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Correio da Manhã

Economia
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Grandes devedores são 35% do problema dos créditos do Novo Banco

Fundo de resolução só rejeitou 15 operações num total de 107 propostas apresentadas.
Diana Ramos 21 de Março de 2019 às 08:36
Máximo dos Santos, presidente do Fundo de Resolução
Novo Banco
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Máximo dos Santos, presidente do Fundo de Resolução
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Máximo dos Santos, presidente do Fundo de Resolução
Novo Banco
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O presidente do Fundo de Resolução, Máximo dos Santos, afirmou que as necessidades de capital do Novo Banco são resultado do "legado do BES" e que 35% dos financiamentos que estão a gerar problemas e a forçar o uso do chamado mecanismo de capital contingente – a almofada exigida pela Lone Star aquando da venda e que lhe permite limpar perdas com ativos problemáticos com o apoio do Fundo de Resolução e do Estado – dizem respeito aos grandes devedores do banco.

"Dos ativos no mecanismo 78% são créditos e 35% corresponde a créditos a grandes devedores. Só 41% corresponde a crédito granular", afirmou Luís Máximo dos Santos, frisando que "é algo que vem do legado que o banco teve".

Questionado sobre se ficou surpreendido com o facto de a administração do Novo Banco ter anunciado, aquando da apresentação de resultados de 2018, que ia pedir mais 1149 milhões ao abrigo do mecanismo de capital contingente, o também vice-governador do Banco de Portugal desvalorizou o valor. "Não posso dizer que esteja [surpreendido] porque, conhecendo a carteira e os problemas dos ativos, seguramente uma parte do recurso ao mecanismo de capitalização iria fazer-se."

Luís Máximo dos Santos adiantou ainda que a gestão do Novo Banco apresentou ao Fundo de Resolução 107 operações relativas à limpeza dos ativos problemáticos. Destas, 49 foram autorizadas tal e qual como o Novo Banco propôs, 43 autorizadas com condições fixadas pelo fundo e 15 foram rejeitadas pelo Fundo de Resolução. O responsável garantiu também que não está a haver um registo excessivo de perdas para acelerar a limpeza do banco.

Garantia de Angola ao BESA não era elegível

O Banco de Portugal não aceitou a garantia de Angola ao BESA por falta de informação, segundo a sentença do Tribunal Administrativo de Lisboa que considerou legal a resolução. No acórdão, é referida a garantia soberana dada no final de 2013, de 5,7 mil milhões de dólares. "Resulta claramente probatório que o BES não forneceu ao Banco de Portugal - não obstante a insistência - as informações necessárias à elegibilidade da mesma".

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