
A presença nos Jogos Paralímpicos Tóquio2020 continua a ser "o foco principal" do atleta Lenine Cunha, mas agora a pandemia da Covid-19 obriga a que os treinos para a desejada obtenção de mínimos sejam feitos na garagem.

"Com tudo isto, só posso treinar na garagem, tenho lá um miniginásio, e é lá que trabalho todos os dias. Além disso, como vivo numa zona algo isolada e que tem uma boa rampa, consigo fazer alguns exercícios na rua, sempre com todos os cuidados", conta o atleta à agência Lusa.

Lenine Cunha, medalha de bronze no salto em comprimento F20 (deficiência intelectual) dos Jogos Paralímpicos Londres2012, explica que todo o trabalho é feito de acordo com um plano do treinador José Costa Pereira, com quem trabalha há 21 anos, e garante: "Parar é que não posso."

Ainda sem mínimos para os Jogos de Tóquio, que deverão decorrer entre 25 de agosto e 06 de setembro, Lenine Cunha vive, como muitos atletas, a incerteza de não saber quando se realizarão as provas que permitem a obtenção de marcas.

"O mínimo no comprimento está fixado nos 6,65 e tem de ser feito até 30 de junho, mas agora não tenho provas para tentar fazê-lo", revela Lenine Cunha, detentor de 211 medalhas em competições internacionais.

Com toda situação criada pela pandemia da Covid-19, que já se alastrou a mais de 182 países e territórios, Lenine Cunha teme também que estejam em causa dois campeonatos Europeus de atletismo agendados para junho: o do Comité Paralímpico Internacional, na Polónia, e da Federação Internacional para Atletas com Deficiência Intelectual (INAS), na Rússia.

"Estas eram provas onde se podiam obter mínimos, não sabemos se vão realizar-se", explica, lembrando que "neste momento é tudo uma grande incerteza".

Lenine Cunha admite que as atuais restrições impostas pelo combate à propagação do novo coronavírus complicam muito a vida de todos os atletas de alta competição.

"É muito difícil para todos, os fundistas e meio fundistas têm de correr na rua sozinhos e para as disciplinas técnicas é ainda pior", considera.

O atleta, que, além de ter participado em Londres2012, esteve nos Jogos Paralímpicos Sidney2000 e Rio2016, assegura que vai continuar a trabalhar focado em Tóquio, mas estima que, "tendo em conta a atual situação", por agora tudo é "incerto".

A pandemia da covid-19 tem levado ao cancelamento de inúmeros eventos desportivos, mas o comité organizador dos Jogos Olímpicos e dos Jogos Paralímpicos Tóquio2020 continua a garantir que os dois eventos, agendados para os meses de julho, agosto e setembro, vão realizar-se.

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