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Correio da Manhã

Economia
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"Não há apoio político a grupo com contas falsificadas"

Pedro Mosqueira do Amaral, ex-administrador não executivo do BES, foi esta quarta-feira ouvido no parlamento.
17 de Dezembro de 2014 às 16:21
Pedro Mosqueira do Amaral durante a audição na Comissão Parlamentar de Inquérito à Gestão do BES e do GES
Pedro Mosqueira do Amaral durante a audição na Comissão Parlamentar de Inquérito à Gestão do BES e do GES FOTO: Miguel A. Lopes/Lusa

19h45: Termina a audição de Pedro Mosqueira do Amaral na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e GES.

19h42: O ex-administrador do BES, Pedro Mosqueira do Amaral, escusou-se a comentar a prenda de 14 milhões de euros que Ricardo Salgado, líder histórico do banco, recebeu do construtor José Guilherme, que foi apresentada como um assunto pessoal. "A resposta que recebemos foi que 'isto é um assunto pessoal, que não tem nada a ver com o grupo e com o banco'", afirmou o responsável na comissão de inquérito parlamentar ao caso BES/GES. O assunto foi puxado à baila por Paulo Rios de Oliveira, deputado do PSD, que questionou Mosqueira do Amaral se tinha ficado satisfeito com a resposta recebida. "Primeiro foi uma comissão, depois um presente, o que é que quer que eu diga", respondeu Mosqueira do Amaral. ex-administrador do BES acrescentou apenas que Ricardo Salgado "pediu respeito para não entrar nessa conversa".

19h37: O ex-administrador não executivo do BES explicou aos deputados que "quando queria informação sobre alguma coisa, só recebia vagas informações, nunca recebia uma fotografia total da situação". "A gestão do banco parecia uma pirâmide porque, quando a pessoa lá em cima [o dr. Ricardo Salgado] dá só vagas informações, todos os gerentes [abaixo dele] fazem a mesma coisa, garantiu Pedro Mosqueira do Amaral, a explicar uma metáfora que tinha utilizado anteriormente. 

19h29: Pedro Mosqueira do Amaral afirmou aos deputados da comissão de inquérito que é "normal" o dr. Pedro Queirós Pereira saber mais do grupo que ele sobre a situação do Grupo Espírito Santo (GES), uma vez que Mosqueira do Amaral só entrou no grupo "mais tarde, apenas em 2011". "Pedro queirós Pereira foi acionista do BES, ou o pai dele, desde o início, e tem outro acesso à família que eu não tenho", justificou o ex-administrador não executivo do BES.

19h27: O ex-administrador não executivo do BES revelou que foi no mesmo mês de janeiro que teve conhecimento do relatório da KPMG acerca das irregularidades nas contas da Espírito Santo International (ESI). "Em janeiro de 2014 foi quando tive conhecimento. Foi quando saiu o relatório [da KPMG] que eu sempre esperei para perceber o que é que se passa", afirmou. Ainda sobre a venda das ações do BES em janeiro, Mosqueira do Amaral voltou a apontar para o preço como o único motivo que o levou a tomar essa decisão. "Foi só porque o preço das ações estava numa situação que, para mim, não gerava nem percas nem ganhos. Mas não tinha nenhuma razão de que podia prever alguma coisa. Eu fui administrador não executivo e um administrador não executivo não tem informações, ou assim uma coisa", reforçou Pedro Mosqueira do Amaral. E realçou: "Penso que naquele tempo ninguém imaginava o que podia acontecer. O banco estava a funcionar bem e passou pela crise bem. Eu tinha as ações há uns três anos antes disso"

19h22: O antigo administrador não executivo do BES reconheceu que alienou a sua carteira de ações do banco em janeiro último, mas recusou ter tomado essa decisão com base em informação privilegiada. "A venda das minhas ações não tem nada a ver com alguma informação que eu tive do banco", afirmou o responsável, que respondia ao deputado socialista José Magalhães, que o confrontou com o tema. "Eu tinha ações do BES há muitos anos. E estava com percas. Quando vi que as ações tinham subido, foi nesse dia que decidi vender, porque eu também precisava de capital", sublinhou Pedro Mosqueira do Amaral.

PRENDA A SALGADO: "ESPERO QUE UM DIA SEJA EXPLICADA"

19h17: Pedro Mosqueira do Amaral revelou que numa reunião do final de outubro do ano passado, a mudança do modelo de gestão do GES e a sucessão de Ricardo Salgado no BES foram debatidas. "Posso confirmar essa reunião de 29 de outubro de 2013. Os tópicos aqui seriam a mudança de 'governance' [modelo de gestão] e começar o processo de sucessão [de Ricardo Salgado, presidente do BES]", afirmou o responsável perante os deputados que integram a comissão de inquérito ao caso BES/GES.O responsável disse que ficou então decidido avançar com alterações no modelo de gestão do Grupo Espírito Santo (GES) porque "havia situações que tinham que ser resolvidas". E realçou: "Quando é apresentado um facto que as contas são falsificadas e que pode haver problemas no banco em Angola, uma pessoa tem que agir". O representante da família Mosqueira do Amaral no conselho superior do GES admitiu mesmo ter ficado "chocado" com as irregularidades nas contas da 'holding' Espírito Santo International (ESI).

