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Correio da Manhã

Economia
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Portugal vende 670 megawatts de energia solar em leilão por 11,14 euros por MW/hora

"Batemos um novo recorde do mundo", afirmou João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Ação Climática.
Lusa 26 de Agosto de 2020 às 14:55
Leilão de energia sola decorreu entre 25 e 26 de agosto
Leilão de energia sola decorreu entre 25 e 26 de agosto FOTO: Getty Images
O ministro do Ambiente anunciou esta quarta-feira que o leilão de energia solar, em que foram adjudicados 670 megawatts (MW), bateu "um novo recorde do mundo" com o preço de 11,14 euros MW-hora (MW/h), na modalidade de preço fixo.

"O leilão foi, de facto, um sucesso, ainda maior do que o leilão que há mais ou menos um ano decorreu [...], Batemos um novo recorde do mundo, que foi conseguido a partir de um leilão absolutamente transparente", anunciou o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, numa conferência de imprensa, em Lisboa.

De acordo com o ministério, a empresa Hanwha Q-Cells foi a "grande vencedora" deste segundo leilão solar, que decorreu nos dias 25 e 26 de agosto, tanto em número de lotes (seis), como em capacidade adjudicada (total de 315 MW).

Matos Fernandes referiu que, com este leilão, conseguem-se ganhos para os consumidores na ordem dos 559 milhões de euros a 15 anos.

Este valor corresponde a um ganho unitário de cerca de 833 mil euros por cada MW adjudicado (15 anos), o que representa um acréscimo de cerca de 80% face ao ganho unitário obtido no leilão de 2019 (cerca de 464 mil euros por cada MW adjudicado), esclarece o ministério.

Segundo o ministro, os 12 lotes leiloados correspondem, na verdade, a 13 adjudicações "porque, para um deles, os pedidos corresponderam, sensivelmente, a metade da sua própria disponibilidade", explicou.

Cada empresa concorrente podia adjudicar, no máximo, metade da capacidade total a leilão. Entre os restantes vencedores estão a as empresas espanholas Iberdola e Endesa (um lote para cada), a alemã Enerland (um lote) e a espanhola Audax (dois lotes).

Questionado sobre a razão para não haver empresas portuguesas no conjunto dos vencedores, o ministro do Ambiente sublinhou que a Iberdrola e a Endesa são "dois grandes 'players' em Portugal", mas, uma vez que se trata de um leilão de pontos da rede e não de tarifas, "um 'player' que já está em Portugal dá menos valor a poder aceder à rede do que um 'player' que não está em Portugal".

Na modalidade de preço fixo, na qual foi atingido o valor mais baixo do mundo - de 11,14 euros por MWh (no leilão de 2019 foi de 14,76 euros por MWh, considerado à data a tarifa mais baixa do mundo) - foi adjudicado apenas um lote neste leilão.

Dos outros lotes, oito foram adjudicados na modalidade de armazenamento, a grande novidade deste leilão, e quatro na modalidade de compensação ao sistema, esclareceu o ministro.

Na modalidade de armazenamento, o Governo definiu inicialmente um prémio por capacidade de 33,5 mil euros por MW/ano, mas os vencedores demonstraram-se disponíveis para pagar, eles próprios, um prémio por capacidade ao sistema de cerca de 37,1 mil euros por MW/ano.

Mais, os vencedores nesta modalidade vão ter de "assegurar o sistema contra eventos de preços elevados no mercado".

Segundo o secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, também presente na conferência de imprensa, o leilão foi desenhado de forma a "garantir que as baterias podem substituir-se às centrais de ciclo combinado", impossibilitando a especulação do preço da eletricidade.

"O leilão, além do contributo firme que tem de pagar, tem outro mecanismo que beneficia os consumidores, em que se o preço subir acima do valor estipulado no leilão ou caderno de encargos, as baterias têm de devolver ao sistema a diferença entre o preço de mercado e o estabelecido no leilão", acrescentou João Galamba.

Na modalidade de compensação ao sistema, conseguiu-se uma contribuição média ponderada de aproximadamente 73,7 mil euros por MW/ ano, o que se traduz numa receita fixa e garantida para o sistema na ordem dos 13 milhões de euros por ano, mais 73% do que a obtida no leilão do ano passado.

"Estamos aqui objetivamente a criar as condições para chegarmos a 2030 com 80% da eletricidade proveniente de fontes renováveis [...] e estamos a conseguir isso com enorme ganho económico", considerou o ministro do Ambiente.

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