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Correio da Manhã

Economia
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Apple é a primeira empresa dos EUA a valer mais de 2 biliões de dólares em bolsa

Tecnológica liderada por Tim Cook ultrapassou a fasquia dos 2 biliões de dólares em termos de capitalização de mercado.
Jornal de Negócios 19 de Agosto de 2020 às 17:23
A Apple tornou-se a primeira empresa cotada na história dos Estados Unidos a superar a avaliação de mercado de 2 biliões de dólares. Aconteceu agora mesmo, a meio da sessão desta quarta-feira, quando a empresa liderada por Tim Cook renovou os máximos históricos ao ultrapassar os 467,77 dólares por ação.

Nos últimos dois anos, a Apple engordou 1 bilião de dólares. O mesmo que nos primeiros 38 anos anteriores, quando começou a cotar em bolsa.

Seguindo a tendência do mercado dos últimos dias, com a Apple a negociar bem acima da sua média móvel dos últimos 90 e 200 dias, a expectativa era de que este patamar fosse ultrapassado dentro em breve. Após apresentar os resultados, depois do fecho da sessão do dia 30 de julho, as ações da gigante tecnológica dispararam cerca de 23%.

Primeiro, porque a coqueluche de Wall Street registou um crescimento das vendas em todas as linhas de produto: iPhone; Mac; iPad; wearables, casa e acessórios (como os headphones sem fios AirPods); e serviços. Depois, porque anunciou uma operação técnica chamada de "stock split", em que cada ação é dividida por quatro, para tornar o título mais apetecível (e acessível) a uma gama maior de investidores. Entra em vigor a partir do próximo dia 24 de agosto. 

Para passar a marca dos 2 biliões de dólares, precisava de subir acima dos 467,77 dólares por ação. E, por breves segundos, a cotação da "big tech" foi aos 468,09 dólares, um novo máximo histórico intradiário. 

Esta marca foi atingida muito antes da previsão de alguns analistas. Ainda numa nota da casa de analistas Wedbush, assinada por Daniel Ives e Strecker Backe, ambos consideravam que "a Apple será a primeira empresa a ter uma valaiçaõ superior a 2 biliões de dólares", mas apenas em 2021. 

Para se perceber o marco atingido, a Apple, sozinha, vale mais do que a capitalização total de todas as empresas cotadas na bolsa de Paris e na bolsa de Frankfurt. 

O que a Apple andou para aqui chegar
Num ano marcado por uma pandemia e a maior contração económica da história dos Estados Unidos, a Apple conseguiu valorizar cerca de 59%.

Desde que se juntou ao clube das "trillion-dollar-babies", a 2 de agosto de 2018, a empresa valorizou 124%. Só nos últimos cinco meses, desde os mínimos de março devido ao choque da pandemia, a Apple mais do que duplicou a sua capitalização. Neste momento existem várias empresas norte-americanas acima da marca de 1 bilião de dólares. São elas, a Apple, a Amazon, a Microsoft e a Alphabet, dona da Google.

Em todo o mundo, apenas a petrolífera estatal Saudi Aramco tinha ultrapassado a barreira dos 2 biliões de dólares, em termos de capitalização de mercado. Aconteceu por breves horas, em dezembro do ano passado, no seu segundo dia de negociação em bolsa. 

O gráfico abaixo mostra o desempenho das maiores cotadas de Wall Street desde janeiro de 2000 até ao final julho de 2020.

O índice de tecnologia dos Estados Unidos, o Nasdaq Composite, está a protagonizar um ano bastante superior aos congéneres em todo o mundo, com um ganho acumulado superior a 30%, com as cotadas do setor a beneficiarem com o confinamento a que a atual pandemia obrigou e com a corrida à vacina contra a covid-19 a levar as empresas de biotecnologia em frente.

Só as cinco maiores cotadas da "big tech" valem, juntas, cerca de 7 biliões de dólares, o que corresponde a cerca de 68% de um índice que comporta quase 3.500 empresas. E é este pequeno grupo de empresas que está a levar o índice avante, com destaque para a Apple, que lidera a tabela das mais valiosas. 
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