19h11: Quando questionado pelo deputado social-democrata Paulo Rios se "a gestão e informação do GES eram centralizadas numa pessoa", Pedro Mosqueira do Amaral respondeu afirmativamente 

19h07: O ex-administrador não executivo do BES garantiu que nunca viu a lista dos créditos concedidos ao BES Angola (BESA), considerando que poucos poderão conseguir identificar os devedores. "Nunca vi a lista, não sei responder onde estão os créditos. E, provavelmente ninguém, ou muito poucas pessoas, devem conseguir responder a isto", afirmou Pedro Mosqueira do Amaral

18h58: "Também gostaria de saber onde está o crédito ao BESA", afirmou, referindo-se ao buraco de mais de três mil milhões de euros que o BES foi obrigado a reconhecer face ao crédito concedido à instituição angolana e que chegou a ter uma garantia soberana de Angola, que entretanto foi revogada. O responsável admitiu ter ficado "bastante contente" quando soube que Álvaro Sobrinho, antigo presidente do BESA, ia ser afastado da liderança do banco angolano cuja maioria do capital era controlado pelo BES.

18h50: Pedro Mosqueira do Amaral esclareceu o deputado Paulo Rios, do PSD, que não teve tempo para se aperceber de toda a situação do BES, pois as funções que teve "nas empresas do grupo, excepto na ESI, foram só este ano". "Eu tenho uma função de gerência na alemanha e todas as outras funções que tive no grupo foram não-executivas, explicou Pedro Mosqueira do Amaral.

"DECISÕES ERAM TOMADAS POR RICARDO SALGADO"

18h41: Quando questionado pela deputada bloquista Mariana Mortágua, sobre quem eram os compradores da ESCOM, Pedro Mosqueira do Amaral disse não os conhecia, mas, pelo que "foi discutido no Conselho Superior, eram investidores angolanos". Segundo o ex-administrador do BES "houve conversas para desembrulhar o problema da ESCOM", mas Mosqueira do Amaral afirmou não conhecer a identidade dos políticos angolanos contactados. 

18h33: Pedro Mosqueira do Amaral afirmou que o "dr. Álvaro Sobrinho, enquanto presidente da Comissão Executiva do BESA deve saber onde estão esse créditos". 

18h27: Quando questionado pela deputada Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, sobre o momento em que teve conhecimento dos problemas na carteira de crédito do BESA, Pedro Mosqueira do Amaral respondeu que teve conhecimento "quando o dr. Álvaro Sobrinho foi distanciado do Banco de Angola e o dr. Morais Pires decidiu efetuar uma mudança de 'governance' na instituição".

18h18: Em resposta a uma questão da deputada bloquista Mariana Mortágua, Pedro Mosqueira do Amaral sublinhou que "o Conselho Superior não era o local onde eram tomadas todas as decisões do Grupo Espírito Santo (GES)". "As decisões eram apresentadas pelo dr. Ricardo Salgado quando já estavam em vigor", já tinham sido tomadas por um núcleo do GES, garantiu o ex-administrador do BES 

"NÃO HÁ APOIO POLÍTICO A UM GRUPO COM CONTAS FALSIFICADAS"

18h09: Pedro Mosqueira do Amaral explicou ao deputado Miguel Tiago, do PCP, que a "ESI era uma holding sem atividade operacional", pelo que os resultados eram conhecidos uma vez por ano, na Assembleia-Geral. "As empresas subsidiárias da holding com atividade operativa tinham a sua própria gestão [feita com] gestores independentes, como na Rio Forte, ou nos hotéis", precisou o o ex-administrador do BES. Pedro Mosqueira do Amaral disse ainda que "não havia reuniões regulares, mas havia a reunião principal, uma vez por ano, para a Espírito Santo Control e para a ESI em Lausanne - uma espécie de Assembleia-Geral".

17h57: Em resposta a uma questão do deputado comunista Miguel Tiago, relacionada com os contactos de administradores do BES e do GES com políticos, Pedro Mosqueira do Amaral relatou que isso foi falado como uma hipótese, uma opção, mas não sabe se chegaram a acontecer. "Para um grupo que tenha contas falsificadas não vejo minimamente [possibilidade de] apoio político do Banco de Portugal ou de outra instituição para um grupo desses" contou o ex-administrador do BES. "Mesmo se houve tentação de falar com políticos sobre os problemas no grupo, não há nenhum suporte para empresas com as contas falsificadas", concluiu Pedro Mosqueira do Amaral.  

17h46: No que refere ao GES, o ex-administrador do BES frisou que o grupo "não nadava em dinheiro" mas tal não significava que estivesse "falido". "Nunca imaginei um buraco desta dimensão", realçou todavia perante os deputados.

