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Correio da Manhã

Economia
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Apoio europeu não cobre perda de 2020

Economia deverá contrair 9,3% este ano. Regresso a níveis pré-pandemia só em 2024.
Wilson Ledo 18 de Setembro de 2020 às 08:18
Consumo
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A pandemia deverá tirar 19,8 mil milhões de euros à economia nacional este ano, se se confirmar a recessão de 9,3% do PIB estimada pelo Conselho das Finanças Públicas (CFP). A perda de 2020 superaria os 15,3 mil milhões que o País receberá de Bruxelas, a fundo perdido, nos próximos anos.

A entidade liderada por Nazaré Costa Cabral agravou as perspetivas para 2020, com uma queda de 22,5% nas exportações a surgir como o principal argumento. Face à redução nos rendimentos e à perspetiva de uma taxa de desemprego de 10%, as famílias estão também a retrair o consumo, explica o organismo na análise às perspetivas económicas.

Os sinais de recuperação só chegam no próximo ano, evoluindo de forma gradual até 2024, quando o CFP espera que sejam repostos níveis anteriores à pandemia. Já a “normalização” do setor do turismo deverá acontecer “apenas em 2022”.

Nestes quatro anos, o Governo terá de lidar com défices nas contas públicas, avisa o CFP, que reviu este valor em alta para 7,2% do PIB em 2020, refletindo os apoios às companhias aéreas e os novos custos das medidas de resposta à pandemia.

Os cenários ainda não têm em conta a ‘bazuca’ de Bruxelas para relançar a economia, que poderão aligeirar este retrato, mas o CFP insiste que os fundos devem ser “usados de forma criteriosa, eficiente e transparente”.

Resposta à pandemia custa 4638 milhões
As medidas de resposta à pandemia vão custar 4638 milhões aos cofres do Estado em 2020, equivalendo a 2,4% do PIB. A maior fatia cabe ao layoff simplificado e ao regime substituto, com 1050 milhões. A perspetiva do CFP é que o custo total seja reduzido para 467 milhões em 2021. Devido à pandemia, o Estado deverá ainda encaixar menos 1073 milhões em receitas, refletindo os impostos adiados e os menores descontos dos trabalhadores.


Só 789 empresas em layoff simplificado
Quase 31 mil empresas aderiram aos apoios à retoma, revelou a ministra Ana Mendes Godinho. Após abranger 109 mil empresas, o layoff simplificado já só se aplica a 789. As medidas antipandemia custaram mais de 1300 milhões.

SAIBA MAIS
7%
é a previsão do Governo para a queda da economia em 2020, abaixo do CFP, Banco de Portugal e OCDE, que rondam os 10%.

Novo Banco é “risco”
Além de mais falhas no pagamento de impostos e créditos por parte das famílias, o CFP inclui o uso “integral” do mecanismo de 3890 milhões pelo Novo Banco como um “risco”.
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