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Correio da Manhã

Economia
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António Mexia vai sair da administração do banco BCP

Proposta de saída será votada na assembleia-geral de acionistas 30 de maio.
8 de Maio de 2018 às 10:29
António Mexia lidera a EDP
António Mexia
António Mexia
António Mexia lidera a EDP
António Mexia
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António Mexia lidera a EDP
António Mexia
António Mexia
O presidente executivo da EDP António Mexia deverá deixar de integrar a administração do banco BCP, segundo a proposta de novos administradores hoje conhecida e que será votada na assembleia-geral de acionistas 30 de maio.

O BCP divulgou hoje, através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), as propostas relativas aos pontos da ordem de trabalhos da assembleia-geral eleitoral marcada para 30 de maio, entre os quais os novos membros do Conselho de Administração, uma vez que o mandato do atual órgão social terminou no final de 2017.

Os acionistas Fosun (grupo chinês), Sonangol (petrolífera angolana) e Fundo de Pensões da EDP propõem que Miguel Maya seja o novo presidente executivo do BCP e a passagem de Nuno Amado (presidente executivo desde 2012) a presidente do Conselho de Administração ('chairman', não executivo), em substituição do embaixador António Monteiro.

No total, a proposta é que o Conselho de Administração do BCP fique com 17 membros, uma redução face aos atuais 19.

A comissão executiva, segundo a proposta hoje conhecida, será composta por seis pessoas (até agora são oito). Além de Miguel Maya como presidente (que é quadro do BCP há mais de 20 anos), continuam a fazer parte Miguel Bragança (foi para o BCP em 2012, desde o Santander Totta), João Nuno Palma (foi administrador da Caixa Geral de Depósitos até 2016 e é do BCP desde 2017), José Miguel Pessanha e Rui Teixeira (ambos com carreira feita no BCP) e ainda Maria José Campos (quadro do BCP, ligada ao banco Millennium na Polónia)

Quando às pessoas que até agora fazem parte da comissão executiva do BCP e que não constam desta proposta estão José Jacinto Iglésias Soares e Maria da Conceição Callé Lucas.

Já os administradores não executivos serão onze. Além de Nuno Amado como presidente, o destaque é a entrada do presidente da Fidelidade Jorge Magalhães Correia, em representação da Fosun, que além do BCP detém também esta seguradora.

São ainda administradores não executivos Ana Paula Gray (com experiência em banca em Angola, representando o acionista Sonangol), Lingjiang Xu (ligado à Fosun), Xiao Xu Gu (administradora do grupo Fosun), Téofilo Ferreira da Costa (até 2017 diretor do grupo CGD) e José Manuel Elias da Costa (secretário de Estado em governos PSD de Cavaco Silva, trabalhou no Santander Totta e desde 2016 consultor do Banque de Dakar, Senegal).

Dos onze administradores não executivos há ainda quatro que são também membros do Conselho de Auditoria: Norberto Rosa (quadro do Banco de Portugal, secretário de Estado do Orçamento nos Governos de Cavaco Silva e Durão Barroso e administrador da CGD entre 2004 e 2013), proposto como presidente da Comissão de Auditoria, Cidália Lopes (professora do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra, que já pertencia a este órgão social ), Valter Barros (com experiência na banca em Angola, até 2017 consultor do ministério das Finanças de Angola) e Wan Sin Long.

Dos administradores que até agora fazem parte do Conselho de Administração do BCP mas que não constam desta proposta destaca-se António Mexia, presidente da elétrica EDP (detida pelo grupo chinês China Three Gorges).

O jornal Público noticiou, em fevereiro, que Mexia deveria estar de saída da administração do banco, não figurando no próximo Conselho de Administração (no qual representa o acionista EDP), quer devido aos processos com a justiça devido às rendas da energia quer por excessos de mandatos exercidos no banco.

Também Carlos Silva, presidente do Banco Atlântico e até agora vice-presidente do BCP, deverá deixar de integrar o Conselho de Administração, caso esta proposta seja aprovada na assembleia-geral de 30 de maio.

Em fevereiro, questionado pelos jornalistas sobre a manutenção de Carlos Silva e António Mexia como administradores não executivos quando estes estão envolvidos em casos judiciais, o ainda presidente executivo do BCP, Nuno Amado, disse que estes se manteriam no Conselho de Administração até à assembleia-geral pois "considerou-se que não havia razão para que dois administradores com um papel tão relevante no banco não pudessem continuar a dar o seu contributo para o banco ultrapassar dificuldades".

O banqueiro Carlos Silva tem sido falado na imprensa pelas ligações a alegada corrupção ao procurador Orlando Figueira pelo ex-vice-presidente de Angola Manuel Vicente (operação Fizz).

Também de saída da administração do BCP estão o embaixador António Monteiro e ainda André Luís Gomes, Álvaro Barreto, António Cardão, Jaime Bastos, João Loureiro e Rute Vunge.

As propostas à assembleia-geral do BCP hoje conhecidas incluem ainda uma proposta para que o mandato do Conselho de Administração do BCP passe dos atuais três para quatro anos, justificando com a necessidade de dar "maior estabilidade ao desempenho de funções dos membros dos órgãos sociais".

O BCP tem como principal acionista o grupo chinês Fosun, com 27,06% do capital social, sendo a petrolífera angolana Sonangol o segundo maior acionista, com 19,49%, segundo a página do banco na Internet. Já o Grupo EDP tinha 2,11% do capital social.

Em conjunto, estes três acionistas, que hoje propuseram os novos membros do Conselho de Administração, têm mais de 48% dos direitos de voto.

Ainda segundo informações divulgadas ao mercado, em fevereiro o fundo de investimento norte-americano BlackRock tinha 2,73% do BCP e o Norges Bank 1,76%.

O BCP convocou hoje para 30 de maio a assembleia-geral de acionistas, com dez pontos na ordem de trabalhos, entre eles a aprovação das contas de 2017 (em que teve lucros de 186,4 milhões de euros, contra os 23,9 milhões do ano anterior) e a eleição dos novos órgãos sociais, incluindo o novo Conselho de Administração. O mandato da atual administração terminou no final de 2017.

Na segunda-feira, o BCP anunciou que teve lucros de 85,6 milhões de euros entre janeiro e março deste ano, mais 71% do que nos primeiros três meses de 2017.
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