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Correio da Manhã

Economia
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Bazuca reforçada com mais 600 mil milhões de euros

Banco Central Europeu aumenta e alarga no tempo o seu programa de compra de ativos.
Janete Frazão 5 de Junho de 2020 às 08:16
Christine Lagarde, presidente do BCE
Christine Lagarde, presidente do BCE FOTO: EPA
O Banco Central Europeu (BCE) reforçou o seu programa de emergência de compra de ativos públicos e privados (PEPP) em 600 mil milhões de euros, alargando para 1350 mil milhões de euros o mecanismo para combater os efeitos da pandemia na economia da Zona Euro.

O anúncio surge no seguimento da reunião do conselho de governadores do BCE que decorreu esta quinta-feira, e onde foi também decidido não mexer nos juros de referência. Estes 600 mil milhões de euros adicionais à semelhança dos 750 mil milhões do pacote inicial poderão ser utilizados, até junho de 2021, com o BCE a acrescentar seis meses ao prazo inicial que terminava no final deste ano, para a aquisição de todas as categorias de títulos de dívida elegíveis ao abrigo do programa do banco central.

"Houve um consenso alargado sobre a proposta, de que 600 mil milhões nos podem levar significativamente para mais perto desse caminho da inflação a níveis pré-Covid e também nos permitem monitorizar a forma como alguns desenvolvimentos importantes se vão desenrolar nos próximos meses e de que modo irão afetar as nossas políticas", sustentou Christine Lagarde, presidente do BCE.

O Conselho dos Governadores reviu ainda as projeções sobre o Produto Interno Bruto (PIB) da Zona Euro e antecipa agora uma contração 8,7% em 2020, seguida de uma recuperação de 5,2% em 2021 e 3,2% no ano seguinte. Só em 2023 o PIB da zona euro regressará ao nível de 2019. No cenário mais severo, o PIB pode mesmo cair até aos 12,6% este ano.

Lagarde adiantou que, "no geral, a extensão da contração e da retoma vão depender de forma crucial da duração e da eficácia das medidas de contenção, do êxito das políticas para mitigar o impacto adverso nos rendimentos e no emprego, e da medida em que a capacidade de produção e a procura interna forem afetados".

PORMENORES
Inflação revista em baixa
Em termos de inflação, o Banco Central Europeu prevê que a taxa fique nos 0,3% em 2020, acelerando nos anos seguintes para 0,8% em 2021 e 1,3% em 2022. Anteriormente, a instituição esperava ter uma taxa de inflação de 1,1% em 2020, 1,4% em 2021 e 1,6% em 2022.

Desemprego ainda a subir
O BCE prevê que a taxa de desemprego suba para os 9,8% no cenário base. Ao contrário da maioria das instituições, o banco central não vê uma melhoria imediata da taxa de desemprego em 2021, prevendo uma nova subida para os 10,1% em 2021.
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