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Correio da Manhã

Economia
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OS AÇORIANOS TÊM O DIREITO DE ESCOLHER

Paulo Mirpuri, presidente da Air Luxor revela como a sua companhia aérea conseguiu ultrapassar a crise que atinge a aviação comercial. A cotação em Bolsa não está excluída, mas a concretizar-se só em 2006
22 de Junho de 2003 às 00:00
Somos os mais rápidos a fazer recolhas e entregas
Somos os mais rápidos a fazer recolhas e entregas FOTO: Cristina Pinto e Pinto
Correio da Manhã - Como se está a portar a Air Luxor numa conjuntura extremamente negativa para a aviação comercial?
Paulo Mirpuri - As empresas têm de se adaptar às circunstâncias de mercado e saber preparar-se para as “tempestades”. A Air Luxor soube ultrapassar as adversidades que, nos últimos dois anos, afectaram a aviação civil. Temos vindo a crescer desde 2001, de uma forma orgânica, que não resultou de nenhuma aquisição, mas somente da aceitação de um produto que pensamos ser de qualidade e a preço justo.
- Existem já perspectivas de crescimento para o corrente ano?
- Queremos transportar mais de 1,2 milhões de passageiros. Os dados do primeiro trimestre (que é tradicionalmente o mais fraco) são animadores, transportámos 300 mil passageiros, se projectarmos esse número alcançaremos facilmente o número de 1,2 milhões de passageiros com 150 milhões de euros de facturação. A nossa estratégia tem passado pelo crescimento da rede europeia, e em termos intercontinentais para os países lusófonos.
- O futuro passa só pelo crescimento orgânico ou pondera parcerias estratégicas?
- Temos neste momento mais de 40 acordos com outras companhias de aviação e alguns ‘code-shares’ em Portugal. Estão a ser negociadas novas parcerias mas ainda é cedo para adiantar qualquer coisa.
- Qual é a estrutura accionista da Air Luxor?
- A companhia é detida a 100 por cento pela família Mirpuri...
- Permanecerá assim? Ou haverá a abertura do capital?
- No curto prazo a participação na Air Luxor será transferida para a ‘holding’ e a abertura ao mercado poderá acontecer em 2005 ou 2006, mas sempre uma participação minoritária.
- Como vê a privatização da TAP?
- A TAP deve ser privatizada o mais rapidamente possível. A partir do momento em que a TAP estiver privatizada a concorrência será mais justa. Operamos em concorrência directa em quase todas as rotas e existe uma concorrência injusta enquanto a TAP estiver sobre a protecção do Estado.
- Quais são os principais constrangimentos na operação da Air Luxor?
- Os principais constrangimentos prendem-se com a regulamentação exagerada do transporte aéreo a partir de Portugal. Existe um exagero na protecção das chamadas “companhias de bandeira”.
- Nesses constrangimentos pode-se incluir os Açores?
- Faz todo o sentido que os Açores fossem um destino da Air Luxor. Somos uma companhia portuguesa, voamos para a Madeira, para o Porto, porque razão não pudemos voar para os Açores? Não tem lógica. Existe uma regulamentação que diz que as rotas dos Açores são servidas em regime de monopólio (erro número um) e ainda por cima subsidiadas pelo Governo (erro número dois). Os Açores deveriam ser liberalizados, com o Governo a subsidiar cada passageiro residente. Não faz sentido não dar liberdade de escolha aos passageiros.
PERFIL
Paulo Mirpuri licenciou-se em Medicina pela Universidade Nova de Lisboa, com média final de 18 valores. Tem grau de clínico geral desde 1990, mas a sua paixão foi sempre a aviação. Desde 1985 que tem o brevê de piloto, e desde 1992 que tem os certificados que lhe permitem pilotar os jactos executivos Citation e os Airbus A319, A320 e A321.
Assumiu a presidência da Air Luxor em 1988, cargo que acumula com a direcção da Air Luxor Tours (desde 2000) e da NetJest Transportes Aéreos, SA, (desde 2001). O presidente da Air Luxor tem mais de 15 anos de experiência como gestor.
HÁBITOS DE VIDA
FAMÍLIA
“O meu ‘hobby’ é a minha família”, afirma Paulo Mirpuri para justificar a sua opção de se refugiar junto dos seus sempre que encontra algum tempo livre. O descanso das decisões sobre rentabilidade das rotas ou sobre o dia-a-dia da companhia é passado sempre junto da família.
LITERATURA
Para Paulo Mirpuri a literatura portuguesa ocupa um espaço de eleição na sua biblioteca. É um queirosiano apaixonado, “Lisboa devia ser uma cidade muito bonita naquela época”, refere a propósito, recordando o tempo em que o “americano” trotava pelos carris da capital.
VELA
Para um homem habituado ao ar e que preside aos destinos de uma companhia aérea é curioso saber que o seu desporto de eleição é a vela. “Sou mais um homem ligado ao mar do que ao ar”, diz Paulo Mirpuri. A actividade desportiva é inteiramente dedicada aos barcos.
BILHETE DE IDENTIDADE: AIR LUXOR
A Air Luxor nasceu em 1988 de um pequeno departamento de aviação detido pela família Mirpuri. Com uma tradição de 50 anos na aviação, a família decidiu apostar estrategicamente na aviação comercial quando se deu a liberalização do transporte aéreo no nosso País há cerca de 20 anos.
O ponto de partida foram os jactos executivos; no início dos anos 90 adquiriram o primeiro jacto comercial. Em 1995 começa o processo de internacionalização; a companhia avança para Macau, Paris e Cabo Verde.
Em 1997 iniciam-se as operações ‘charter’ com aviões de grande porte, e em 2000 a Air Luxor inicia a exploração das suas primeiras rotas regulares.
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