17h41: Pedro Mosqueira do Amaral reconheceu que ficou "assustado" quando soube que havia uma "falsificação de contas" na Espírito Santo International (ESI), 'holding' do Grupo Espírito Santo (GES).O ex-administrador do BES sublinhou que tomou consciência da gravidade do problema no final de 2013, e quando tal se verificou garante que ficou "assustado". "Fiquei mesmo assustado", asseverou, quando o ex-líder do BES e do GES, Ricardo Salgado, declarou que havia falsificações alegadamente conduzidas pelo contabilista responsável pelos números da ESI, Francisco Machado da Cruz.

17h36: Pedro Mosqueira do Amaral disse que foi a Angola com investidores alemães, sublinhando que "não quis voltar lá, porque fui recebido como um estrangeiro no BESA". O ex-administrador do BES sublinhou que, "por outras palavras, não tive nenhuma ligação com o BESA, nem quis ter". 

17h31: Em resposta a uma questão da deputada centrista Cecília Meireles, o ex-administrador do BES disse que a situação do BES Angola (BESA) era do conhecimento dos administradores não-executivos do BES. "A Situação do BESA era apresentada em todos os Conselhos de Administração pelo dr. Ricardo Salgado", disse Pedro Mosqueira do Amaral. Acrescentou ainda que nem ele nem o seu pai estiveram relacionados com Angola ou com a Líbia, uma vez que "nem a Líbia nem Angola eram tratados na área internacional - parecia que havia uma outra área internacional" no BES, disse o ex-administrador da instituição.

17h24: Quando questionado pela deputada Cecília Meireles, do CDS-PP, sobre o Eurofin, Pedro Mosqueira do Amaral afirmou que não teve e não tem contactos com essa empresa. "A Eurofin é uma 'management cvompany' que gere empresas, gere ativos financeiros e, provavelmente, também emite fundos. Profissionalmente não tenho nada a ver com essa empresa".

17h19: O ex-administrador do BES Pedro Mosqueira do Amaral lamentou os prejuízos materiais e danos morais causados pela "tragédia" que foi o colapso do banco e do Grupo Espírito Santo (GES)."Lamento em nome pessoal e em nome da família que represento os prejuízos materiais e os danos morais causados a todos os afetados por esta tragédia. Aliás, a minha família foi igualmente lesada, substancialmente, por este acontecimento", declarou o responsável.

17h15: Mosqueira do Amaral declarou aos deputados que a sua relação com o BES começou em 1997, quando ingressou como quadro técnico no banco, e desde 2001 que desenvolve a sua atividade na Alemanha, tendo tratado "da colocação das emissões de dívida do BES junto de bancos alemães".

MAIORIA PEDE AUDITORIA EXTERNA À PT

17h06: Quando perguntado sobre se acompanhou o processo de idoneidade de Ricardo Salgado, Mosqueira do Amaral diz que é preciso ter confiança no trabalho do Banco de Portugal (BdP). "Se Ricardo Salgado ficou à frente do banco até julho - mesmo depois de sabermos que havia contas falsificadas e problemas - tenho de ter confiança no BdP por ter mantido a idoneidade ao dr. Ricardo Salgado".

16h58: Em resposta a uma questão de José Magalhães, deputado do PS, o ex-administrador do Espírito Santo Financial Group garantiu que o "Banco de Portugal também sabia das contas - com a auditoria da KPMG e o ETRICC - e já desde o início de 2014 ou antes houve uma falsificação das contas".

"NUNCA IMAGINEI UM BURACO DAQUELA DIMENSÃO"

16h45: "Sempre tive mais contacto com o Dr. Amílcar Morais Pires. Quando eu fui nomeado administrador não-executivo do BES, também me foi perguntado quem é que seria o meu contacto e eu pedi que fosse o Dr. Morais Pires", respondeu Mosqueira do Amaral.

16h30: José Magalhães, deputado do PS, dá início à primeira ronda de questões.

16h15: "Lamento desde já, em nome pessoal e em nome da família que represento, os prejuízos materiais e os danos morais a todos os afetados por esta tragédia", afirma o antigo administrador do Espírito Santo Financial Group.

16h10: Mosqueira do Amaral começa por agradecer "a possibilidade de colaborar no esclarecimento dos motivos, razões e circunstâncias que conduziram ao colapso do grupo e do Banco Espírito Santo".

16h05: Pedro Mosqueira do Amaral já se encontra no Parlamento para ser ouvido a propósito da comissão de inquérito parlamentar à gestão do BES e do GES.

Pedro Mosqueira do Amaral, ex-administrador do Espírito Santo Financial Group, vai esta quarta-feira ao Parlamento, pelas 16h00, para ser ouvido a propósito da comissão de inquérito parlamentar à gestão do caso BES/GES.

Manuel Fernando Espírito Santo, que representava no conselho superior o ramo Moniz Galvão, e José Manuel Espírito Santo Silva, administrador não executivo da ES Internacional, foram ouvidos na terça-feira.

A comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES arrancou no dia 17 de novembro e no total serão ouvidas cerca de 130 personalidades ligadas direta e indiretamente ao assunto.

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