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Correio da Manhã

Economia
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Fecho da Avenida da Liberdade ao trânsito com impacto até 20% na atividade económica

"Medida avulsa, pouco ponderada, que traz mais prejuízo do que vantagem", garante Pedro Leal, da Associação Avenida da Liberdade.
Lusa 17 de Maio de 2022 às 17:27
Avenida da Liberdade
Avenida da Liberdade FOTO: Pedro Catarino
O encerramento da Avenida da Liberdade ao trânsito aos domingos terá um impacto negativo estimado de 18 a 20% na atividade económica local, sobretudo no setor do turismo, disse esta terça-feira à Lusa Pedro Leal, da Associação Avenida da Liberdade.

A associação reuniu-se esta terça-feira com o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, a quem manifestou a sua discordância com as mudanças no trânsito na cidade aprovadas pela autarquia na quarta-feira e que preveem a proibição de circulação automóvel naquela artéria aos domingos e feriados.

A proposta, que foi apresentada pelo Livre e aprovada pela oposição numa reunião privada do executivo municipal liderado por Carlos Moedas (PSD), que governa o concelho sem maioria, prevê também a redução em 10 quilómetros/hora (km/h) da velocidade máxima de circulação permitida atualmente em toda a cidade.

"É, de facto, um impacto negativo muito grande a todos os níveis. A nível do emprego, a nível da vida económica das empresas, após uma pandemia de dois anos. Esta medida tem um impacto que se estima de 18 a 20% de impacto negativo na atividade económica na avenida, e com muito impacto sobretudo no emprego", disse à Lusa Pedro Leal, presidente da associação Avenida da Liberdade, que representa lojas, hotéis, restaurantes e serviços.

O representante da associação sublinhou que nem todas as lojas da avenida abrem ao domingo, mas "as lojas que abrem deixarão de abrir e as salas de espetáculos, que abrem para várias sessões, deixarão de abrir ou farão apenas uma sessão".

"Aliás, muitas das sessões ao domingo até são frequentadas por pessoas que vêm de fora, consomem na avenida, às vezes até dormem nos hotéis e, portanto, haverá um prejuízo muito grande a esse nível", realçou.

Pedro Leal manifestou a Carlos Moedas a sua indignação por esta "medida avulsa, pouco ponderada, que traz mais prejuízo do que vantagem", uma decisão tomada "sem qualquer base de diálogo ou mesmo de estudo de mobilidade e de impacto".

"Ele também está claramente contra esta medida, que não foi debatida com a população, que não foi minimamente questionada sequer. Por outro lado, o presidente da câmara manifesta um interesse em alargar um debate à sociedade para encontrar soluções que tragam resultados para a diminuição da poluição, [e aumento] de qualidade de vida na cidade", acrescentou.

A associação já pediu também reuniões com o PS e o Livre para manifestar esta insatisfação.

"Acreditamos que serão tomadas outras iniciativas para levar à reversão desta decisão, que nos parece descabida", destacou.

Em reunião privada do executivo camarário, a iniciativa "Contra a guerra, pelo clima: proposta pela redução da dependência dos combustíveis fósseis na cidade de Lisboa" foi aprovada com sete votos contra da liderança PSD/CDS-PP, duas abstenções dos vereadores do PCP e oito votos a favor: cinco do PS, um do Livre, um do BE e um da vereadora independente eleita pela coligação PS/Livre.

Entre as medidas está a reativação do programa "A Rua é Sua", alargando a outros locais da cidade e prolongando o período em vigor, nomeadamente através da "eliminação do trânsito automóvel na Avenida da Liberdade em todos os domingos e feriados (anteriormente apenas último domingo de cada mês)".

Foi decidido ainda que o corte do trânsito automóvel aos domingos deve ser alargado a todas as freguesias, aplicando-se a "uma artéria central (ou mais) com comércio e serviços locais, para que todos os fregueses de toda a cidade possam experimentar fazer as suas deslocações de proximidade a pé de forma segura e confortável sem necessitar do automóvel próprio", lê-se na proposta do Livre, sugerindo também a promoção de consulta e participação pública para a transformação definitiva dos espaços nas diferentes freguesias, no sentido de alargar as áreas pedonais.

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