Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia

Bancos cortam 8,6 mil milhões no malparado no espaço de um ano

Crédito incobrável é 6,1% do total emprestado.
João Maltez 3 de Abril de 2020 às 08:31
Banco de Portugal
Crédito incobrável das famílias baixou
Banco de Portugal
Crédito incobrável das famílias baixou
Banco de Portugal
Crédito incobrável das famílias baixou
Os bancos portugueses retiraram dos respetivos balanços, em termos globais, mais de 8,6 mil milhões de euros de crédito malparado no espaço de um ano, segundo números divulgados esta quinta-feira pelo Banco de Portugal.

Os dados, que constam da análise ao comportamento do setor no último trimestre de 2019, revelam ainda que os créditos de cobrança difícil correspondiam, no final de dezembro do ano passado a 6,1% do total dos empréstimos concedidos pelas instituições financeiras.

No final de dezembro de 2019, os bancos detinham 17,19 mil milhões de euros, em termos brutos, de crédito malparado, enquanto no final de 2018 este valor era de 25,85 mil milhões de euros. Comparando com o terceiro trimestre do ano passado, altura em que os balanços das instituições financeiras registavam um volume de créditos tóxicos de 21,7 mil milhões de euros, a redução nos três últimos meses de 2019 foi na ordem dos 4,5 mil milhões de euros.

Este valor reflete a forte movimentação naquele período ao nível das vendas de carteiras de crédito malparado pelos bancos, já que corresponde a mais de metade do corte de 8,6 mil milhões ocorrido no ano passado.

Neste capítulo, o Novo Banco destacou-se, segundo a consultora JLL, ao libertar ativos tóxicos no valor de seis mil milhões de euros em 2019.
A redução da percentagem dos ativos tóxicos face ao total dos créditos das famílias e empresas – o rácio de malparado – é uma boa notícia para o sistema financeiro, que poderá, com a crise em curso, voltar a sentir dificuldades neste âmbito.

Moratória não conta como incumprimento
Devido à crise provocada pela pandemia de Covid-19, o Governo criou uma lei que permite a famílias e empresas suspenderem o pagamento de créditos entre abril e setembro deste ano. Essas moratórias não significam nem um incumprimento pelos clientes nem esse crédito não pago terá implicações automáticas no malparado dos bancos, de acordo com a decisão das autoridades. No 4º trimestre do ano passado, o crédito malparado das famílias caiu cerca de 400 milhões de euros e o das empresas 3,7 mil milhões.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)