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Correio da Manhã

Economia
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Associação Comercial do Porto critica TAP por "não olhar para todo o país"

Em causa estão as novas rotas concentradas em Lisboa.
Lusa 14 de Setembro de 2020 às 16:08
TAP
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O presidente da Associação Comercial do Porto (ACP) disse esta segunda-feira que o Estado não precisava "de desbaratar recursos numa TAP falida" que "não olha para o todo do país", nomeadamente em novas rotas centradas em Lisboa.

"Qual a necessidade de a TAP apresentar já uma rota Lisboa-Santiago de Compostela [Galiza, Espanha], se não for para sugar o aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, e os galegos que ainda lá vão? Isto é um desrespeito. O papel de uma companhia dita de bandeira é canalizar investimento e dinheiro apenas para Lisboa? Não tem lógica", observou Nuno Botelho em declarações à Lusa.

Para o presidente da ACP, tratando-se da TAP, é preciso "ver para crer" que haverá uma maior aposta a Norte do país.

"O primeiro plano de retoma da TAP levou o primeiro-ministro, o Presidente da República e até o ministro das Infraestruturas a dizer que o Norte não podia ser desrespeitado e o plano final era tão mau ou pior do que o inicial. Portanto, vindo da TAP essa indicação de que a operação não está totalmente fechada, desconfio sempre", afirmou Botelho.

O responsável alerta que "o tempo passa e os planos de voo que surgem têm Lisboa como único ponto de partida".

"A TAP é um novo Novo Banco. E Lisboa também sai prejudicada. O erro de Lisboa é achar que não fica prejudicada quando isso acontece ao resto do país", frisou o presidente da ACP.

Nuno Botelho observa ainda que o aeroporto Francisco Sá Carneiro "está a crescer e a retomar sem a TAP".

"Não precisamos da TAP. De facto, o país não precisava de desbaratar recursos a comprar uma empresa falida que não olha para o todo", frisou.

A TAP esclareceu esta segunda-feira que "acompanha em permanência a evolução dinâmica da pandemia e os seus impactos operacionais e a lista de rotas e voos disponível em sistema de reservas será ajustada sempre que as circunstâncias o exijam".

A empresa refere que, para "o período entre outubro 2020 e março 2021, anunciou apenas duas novas rotas", sendo "uma com partida de Lisboa e outra do Porto (Lisboa-Maceió e Porto-Sal)".

"Na construção da operação para o próximo verão, a TAP já identificou algumas oportunidades de mercado, que permitem otimizar a rede e rentabilizar os recursos da companhia. São seis rotas sazonais, que irão operar apenas no período do pico do verão", diz.

A companhia observa que "continua a colaborar com todos os agentes económicos, nomeadamente associações empresariais e entidades regionais de turismo para viabilizar o maior número de oportunidades, adicionar e ajustar os planos de rota, por forma a procurar ter um serviço ainda melhor e mais próximo, a partir de todos os aeroportos nacionais onde opera".

A empresa anunciou na sexta-feira que vai voar para Ibiza, Fuerteventura e Zagreb no verão de 2021, tendo ainda previstas duas novas rotas para a Tunísia e uma para Marrocos.

A ligação a Zagreb (na Croácia) tem início prevista para março, enquanto os voos inaugurais para Ibiza e Fuerteventura arrancarão entre maio e junho de 2021, com a TAP a assegurar duas ligações semanais (aos sábados e domingos) entre Lisboa e Ibiza e um voo semanal (aos sábados) com Fuerteventura.

Relativamente a Zagreb, a companhia aérea prevê efetuar três voos por semana com saída de Lisboa.

O verão de 2021 vai também colocar na rota da TAP três novos destinos de praia no norte de África, nomeadamente Djerba e Monastir, na Tunísia, e Oujda, em Marrocos, com inauguração prevista entre maio e junho de 2021, com partidas de Lisboa.

A estas novas rotas para o verão de 2021 vão juntar-se os novos destinos que a companhia tinha anunciado para este ano, mas cujo início teve de ser adiado por causa da pandemia de 2021.

Em causa estão as novas ligações da TAP para Cancún, Cidade do Cabo, Agadir e Santiago de Compostela.

O Estado português detém uma participação social de 72,5%, o empresário Humberto Pedrosa 22,5% e os trabalhadores os restantes 5% do grupo.

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